Notícia

O treinador passa o jogador

Jul 05, 2021

Paulo Almeida foi, reconhecidamente, um dos melhores jogadores de sempre. Mas, como treinador de seniores femininos do Benfica, acaba de ultrapassar o número de campeonatos conquistado sobre os patins. #NacionalFeminino

Uma das figuras da conquista do octacampeonato de seniores femininos pelo Benfica é necessariamente Paulo Almeida, treinador das águias desde o início do projecto em 2012.

O treinador de 52 anos pendurou os patins em 2010, na Juventude de Viana, depois de ter representado Óquei de Barcelos, Benfica, Sporting e Parede. Apesar do convite para continuar em Viana, assumindo já funções de treinador, regressou a Lisboa depois de 11 anos no Minho para assumir um papel que, dizia-se, seria de director desportivo, mas que acabou por ser como adjunto de Luís Sénica quando o Benfica apostava em ter uma figura histórica na equipa técnica.

Internacional português, campeão do Mundo em 1991, 1993 e 2003, Paulo Almeida sagrou-se sete vezes campeão nacional enquanto jogador, cinco delas de águia ao peito, em 1991/92, 1993/94, 1994/95, 1996/97 e 1997/98 às ordens de Carlos Dantas. Antes fora campeão pelo Sporting (1987/88) e depois de uma saída com alguma controvérsia, quando as águias passavam uma crise financeira, seria campeão pelo Óquei de Barcelos (2000/01).

Sete títulos nacionais enquanto jogador que são agora ultrapassados enquanto treinador, sempre à frente da equipa feminina do Benfica.

A conquista do primeiro campeonato nacional de seniores feminino, em 2013, não deixou de surpreender no arranque no projecto. O Benfica venceu a fase final em igualdade pontual com o Turquel, apesar de dois empates e duas derrotas em 14 jogos desta decisiva fase. Depois, o domínio do Benfica foi avassalador.

Com sucessivos planteis recheados de talento individual, numa diferença abismal para as demais equipas, as águias venceram os títulos de 2013/14, 2014/15, 2015/16, 2016/17, 2017/18 e 2018/19 sem qualquer derrota. Em 2019, o Sporting entrou em cena. "Roubou" as gémeas Rita e Rute Lopes às águias e planeou o derrube da hegemonia encarnada. O Benfica venceu os dois duelos para o campeonato, mas com notórias dificuldades. A pandemia impediu que houve conclusão da prova.

Para a nova temporada, seis novas jogadoras integraram a equipa principal das águias, ao passo que as leoas consolidaram o seu grupo, agora liderado por Nuno Pinto, depois de apenas duas saídas.

O leão, mais coeso, mais equipa, poria fim a uma longa invencibilidade encarnada. E infligiria novo golpe já na final, voltando a vencer na Luz, ainda que nas grandes penalidades. A 25 minutos do fim do decisivo terceiro jogo registava-se uma igualdade a quatro. Mas as águias de Paulo Almeida voltariam a prevalecer.

Com pouco tempo para festejar, Paulo Almeida e o Benfica procuram já no próximo fim-de-semana a sua sétima Taça de Portugal de seniores femininos, reencontrando o Sporting na meia-final.

Se noutros "futebóis", um treinador do Benfica se arrisca a ganhar, para Paulo Almeida, sempre vencedor, o risco é de um desaire, mas também na "prova rainha", o técnico encarnado procurará superar o pecúlio enquanto jogador, quando conquistou uma Taça pelo Sporting (1989/90), três pelo Benfica (1990/91, 1993/94 e 1994/95) e duas pelo Óquei de Barcelos (2002/03 e 2003/04).

Inline content
Ficha Técnica
Estatuto Editorial
Contacte-nos
BackOffice
Política de Privacidade