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«Ainda não jogámos um contra o outro, vai ser giro»

Oct 26, 2019

A terceira jornada encerra em si um “confronto” familiar num dérbi minhoto. Este sábado, o Braga recebe a Juventude de Viana, com o técnico bracarense Rui Neto a tentar anular as virtudes do filho Gonçalo Neto, reforço dos vianenses para esta temporada.

“Está a fazer o percurso dele”, conta ao HóqueiPT o treinador do Braga, ex-seleccionador nacional. “É o primeiro ano de sénior, e está a jogar numa equipa competitiva como é o Viana. E acho que esse é que é o caminho”, analisa. “Os clubes têm de começar a apostar nos miúdos com qualidade. Nota-se que, tirando as equipas grandes, as outras equipas vão apostando nos miúdos com qualidade e que têm ambição, que têm vontade e que querem fazer alguma coisa no Hóquei. Eu, como pai, apoio-o e vou-lhe dizendo principalmente o que faz mal”, revela.

Esta será a primeira vez que pai e filho se defrontam. “Ainda não jogámos um contra o outro, vai ser giro. É sempre complicado, mas, na altura, não pensamos nisso. Já brincámos com isso. É uma situação normal”, afirma Rui Neto, que perspectiva a carreira de Gonçalo, com 20 anos feitos em Maio último.

“A afirmação dele vai depender muito do trabalho que fizer. Não vou falar enquanto pai, porque somos sempre suspeitos, mas como treinador vejo que tem qualidade para crescer e para fazer um bom percurso no Hóquei. Mas vai depender muito do que ele fizer”, reforça. “Dependerá da força mental que tiver e de como as coisas forem correndo ao longo da época. E não é só ele. O Viana esta época apostou em miúdos, portanto têm de trabalhar e fazer o caminho deles”, aconselha.

Gonçalo Neto procura afirmação entre os seniores

Rui Neto representou a Juventude de Viana como jogador e, como treinador, conduziu a equipa a dois vice-campeonatos nacionais (2009 e 2010), merecendo o convite para liderar a selecção nacional entre 2010 e 2013. “É especial vê-lo jogar no Viana, não só por eu também ter jogado lá, mas por ele jogar no clube da terra onde nasceu e cresceu”, orgulha-se.

Gonçalo Neto é um dos jovens que desponta a sombra dos inúmeros estrangeiros no Campeonato Nacional da I Divisão, reconhecido como o melhor campeonato do Mundo. Mas, para Rui Neto, quando há qualidade, os jovens vingam. “Todos os estrangeiros, se vierem acrescentar qualidade, são bem-vindos”, aponta, vendo mesmo uma janela de oportunidade para os jovens valores nacionais.

“O que temos visto é que, com essa aposta das quatro equipas que lutam pelo título, tal abre a oportunidade a clubes como Braga, Paço de Arcos, Viana, Valongo de apostarem nos miúdos novos que, de outra forma, não teriam oportunidade de entrar numa equipa de primeira. Há sempre espaço. Há espaço para toda a gente. Se há qualidade e se acrescenta alguma coisa, é sempre benéfico, não vejo isso como um problema”, refuta. “Se calhar, nas equipas de topo – neste momento – acabam por ter o caminho tapado, mas se trabalharem e tiverem qualidade, acabam por chegar lá”, vaticina.

Afirmação bracarense

Fundado em 1988, o Braga procura a afirmação definitiva na I Divisão. Regressou em 2017 e contrariou o permanente sobe-e-desce de algumas equipas, garantindo a manutenção às ordens de Vítor Silva. Na pretérita temporada, já com Rui Neto ao leme, a equipa da cidade dos arcebispos protagonizou um extraordinário campeonato, terminando em sétimo.

Desde logo, como prémio, a equipa participou na Elite Cup. “De certa forma, para nós, foi um prémio estar lá. Foi o culminar do que fizemos na época anterior e da excelente classificação que conseguimos”, frisa. Depois de uma derrota nos quartos-de-final, o Braga terminaria a prova referência da pré-temporada em quinto ao vencer Paço de Arcos (8-4) e Óquei de Barcelos (2-3), atrás da Juventude de Viana de Gonçalo Neto, que se tornara nos “quartos” a primeira equipa a afastar um dos quatro cabeças-de-série.

Braga terminou a Elite Cup num honroso quinto lugar

A classificação da pretérita temporada garantiu também um lugar na Taça WSE, sucessora da Taça CERS. O Braga chegou à Final Four da prova em 2011 e à final da competição em 2012. Para já, um lugar nos “oitavos” é quase certo, depois da vitória na Alemanha, na primeira mão dos 16-avos, sobre o Remscheid por nada menos que 0-16. Na próxima fase, os bracarenses têm à sua espera os italianos do Valdagno, semifinalistas na última edição e isentos na primeira eliminatória.

No Campeonato, o Braga arrancou com uma vitória sobre a Física por 5-3, mas “escorregou” a meio da semana em Almeirim, perdendo por 2-1. A Juventude de Viana começou com um empate com sabor a vitória (mesmo valendo apenas um ponto…) por 3-3 em Fânzeres frente ao campeão nacional Porto, mas não confirmou o bom início de temporada na segunda jornada, sendo derrotada em Monserrate, no futuro Pavilhão José Natário, por 4-6 pelo Valongo.

A terceira jornada

A terceira jornada do Campeonato Nacional da I Divisão é um teste à invencibilidade dos quatro líderes. Destes, só o Benfica joga em casa, perante o recém-promovido Tigres, carrasco do Braga a meio da semana.

O Óquei de Barcelos joga em Oliveira de Azeméis, o Valongo defronta o Porto em Fânzeres e o Sporting encerra a ronda, este domingo, em Paço de Arcos, onde perdeu na pretérita temporada. A agenda completa, com as respectivas nomeações, é a seguinte:

Sábado, 26 de Outubro

• Oliveirense vs Óquei de Barcelos • 17h30 • João Duarte e Teófilo Casimiro

• Porto vs Valongo • 18h • Ricardo Leão e Miguel Guilherme

• Braga vs Juventude de Viana • 18h • Carlos Correia e Pedro Figueiredo

• Benfica vs Os Tigres • 18h • Paulo Rainha e Rui Torres

• Riba d’Ave vs Sanjoanense • 18h30 • Orlando Panza e Silvia Coelho

• Turquel vs Física • 21h • Pedro Silva e Paulo Almeida

Domingo, 27 de Outubro

• Paço de Arcos vs Sporting • 15h • Paulo Carvalho e João Catrapona

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