Reportagem

Os jovens como base para o futuro (II)

Jan 29, 2015

E que jogadores interessam ao Barcelona? “Quando contratamos os jogadores têm 14 ou 15 anos. Para ser um ‘jogador Barça’ tem de ser um jogador com uma técnica já trabalhada por outros, um jogador técnico, com uma dose de intensidade alta e forte mentalmente. É difícil de encontrar. Primeiro fixas-te num jogador com bons fundamentos técnicos, e o ideal é que tenha uma excelente táctica individual, mas não há muitos”, lastima Eduard Castro, coordenador do hóquei formativo blaugrana.

Edu Castro

Luís Querido, jogador português actualmente no Barcelos, passou pela formação do Barcelona, onde se procura “polir em termos tácticos”, conforme Eduard Castro nos conta, exemplificando com pechas anteriores do possante defensor luso. ”Contratámo-lo e, depois de três meses aqui, disse-me ‘Edu, há sítios da pista por onde nunca tinha passado’. Era um jogador de trás. Rematador, bloqueador, forte… e nós não queremos especializar os jogadores a determinados lugares da pista, queremos é que em idade de formação saibam o que fazer em qualquer espaço. E o Luís nunca tinha passado por trás da baliza. Com o sistema de jogo que temos, que é peculiar, queremos que os jogadores tenham uma formação integral e depois que outros os especializem. Serão defesas, avançados, avançados exteriores… mas isso é depois“, assevera.

Se gostei? Adorei jogar naquele clube. Aprendi muito com todos eles, ganhei disciplina, responsabilidade, senti o que é a obrigação de ter que ganhar todos os jogos. Fez-me crescer como jogador mas também como pessoa. A minha relação com o Edu não era só de jogador/treinador, esteve sempre atento á minha evolução e ao que eu tinha de fazer para melhorar colectiva e individualmente. É um sábio do hóquei em patins que eu desconhecia!

Luís Querido, FC Barcelona (2009/10)

Ser jogador do Barcelona não são só privilégios. Acarreta muitos deveres e responsabilidades.

“Há alguns valores que, por vestires a camisola do Barça, são esperados. E defeitos também. O que temos de fazer é ensiná-los a viver com isso”, afirma. “Por vestires a camisola do Barça, vão logo ver-te como um prepotente e um jogador de 14 anos tem de saber que os outros vão olhar para ele assim. E a pressão para não ser visto assim é maior do que em qualquer outro clube”, desabafa. “Um jogador do Barça, quando chega ao Barça foi, normalmente, a figura da sua equipa e passou pouco tempo no banco… e aqui não é assim”, alerta.

Ser um jogador do Barcelona implica ter valores de “fair-play” e seguir determinadas regras. Mas o clube providencia tudo o que julga necessário, conforme nos dilucida Eduard Castro.

Nil Roca

“Os valores do desporto não estão isolados da sociedade. Se formas jogadores para que tenham um bom rendimento desportivo também os ajudas na sua formação integral. Preocupamo-nos com os estudos, com a vida pessoal – sem chegar aos detalhes que só interessam às revistas cor-de-rosa -, vigiamos o uso das redes sociais porque não é aceitável que saiam e tirem uma fotografia a beber cerveja… há um regulamento interno onde está tudo especificado. Se jogas aqui, preocupamo-nos que apertes a mão ao árbitro, adversários e treinadores quando o jogo acaba, aconteça o que acontecer, mas isso suponho que muita gente e muitos clubes também exijam. O que se passa é que temos regras especificas porque somos o Barça e temos uma lupa sobre nós mas também porque quando um jogador chega à OK Liga será isso que encontrará. Muitos chegam à OK Liga e o nosso compromisso é que saibam o que vão encontrar: não vão viajar de avião para os jogos fora, vão de autocarro, não vão ter nem um médico nem um fisioterapeuta à disposição, não vão ter material quando querem, como aqui. São privilégios que vão perder e têm de os aproveitar para serem melhores jogadores, desfrutando do que o clube lhes oferece”, conclui.

Luís Querido

E Luís Querido, ainda que só durante uma temporada, retirou o máximo possível. “Foi uma experiencia muito boa. O meu primeiro grande teste fora de casa, sem a família, apenas o meu hóquei... É um dos marcos dos quais me orgulho, poder jogar com aquela camisola vestida, jogar ao lado de jogadores como Borregán, David Paez, Reinaldo Mallea, Egurrola... Foi um sonho tornado realidade e que jamais esquecerei”, afirma, lembrando algumas pessoas em particular. “O meu treinador, Edu Castro, ensinou-me muito mas também me apoiou e ajudou sempre que precisei”, frisa.

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