HockeyPatines.com

As 18 ideias básicas sobre a defesa individual

Feb 06, 2015

Redacção: Eduard Castro, treinador-adjunto do FC Barcelona

A defesa individual é, sem dúvida, o sistema defensivo que impera na OK Liga e na maioria dos escalões de hóquei em patins. Se bem que algumas equipas usam a defesa zonal como recurso pontual, a defesa individual é a rainha dos sistemas defensivos no hóquei em patins actual. Neste artigo apresentaremos os 18 conceitos básicos para dominar este sistema defensivo.

1. Não querer a bola

Este conceito é fundamental para a defesa do jogador com a bola. Dependendo da zona da pista, tem de se defender o jogador com bola de formas distintas. Como regra, cada defensor deve descobrir a sua distância de segurança para não ser ultrapassado. Nunca se deve deixar livre a passagem até à baliza. A melhor forma de o fazer é colocar os patins, e não o stick, entre a bola e a baliza. Não querer a bola implica pressionar convenientemente o portador da bola sem tomar a iniciativa para de lha roubar. Deve reagir-se aos movimentos do atacante com a paciência suficiente para levá-lo para zonas, junto às tabelas, onde a fuga à pressão individual ou uma possível ajuda seja mais complicada. Por norma, a função principal do defensor activo (aquele que está a defender o portador da bola) é forçar o atacante a cometer o erro de não proteger a bola ou que tenha de passá-la em condições de pressão que facilitem a intercepção do passe por um colega do defensor. Como conceito aplicado à defesa colectiva exige a paciência defensiva dos cinco jogadores, para que cada movimento defensivo individual favoreça a posterior ou iminente recuperação da posse de bola.

2. Uso da mão livre

Antes das novas regras, esta era uma componente fundamental para a boa defesa individual. Agora, o uso da mão livre para controlar o adversário é penalizado com falta de equipa. Ainda assim, para efeito de medir bem a distância defensiva, o uso da mão livre ajuda-nos a controlar o adversário e a facilitar os movimentos desde trás para controlar a situação. Deve evitar-se em situações de defesa do portador da bola mas tendo presente que, não empurrar, mas apoiar-se no atacante em situações pontuais como a meia-volta, ajuda à técnica defensiva correcta.

3. Uso do stick

O uso do stick é fundamental para varrer as linhas de passe interiores. O bom defensor varre sempre a pista com o stick, tornando difícil a leitura das linhas de passe. Há que habituar os jogadores a levar o stick em apenas uma mão na patinagem defensiva. É um ponto em falta na formação: a aprendizagem da técnica de defesa de ambidextros, em função de que linha de passe se quere neutralizar e da lateralidade do atacante. Em situações de saída para o ataque desde o fundo da pista, o uso do stick aberto é fundamental para a posterior boa defesa das linhas de tiro. Como regra, temos de ensinar os jogadores a apenas usar o stick para roubar a bola quando estejam à distância adequada e a nunca tomar a iniciativa, sobretudo se o atacante vem a uma velocidade em que o movimento defensivo nos fragilize.

4. Uso do corpo

O corpo é outro elemento defensivo que devemos utilizar para cortarmos as linhas de remate ou a posterior progressão de um jogador depois de um movimento técnico de túnel ou de stick-patim. Criar um obstáculo com o corpo é penalizado, mas ganhar a posição na trajectória do atacante para a baliza é um conceito básico para ajustar bem a marcação e poder usar o stick correctamente.

5. Impedir a recarga

Quando há um remate, a reacção não deve ser sair em contra-ataque mas sim fechar o caminho aos possíveis rematadores, para que não tenham uma segunda oportunidade. Este conceito não se costuma trabalhar. O importante é que os atacantes não fiquem em situação de poder rematar, sobretudo no interior da área.

6. Não flutuar

Sobretudo em situações interiores, seja na área ou zonas de remate com muito ângulo, o atacante deve ser marcado de maneira a que não possa nem fazer passes para as laterais nem rodar e executar meias voltas sem oposição. Não flutuar significa controlar o movimento seguinte do atacante e estar à distância adequada para agir defensivamente.

7. 3000 + X

Os jogos de hóquei dos seniores duram 3000 segundos. Mas há “x” segundos pelo meio, que vão desde que os árbitros param o jogo até que a bola volte a estar em jogo. Devemos treinar os jogadores para que não desliguem nestas situações e estejam prontos para reiniciar o jogo se são atacantes e dispostos a continuar a defender para evitarem ser surpreendidos se forem defesas.

