Notícia

Arnau, o terceiro capítulo

Dec 15, 2020

A goleada do Barcelona em Taradell no passado domingo marcou a estreia do guarda-redes Arnau Martinez, um jovem de 17 anos, mas com uma história de ligação familiar às balizas blaugrana com mais de 60 anos. #OkLiga

Foi sem dificuldade que o Barcelona venceu o Taradell no passado domingo, em jogo a contar para a 12ª jornada da OK Liga. A equipa de Edu Castro chegou a uma vantagem de sete golos sem resposta (Hélder Nunes e João Rodrigues marcaram um golo cada) a 4’43 do apito final e o técnico blaugrana promoveu a estreia de Arnau Martinez, com apenas 17 anos cumpridos em Julho. Uma estreia “apadrinhada” por Jacint Molera, a apontar o tento de honra dos anfitriões para o 1-7 final.

Arnau

Arnau Martinez chegou ao Barcelona em 2015, proveniente do Sant Just (onde começou), e rapidamente se tornou uma referência dos escalões de formação blaugrana. Desde cedo com uma envergadura incomum para a sua idade, destaca-se pelo posicionamento e tranquilidade com que enfrenta os atacantes contrários entre os postes.

Arnau, tendo como principal concorrente de geração o português “Xano” Edo (exactamente dois anos e um dia mais velho), é apontado à sucessão do lendário Egurrola, quando este se fartar de coleccionar títulos. O que não parece estar para breve…).

Para este jogo em Taradell, Sergi Fernandez teve de ficar em isolamento profiláctico e o jovem guarda-redes da equipa “B” blaugrana foi chamado. Ironicamente, rendeu o mítico Aitor Egurrola que, 22 anos antes, “roubara” o lugar ao pai, Jordi Martinez.

Tino

O pai de Arnau, Jordi Martinez (“Tino”), chegou ao Barcelona em 1985 para cumprir cinco anos nos escalões de formação. Saiu para regressar em 1994, para a equipa principal de um Barça dirigido por “Quico” Aimar e com Juan Ramón de Moya como dono da baliza. Um ano depois, chegou Carles Figueroa. Com um tal de Carles Folguera na bagagem.

“Reza a lenda” que, em 1998, para um jogo na Corunha, Folguera estava indisponível, por lesão. Quando toda a gente esperava que Tino ocupasse o seu lugar, Figueroa decidiu-se pelo “júnior” Aitor Egurrola. No defeso seguinte, Aitor foi promovido e Tino saiu, com um palmarés de quatro Ligas Catalãs, três OK Ligas, uma Liga Europeia, uma Taça Continental e uma Taça Intercontinental ganhas.

Tino regressaria para mais triunfos, como delegado – quando o seu ex-colega de baliza, Folguera, era treinador de guarda-redes -, entre 2011 e 2015, já com a baliza dividida entre Egurrola e Sergi Fernandez, para muitos os dois melhores guarda-redes do Mundo.

Jaume

Sergi Fernandez chegou ao Barcelona em 2010 e, ao iniciar este ano a sua 11ª temporada tornou-se o segundo guarda-redes com mais anos na equipa principal dos blaugrana. Apenas atrás de Egurrola e passando Jaume Borrás. Avô de Arnau. Pai de Lourdes, a mãe de Arnau e mulher de Tino.

Numa altura em que não havia campeonato estatal em Espanha, em que não havia Liga Europeia, em que o Barcelona não dominava a modalidade (sim, já houve tal altura…), Jaume Borrás foi guarda-redes dos blaugrana entre 1959 e 1969.

Ao longo destas 10 temporadas, Jaume conquistou uma Taça do Rei e um Campeonato da Catalunha. O campeonato estatal só arrancou precisamente em 1969, no ano em que Jaume deixou o Barcelona, primeiro como División de Honor, mais tarde OK Liga. A Liga Europeia começara em 1965, mas os blaugrana só ganhariam o primeiro dos seus 22 títulos em 1973.

Jaume, falecido em 2014, já não veria o neto de blaugrana, mas a sua memória perpetua-se entre os postes. A história de Arnau Martínez Borrás está agora a começar…

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