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«Temos de minimizar as ferramentas que os árbitros têm para decidir os jogos»

Mar 09, 2020

«Temos de minimizar as ferramentas que os árbitros têm para decidir os jogos»

O jogo da 19ª jornada entre Benfica e Braga (que terminou com uma vitória das águias por 3-1) foi pautada por uma arbitragem repleta de hesitações e decisões contestadas com legitimidade, nomeadamente de Porfirio Fernandes. Naquele que, pela classificação das duas equipas (1º e 6º), seria num cenário pessimista o segundo maior jogo da ronda, talvez só superado pelo embate entre Porto (4º) e Óquei de Barcelos (5º), a arbitragem acabaria por condicionar o espectáculo.

Sobre o Hóquei em Patins jogado, Rui Neto, foi conciso. “Jogo aberto, de resultado incerto até ao fim, em que defrontamos uma grande equipa e em que fomos uma grandíssima equipa”, declarou, com rasgados elogios à postura e actuação dos seus jogadores.

Mas o técnico bracarense, seleccionador nacional entre 2010 e 2012, foi mais além, deixando vincada a sua opinião sobre “tudo o resto”. “É mau de mais para ser verdade”, afirmou, em declarações que extravasaram o âmbito do jogo e que abarcam o estado da modalidade.

“É a modalidade que temos”, lamentou. “Temos de querer ser nós a mudar isto. Têm de ser todos os agentes da modalidade a querer mudar isto”, vincou em tom crítico para com a arbitragem, reconhecendo a dificuldade da tarefa. “É muito difícil apitar Hóquei em Patins”, apontou.

O regulamento de jogo, num desporto em que a velocidade muitas vezes reina, tem – reconhecidamente – muita subjectividade e proporciona discussão. E a decisão acaba por ficar na interpretação de cada árbitro. “As regras, da forma que estão, [os árbitros] condicionam quando querem. Temos de minimizar as ferramentas que os árbitros têm para decidir os jogos”, expôs, clamando por mudanças de fundo.

“Falta as pessoas quererem mudar as coisas, principalmente os clubes grandes”, acusou, sublinhando que o estado actual se deve à inércia destes em actuar e mudar aquilo que vão apontando como problemas… mas só quando perdem.

Para Rui Neto, urge uma revisão de regras em que todos os agentes sejam ouvidos. “Os treinadores dos clubes têm de se sentar para discutir as regras, proporem alterações. As regras não podem ser feitas avulso, sem termos opinião. Eu assumo a minha responsabilidade e estou disponível para falar sobre as coisas”, frisou.

A desejada reunião aconteceu (mas em Espanha)

As críticas e o apelo à mudança de Rui Neto surgiram curiosamente num dia em que foi promovida a reunião defendida… mas em Espanha.

O presidente da federação do país vizinho, Carmelo Paniagua, convocou vários treinadores nacionais para um encontro em que – segundo nota federativa - foram debatidas as regras de jogo, modificadas há 10 anos.

Presentes estiveram, entre outros, Ricard Muñoz e treinadores da OK Liga como Edu Castro (Barcelona), Juan Copa (Liceo), Pere Varias (Noia), Ramon Benito (Girona), Edu Candami (Caldes), Francesc Linares (Igualada) ou Ferran Lopez (Calafell).

Os rumores de mercado e a Taça WSE

O Braga está num confortável sexto lugar no Nacional da I Divisão e esta temporada já “roubou” pontos a, por exemplo, Benfica, Porto e Óquei de Barcelos. Com um excelente trabalho à frente dos bracarenses, Rui Neto foi notícia com O Jogo a noticiar o interesse barcelense para suceder a Paulo Pereira. “Situações normais”, desvalorizou o técnico, sem levantar o véu sobre o seu futuro e lembrando que no seu plantel também há jogadores apetecíveis.

Para já, há “fome” de vitória, e a Taça WSE é um objectivo concreto. Com um triunfo na primeira mão dos quartos-de-final sobre o Follonica por 7-4, a formação bracarense é favorita à passagem à Final Four, mas a segunda mão – inicialmente agendada para o próximo fim-de-semana – só será realizada a 18 de Abril. Rui Neto assegura a data, apesar de ainda não ter sido tornada pública pelo comité europeu após a suspensão das competições europeias, desconhecendo, no entanto, como será reagendada depois a Final Four, planeada para 25 e 26 de Abril.

A suspensão, face à ameaça do coronavírus, é compreendida pelo técnico português, que sublinha que, viajando para uma Itália que é o epicentro do vírus na Europa, possivelmente teria de ficar – ele e toda a equipa – de quarentena no regresso, o que promoveria um “efeito bola de neve” não só nas vidas pessoais, mas também nas competições nacionais.

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