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«Que joguem só os oito primeiros e os outros não vale a pena»

Nov 15, 2020

Vítor Silva é um técnico que não se inibe de criticar quando entende que tem de criticar e, no rescaldo da derrota caseira do seu Famalicense com a Oliveirense (3-4), apontou baterias à arbitragem, mas também à calendarização da época.

“Eu não sei para que é que andamos aqui a jogar. Sinceramente, eu não consigo entender. Ou querem fazer um campeonato dos oito primeiros e jogam os oito primeiros, e os outros não vale a pena, ou então... não vale a pena”, começou por dizer nas declarações pós-jogo à Fama TV, que assegurou a transmissão da partida.

“Na primeira parte, é verdade, não estivemos bem. Sofremos golos inacreditáveis. [A Oliveirense é] uma equipa que é uma autêntica selecção mundial, porque tem jogadores de alta qualidade, e que tem um nível acima da média, e que aproveitou os erros”, analisou. O Famalicense recolheu ao intervalo a perder por 0-4, mas quase surpreendia na segunda parte.

“Falámos com os jogadores ao intervalo. Alertámos que tínhamos de jogar sem complexos, com as nossas deficiências, mas sem complexos. Jogar de igual para igual. Paulatinamente, fomos entrando no jogo, e depois há um lance que é escandaloso”, lamentou, apontando favorecimento a algumas equipas. “Estamos a fazer a quarta, o sábado, a quarta, o sábado para profissionais. Ok. Mas acabem com isto. Jogam só os oito primeiros e os outros não vale a pena. Se um lance destes não é grande penalidade – e eu não sei se o nosso jogador marcava, se calhar até falhava – mas era grande penalidade. E cartão azul, que é um enganchamento”, detalhou sobre um lance que terá sido determinante no desfecho do jogo. Como outros erros terão sido determinantes a meio da semana.

“Acaba por ser triste. Andamos aqui a trabalhar, jogamos na quarta [ndr: em Tomar] num sítio onde um senhor se lembrou de nos marcar uns livres directos de uma forma escandalosa e que, claro, depois perdendo 8-3 nós não podemos dizer nada. Mas sabemos como é que foi”, explicou, antes de regressar ao jogo deste domingo, visando em particular a arbitragem de Sílvia Coelho, que fez dupla com Pedro Silva.

“Chegámos a casa às quatro da manhã. No outro dia, muita gente foi trabalhar porque nós não somos profissionais como outras equipas são. Viemos treinar, preparámo-nos para este jogo e depois, tivemos uma primeira parte irreconhecível, reconheço. Na segunda parte, jogámos dentro daquilo que são as nossas qualidades e não empatámos o jogo, ou não nos permitiram empatar, porque depois acontece um lance destes, que esta senhora, não tem outro nome, brinca com o esforço das pessoas. E eu não me posso alongar mais, porque há mais jogos e ela vai-nos apitar mais vezes, portanto é melhor eu não falar muito”, conteve-se. “Parabéns à Oliveirense, ganhou, e nós vamos continuar a trabalhar…”, disse no que poderia ser em jeito de conclusão.

No entanto, o técnico que conduziu o Famalicense à I Divisão depois de 14 anos de ausência visaria também uma calendarização feita a pensar em apenas algumas equipas, que precipita jogos para a realização da nova Taça 1947, entre 9 e 13 de Dezembro.

“Não consigo perceber que andemos a jogar à quarta e ao sábado para fazermos uma Taça em que vão meter 200 pessoas dentro de um pavilhão. Porque são oito equipas dentro do pavilhão. Eu não sei que Taça é esta, mas 200 pessoas dentro de um pavilhão, e andamos a jogar à quarta para chegarmos a Dezembro e estarmos todos de folga”, referiu, aludindo a um interregno entre a 13ª jornada (5 de Dezembro) e a 14ª jornada (9 de Janeiro) para o qual só está previsto um jogo, dos 32-avos-de-final da Taça de Portugal, para as equipas que não se qualifiquem – num dos oito primeiros lugares da classificação – para a 1947. Para o Famalicense, poderá ser um jogo no espaço de um mês depois de um alucinante ritmo de 18 jogos – cinco da “liguilha” e 13 da primeira volta – em três meses…

O técnico famalicense acabaria a sua intervenção pedindo desculpa caso se tivesse excedido. “Estou chateado porque o esforço dos jogadores nesta segunda parte merecia outro desenvolvimento”, desabafou.

O Famalicense é actualmente penúltimo, com seis pontos de vitórias sobre Riba d’Ave e Sanjoanense, em igualdade pontual com os ribadavenses e o Braga, sendo que os bracarenses têm menos dois jogos. Na próxima jornada, os famalicenses jogam na Luz, frente ao Benfica.

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