Vamos Falar de Hóquei em Patins

«49 mais um» de um talento ímpar

Apr 17, 2020

Um dos expoentes máximos do Hóquei em Patins completa esta sexta-feira 50 anos. "49 mais um", corrige-nos Pedro Alves, no "Vamos Falar de Hóquei em Patins" desta quarta-feira.

Capitão da Selecção Nacional, Pedro Alves - o "Mágico" - vestiu pela primeira vez a camisola das quinas num particular em Santa Cita, estreando-se no Europeu de Juvenis em 1985. Seria o primeiro de muitos títulos por Portugal.

Enquanto vivia uma maldição nos juniores - foi a quatro Europeus sem conseguir um título - estreou-se pela selecção principal, com apenas 18 anos e num Mundial. Regressou ao palco maior do Hóquei em Patins para conquistar o seu primeiro Campeonato do Mundo, no Porto.

Presente em oito Mundiais e seis Europeus, somou três títulos planetários e quatro continentais, com 126 golos conseguidos nestas provas maiores, num total de 251 internacionalizações e 334 golos. O último, em 2003, em Oliveira de Azeméis, valeu mais um título.

Na altura, Pedro Alves pediu para que o título não fosse em vão e que se capitalizasse na projecção da modalidade. 13 anos depois, Portugal voltou a vencer - um Europeu - em Oliveira de Azeméis e alguém pediu o mesmo. E o erro repetiu-se...

Despedir-se-ia da Selecção, mas arrepende-se de não ter acompanhado a geração de Ricardo Barreiros, Valter Neves, entre outros... Talvez dos poucos arrependimentos num percurso em que privilegiou estar onde se sentia bem ou, quando algo corria mal, ir atrás de desafios.

De "pino" a goleador no Vilafranquense, saiu para o Sporting, onde se cruzou com uma geração fantástica. Muito novo, sagrou-se campeão nacional pelos leões, às ordens de Livramento. Uma crise levou-o até Barcelos, onde se fixou, conquistando tudo o que havia para conquistar.

O Porto chamou-o para reentrar na senda das vitórias dos anos 80 e Pedro cumpriu, mas, falhando a conquista da Liga Europeia, não saiu com o dever cumprido. Sairia depois de um ano desgastante, com Franklim Pais a assumir o comando técnico para tornar novamente "bestiais" jogadores que tinham descido a "bestas".

Regressou a Barcelos. Outro Barcelos, que não conseguiria fugir a uma crise financeira. Rumou ao Pico e - em apenas um ano na "ilha" - transformou o desconhecido "Calendária" num Candelária temido a nível desportivo.

Tinha quase tudo certo para se reunir a velhos conhecidos, da Selecção e do Porto, na Oliveirense, mas não resistiu à chamada de José Querido, para o Liceo e para a OK Liga. Esteve perto da Oliveirense, como antes estivera perto do Benfica, também "chamado" por ex-companheiros. Mais tarde, antes de se lançar na aventura suíça, teve também um convite do Quevert, de França. Como anos antes tivera um contacto de Marcos Mocchetto, responsável de um super Novara... mas a oportunidade perdeu-se ao pensar que era alguém a brincar com ele.

Entre a Corunha e Genève, viveu mais três anos no seu Minho, entre um projecto de grandes figuras na Juventude de Viana - em que recorda o que aprendeu com o jovem Gonçalo Suissas - e um Braga em que despontavam Hélder Nunes e Rafa.

A Suíça era o plano B de uma vida para lá do Hóquei em Patins. Ainda brilhou no Genève, quer em pista, quer no banco, e uma realidade sem os holofotes de Portugal aguçou a sua percepção do que é preciso mudar para promover a modalidade.

Ainda que queira voltar ao Hóquei em Patins, não faz disso uma obsessão. Nem como treinador, nem para um lugar de dirigismo, a que é diversas vezes apontado pela sua postura, crítica, mas conciliadora.

Numa entrevista de mais de duas horas e meia, não faltaram histórias e revelações sobre uma ligação ao Hóquei em Patins que ainda não teve os últimos capítulos escritos.

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