Opinião

Taça sem tréguas

Jan 20, 2015
Quim Paüls

Quim Paüls, de 53 anos, é seleccionador espanhol desde Dezembro de 2013, substituindo no cargo Carlos Feriche. Treinou o Barcelona entre 2006 e 2009, conquistando duas Ligas Europeias, que juntou às seis conquistadas como jogador, também ao serviço dos blaugrana.

Quim Paüls

As particularidades da Taça

A Taça continua a ser um torneio especial e essencial, pois conjuga, na medida certa, todos os ingredientes que a confirmam como a competição mais mediática do Hóquei espanhol. Quanto a mim, algumas das características que a distinguem da competição regular da OK Liga seriam enquadradas nestas categorias:

1º Os jogos com formato de eliminação têm uma componente emocional importante, e todos os jogadores estão particularmente motivados para dar tudo.

2º A Taça é um foco mediático de primeira ordem e é seguida por todos no mundo do hóquei em geral e os jogadores, treinadores e árbitros sabem-no, o que permite ver o melhor de cada um deles.

3º Os resultados da Taça, tendem a ser mais equilibrados do que numa partida da fase regular da OK Liga pois, normalmente, a equipa que está a perder assume riscos maiores e a equipa que está a ganhar gere a sua vantagem com maior prudência.

4º O formato de quinta a domingo põe à prova a condição física das equipas que chegam à final, uma vez que a exigência e o desgaste são máximos em cada jogo e pressupõe um desafio onde o jogador - às vezes - excede os seus próprios limites.

5º A Taça é o título a que têm acesso equipas que dificilmente podem lutar para conquistar a OK Liga ou as competições europeias e, esta possibilidade de ganhar um título apela ao melhor de cada equipa participante.

6º Nenhuma equipa joga em casa, criando-se um ambiente muito especial numa bancada plural, podendo-se acompanhar dois jogos por dia, durante três dias, entre as melhores equipas.

Raul Marín, FC Barcelona

Dados

Antes de analisar as possibilidades de cada equipa, julgo ser necessário destacar um primeiro dado, - no mínimo -, pois nas últimas seis temporadas tivemos três vencedores que repetiram o triunfo no ano seguinte, Vic, Barcelona e Vendrell, e se é certo que esta é uma competição onde predomina o equilíbrio, também é certo que sempre – desde que é este o formato – ganharam sempre equipas classificadas entre os quatro primeiros da OK Liga. Este segundo dado tem particular interesse pois demonstra que os melhores planteis continuam a ter uma vantagem clara sobre os restantes. E o último dado a merecer destaque é que, pela primeira vez, se classificaram as três equipas não catalãs que podiam chegar à competição.

As equipas

FC Barcelona – É sempre favorito a ganhar a Taça do Rei. A seu favor tem a melhor defesa da OK Liga, um plantel vasto e a experiência de todos os seus jogadores na disputa daqueles jogos que te fazem ganhar títulos. Se somarmos uma temporada perfeita a jogadores de altíssimo nível, não podemos deixar de lhe dar um destacado papel de protagonista durante a competição.

HC Liceo - Nunca vi uma equipa que, apesar da saída constante de jogadores de alta qualidade, temporada após temporada, consegue disputar todos os títulos das provas em que participa e o faz com a excelência de um hóquei brilhante e atrevido. O treinador mais longevo da competição, com larga vantagem, é Carlos Gil, - que já treinou o Dominicos vencedor na Taça de 90 -, e é um daqueles expoentes de brilhantismo como técnico, com experiência e capacidade, que persuade os seus jogadores através da sua mestria. Com uma espinha dorsal muito sólida, o Liceo baseia a sua força na continuidade do jogo de ataque, na qualidade dos seus jogadores e só falta ver se esta equipa de contrastes, nas idades, sem um canhoto, com alguma irregularidade ao longo de um mesmo jogo, mas com uma trajectória muito regular na OK Liga, é capaz de conquistar um título que lhe tem fugido, pois temos de recuar até 2004 para ver o Liceo a levantar uma Taça do Rei.

Mia Ordeig, CP Vic

CP Vic – Haverá uma equipa com maior impacto no panorama espanhol? Com quatro jogadores com enorme peso específico e antiguidade suficiente para liderar a equipa nos momentos importantes, com um guarda-redes jovem, talentoso e com números incontestáveis e mais cinco jogadores que têm sido e, em alguns casos, ainda são, jogadores da selecção de Sub-20.

Todos sabem que este Vic é uma mistura complexa de experiência, talento e compromisso, com cinco jogadores formados em casa e com um guião que todos os jogadores conhecem perfeitamente, nenhuma equipa cresceu tanto em tão pouco tempo. E estas são apenas parte das credenciais com que se apresenta na candidatura à conquista da Taça do Rei.

Reus Deportiu - No final da temporada 2010-11, o Reus proclamou-se campeão da OK Liga com um plantel curto mas de enorme potencial. Dessa equipa não sobra ninguém, apenas um treinador que teima em manter a equipa no lugar que é seu por direito, a Taça do Rei que, juntamente com a Taça CERS, são os títulos em que o Reus deposita as suas esperanças. Qualidade não lhes falta e depois da final que perdeu em Oviedo (2013) e da meia-final a penaltis de Lleida (2014) contra o mesmo rival, o Reus procura a sua oportunidade de se sagrar vencedor.

CE Vendrell – Volta o Campeão. Não queria falhar o encontro e conseguiu-o mesmo na última jornada da primeira volta, com a sua vitória em Igualada, depois de ter logrado cinco vitórias consecutivas neste sprint final antes de terminar a primeira volta, com um guarda-redes jovem e estreante entre os seniores e com o handicap de um jogador importante castigado, o Vendrell é o detentor do troféu e os cabeças de série preferiam certamente evitá-lo, devido à sua evolução e ao talento que grassa nas suas fileiras.

Sergi Miras, CE Vendrell

CP Voltregà, CP Cerceda e Alcoy - São as três equipas que deram um passo em frente e que, em princípio, pensam e sentem esta competição como uma recompensa por uma excelente primeira volta. No entanto, se uma dessas equipas for capaz de competir sem se sentir inferior e surpreender no primeiro jogo, as características deste torneio dão-lhe a possibilidade de crescer exponencialmente, pois a sua auto-estima aumentará e sabem que estarão a um passo de jogar uma final.

Não há equipas fáceis e, da mesma maneira que uma equipa grande corre o risco de que a pressão excessiva a faça jogar de forma desconfortável, o risco de uma equipa mais modesta é o de que enfrente os jogos com a mentalidade de perdedor e que ao menor contratempo atire a toalha ao chão, sem explorar todas as opções…

A Taça está apresentada. O hóquei espanhol está de parabéns, tem as melhores equipas, dispostas a dar espectáculo, e o hóquei em patins sairá certamente vencedor, ainda que só uma equipa levante a Taça como vencedor.

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