Notícia

Girão e Nicolia: fome de vencer e vontade de ganhar

Mar 11, 2022

São das mais marcantes figuras dos últimos anos, alvos de ódios e paixões. Há rumores de uma 'união' entre Girão e Nicolia, a terminar oito épocas de rivalidade com as cores de Sporting e Benfica. Para já, este sábado, voltam a defrontar-se. #Mercado

Há umas semanas que o rumor de Carlos Nicolia poder rumar ao Sporting vai sendo badalado nos sempre "ruidosos" bastidores do Hóquei em Patins. O internacional argentino (com nacionalidade portuguesa) termina contrato com as águias e, realizando uma excelente temporada, o interesse leonino, onde estão os compatriotas Gonzalo Romero e Matías Platero, surgirá com naturalidade.

Nas conversas de bastidores, uma eventual "transferência" de Nicolia poderia esbarrar numa "nega" de Ângelo Girão, capitão leonino. Mas, na hora de olhar para o primordial objectivo de vitórias e conquistas, a rivalidade entre os dois jogadores seria seguramente ultrapassada. Porque, mais do que ferozes rivais, Girão e Nicolia são unidos numa transcendental vontade de vencer. E estão sempre mais perto de vencer se tiverem os melhores nas suas equipas...

A rivalidade na Segunda Circular

Carlos Nicolia nasceu na capital do Hóquei em Patins argentino (quiçá, mundial), em San Juan, em 1986. Três anos volvidos, Ângelo Girão nascia no Porto. Em 2014, rumavam ambos a Lisboa.

Nicolia chegou dos italianos do Valdagno, onde esteve sete temporadas e conquistou três vezes o "scudetto", tornando-se um ídolo local. Na bagagem para a capital portuguesa, trazia as chaves da cidade. Girão chegou ao Sporting como inesperado campeão pelo Valongo, logrando contrariar o domínio de Porto, que conquistara 13 dos 15 campeonatos anteriores, e a ascensão do Benfica, que - já com Nicolia - conquistaria os dois seguintes.

Com o argentino, o Benfica conquistou esses dois campeonatos nacionais, em 2015 e 2016. Com o português, o Sporting venceu os títulos em 2018 e 2021. De águia ao peito, Nicolia ganhou uma Taça de Portugal, em 2015, numa final frente ao Sporting. De leão ao peito, Girão ganhou uma Supertaça António Livramento nesse mesmo ano, na decisão com o Benfica. De novo numa final entre os "velhos rivais", o Benfica venceria uma Taça 1947.

Entre as acusações de simulações a Nicolia e as de reacções intempestivas a Girão, "venha o Diabo e escolha"... Mas o talento de ambos e a sua influência nas conquistas nos últimos oito anos é inegável. Conquistas que não se ficam por este país à beira-mar plantado.

Pelo Sporting, Girão ganhou uma Taça CERS em 2015 e, nos dois últimos anos em que houve competições europeias até ao fim (2019 e 2021), venceu a Liga Europeia e a Taça Continental. Pelo Benfica, Nicolia não teve "oportunidade" de lutar pela CERS, e venceu "apenas" uma Liga Europeia (2016) e uma Taça Continental (2016). Juntou-lhes a Taça Intercontinental (2017) que escapou a Girão em Dezembro último.

Desde que Girão e Nicolia chegaram à Segunda Circular houve 24 duelos, contando com dois embates na Elite Cup - erguendo o troféu o Sporting em 2016 e o Benfica em 2017 - antes da prova ser oficial.

Com os leões como anfitriões - entre Livramento, Alverca e João Rocha - houve seis embates, com três vitórias das águias e três empates. Isto é, sem qualquer vitória do Sporting. Bem, houve uma, na meia-final da Liga Europeia, em 2019, mas aí o João Rocha era considerado terreno neutro.

Contando com este, são 10 jogos em pista neutra, com equilíbrio - considerando os regulamentares 50 minutos - de quatro vitórias do Benfica, quatro do Sporting e dois empates. Mesmo nas igualdades, ambas na pretérita temporada, o desempate foi repartido. Nas grandes penalidades, o Benfica ganhou a Taça 1947 e o Sporting o apuramento para a final da Liga Europeia, que viria a vencer.

Na Luz, houve oito duelos, em que os encarnados levaram a melhor em cinco, havendo um empate e duas vitórias leoninas, a última das quais em Janeiro de 2019.

Vindo numa série de três jogos sem ganhar na Luz, as perspectivas olhando para os jogos da Taça de Portugal também não são animadoras para os leões na sua deslocação este sábado, para os quartos-de-final da presente edição da "prova rainha".

Com Nicolia e Girão, os rivais defrontaram-se três vezes, sempre na Final Four e sempre com vitória das águias. Em 2015, na final, o Benfica venceu por 3-0 em Vila Franca de Xira. Depois, em meias-finais, os encarnados venceram por 7-3 em Ponte de Lima (2015) e em Oliveira de Azeméis (2019). Nestas três partidas para a Taça, Nicolia apontou cinco golos.

A rivalidade planetária

A rivalidade que Girão e Nicolia protagonizam não é só de leão e águia ao peito. E ganha outra dimensão quando está em jogo o Campeonato do Mundo com as cores das respectivas selecções

Carlos Nicolia marca presença em Mundiais desde 2007, ao passo que Ângelo Girão só "chegou" em 2013. Mas estão empatados em títulos, com um para cada um. De resto, desde que a rivalidade de Girão e Nicolia tem o Mundial como palco, até foi a Espanha que sorriu mais vezes, com dois triunfos.

Em 2013, em Luanda, Portugal e Argentina encontraram-se nas meias-finais, num jogo sem golos no tempo regulamentar. Nicolia resolveu, de livre directo, quando ainda havia golo de ouro, no prolongamento.

Nicolía levou a melhor em França, em 2015...

Em 2015, em La Roche-Sur-Yon, voltou a sorrir - e de que maneira - Nicolia. Novamente em duelo nas meias-finais, o atacante contribuiu com dois golos, ambos de livre directo, no triunfo por 5-2 que valeu o apuramento para a final. E a Argentina conquistaria o ouro.

Em 2017, em Nanjing, a sina parecia continuar favorável à "albiceleste". Ainda na fase de grupos, Nicolia marcou um golo na derrota lusa na primeira fase (5-2), mas Girão vingou-se ao "fechar a porta" nas meias-finais, num 0-5 a favor dos portugueses. E tudo mudou.

Portugal de Girão voltaria a vencer a Argentina de Nicolia, então para a Taça das Nações, em 2019, por 3-5, sem golos de Nicolia.

... e Girão levou a melhor em Barcelona, em 2019.

No mesmo ano, mas no Mundial em Barcelona, Nicolia voltou a não conseguir bater Girão num duelo na fase de grupos que terminaria com um empate a uma bola. E, na final, Girão fechou completamente a porta. Num jogo praticamente de sentido único, nem Nicolia, nem qualquer outro lograram desfeitear o guardião luso, elevado a herói nacional quando Portugal triunfou nas grandes penalidades. Na lotaria, Girão só sofreu um golo. De Nicolia.

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