8. Ajudas

As ajudas significam a associação de jogadores na defesa que pretendem pressionar o jogador com a posse de bola em dois-contra-um controlado. Pela sua disposição na pista, podem ser frontais, laterais ou a jogadores interiores. Normalmente, quanto mais fechado é o nosso sistema defensivo, mais simples é executá-las.

9. Trocas

As trocas defensivas são, provavelmente, o conceito defensivo mais complexo de trabalhar. Pressupõe uma alteração no escalonamento defensivo de modo a que se recupere a distância que o movimento, geralmente bloqueios, dos atacantes provocou. Como regra são altamente recomendáveis para defender bloqueios directos sem continuidade. Nos bloqueios indirectos são de muito difícil leitura porque o defensor costuma ler melhor os movimentos que implicam defender o jogador activo (com posse de bola).

10. Comunicação

Na defesa os jogadores devem falar entre si, de modo a que saibam qual é a intenção dos companheiros. É fundamental para as trocas e para a defesa de bloqueios e cortinas. E não só é fundamental para avisar o companheiro mas também para que a equipa atacante tenha percepção do grau de concentração do defensor, inibindo-a um pouco.

11. Faltas tácticas

Devemos ter presente que temos um número limitado de faltas antes de ser assinalado um livre directo contra nós por acumulação de faltas. Podemos explicar antes do jogo ou durante o mesmo que situações são susceptíveis de poderem ser neutralizadas em falta e que situações são imperdoáveis na acumulação. O treinador deve ter sempre presente o número de faltas da equipa e exigir um nível de faltas tácticas maior ou menor em função da fase do jogo em que se esteja.

12. Não ficar limitado na acção

Estar a uma distância demasiado grande do atacante com bola quando este avança na nossa meia-pista costuma redundar no risco de que ele possa encontrar linhas de remate simples. Por isso é importante que a nossa distância defensiva ao adversário nos permita sempre interpormo-nos na linha de remate. Na defesa de contra-ataques é fundamental não dar espaço para que o atacante não tenha hesite na execução. Em concreto, no caso da linha de 6m25 há que trabalhar sobretudo as situações em que a bola sai do fundo da pista e o defensor do possível rematador está mais inclinado para a ajuda lateral.

13. Linhas de remate e de passe

A linha de remate é a que existe entre a bola – que, recordamos, está sempre em movimento e por isso modifica-se a cada instante - e a baliza. Chamamos linha de passe à linha entre o possuidor da bola e o possível receptor. As linhas de remate podem ser defendidas pelo portador da bola ou também pelos jogadores que defendem os interiores. Já não é penalti levantar a bola dentro da área pelo que avançar para o atacante pode ser um bom antídoto para a meia-distância, que, decerto, com a anulação do espaço mais atrás, pode ser mais opção. As linhas de passe podem defender-se, basicamente, com o uso do stick mas também com o corpo, e o grau de leitura da defesa dependerá da possível intercepção de um passe que facilite o contragolpe.

14. Fechar as zonas

O lado mais frágil da defesa, o mais afastado da bola, deve defender-se de modo a que se facilitem posteriormente as ajudas ou as trocas. Não fechar as zonas que nos interessam leva a que haja demasiada distância entre os defensores e a reacção a possíveis um-contra-um será tardia e ineficaz.

15. Activação defensiva

Quando, por qualquer motivo, ficamos em situação de 4-para-3 em escassos segundos, devemos ter presente que o triângulo defensivo deve “activar-se” para realizar uma falta táctica ou activar a defesa das linhas de passe para facilitar o regresso do nosso jogador atrasado.

16. Afastar bloqueios

Em franca decadência com as novas regras, o uso da mão livre está recomendado em situações em que o bloqueio ou a cortina está prestes a deixar-nos afastados da linha de tiro.

17. Bloquear contra-ataques

Um conceito anterior à fixação da defesa individual a 6m25 (linha dos três pontos no basquetebol) é não recuar até à nossa meia-pista dando espaço para que os adversários pensem o contra-ataque. Por isso, imediatamente depois de perder a posse de bola é recomendável “cair em cima” dos possíveis receptores para neutralizar a superioridade numérica na saída para o contra-ataque.

18. Baixar com eles

Quando o adversário recupera a posse de bola é fundamental “baixar” com o jogador que tem a bola, tapando as linhas de passe e o remate frontal e oferecendo apenas a tabela e, se possível, a do lado mais fraco do atacante, medindo sempre muito bem a distância de segurança.

Inline content
Ficha Técnica
Estatuto Editorial
Contacte-nos
BackOffice
Política de Privacidade