Notícia

Mais que um sentimento, mais que um capitão

Oct 15, 2019

Ainda que muitos advoguem a separação clara entre política e desporto, ela é muito ténue. Numa Catalunha em ebulição, não existe.

Esta segunda-feira, depois de dois anos de prisão preventiva, foi conhecida a sentença dos acusados na sequência do referendo de Autodeterminação da Catalunha, promovido a 1 de Outubro de 2017, e que ficaria conhecido como “1-O”. Oriol Junqueras (13 anos) e Raül Romeva, Jordi Turull e Dolors Bassa (12) foram condenados por sedição (“contestação colectiva contra uma autoridade ou um poder estabelecido”) e má utilização de fundos públicos e Carme Forcadell (11.5), Josep Rull e Joaquin Forn (10.5) e Jordi Sànchez e Jordi Cuixart (9) por sedição.

A condenação, aliada a penas pesadas, mexeu com o sentimento independentista do povo catalão e com o sentimento de justiça de muitos outros que até nem defendem a separação do estado espanhol. A mobilização foi geral e a Federação Catalã de Patinagem suspendeu as partidas a meio da semana, pedindo em comunicado a “absolvição e liberdade imediata de todos os presos políticos” e, por exemplo, a cadeia de supermercados “Bon Preu” fechará portas esta quarta-feira para que os seus empregados – que serão pagos como se um dia normal de trabalho se tratasse – possam participar num concentração massiva que se espera em Barcelona.

Comunicado do Lleida gerou revolta no plantel

Muitos emblemas expressaram a sua indignação perante as penas, apontando à via do diálogo, desde o Barcelona - “a prisão não é solução” – ao Manlleu - “repulsa e total desacordo” -, ou de um Reus, “habituado à confrontação”, mas desportiva, e regida por valores de honestidade, justiça e respeito. Algo que não descortina na sentença anunciada. Ou o Noia, a expressar cabalmente “um grito a favor da liberdade, da democracia e do respeito pelos direitos civis e políticos dos representantes escolhidos democraticamente pelo povo da Catalunha”.

Outros foram mais comedidos. Amorfos. Como o Lleida.

O vencedor das duas últimas edições da Taça WSE reproduziu perto do meio-dia um comunicado do Español insipido, sem qualquer tomada de posição, mas identificou alguns jogadores do plantel. A reacção foi praticamente imediata.

O capitão Andreu Tomàs, que recebeu os troféus europeus com a bandeira catalã nos ombros, reagiu ao que considerou um “comunicado vergonhoso”, que não o representava. E outros se seguiram, com a mesma indignação do capitão, como Oriol Vives - “pessoalmente, este comunicado não me representa de maneira nenhuma” -, Lluis Tomàs – “etiquetado e envergonhado” – ou o jovem Alex Joseph. Ou até o treinador Albert Folguera. “A mim não me representa de maneira nenhuma”, escreveria na rede social Twitter.

Às 20h, o Lleida acabaria por retirar o comunicado, lamentando “as reacções que gerou”.

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