Entrevista

Rui Carvalho e as ideias da ANACP

Apr 21, 2015

No passado dia 28 de Março, em paralelo com a realização do Inter-Regiões, decorreram no Luso as Assembleias Gerais da Federação de Patinagem de Portugal (FPP) onde, entre outros temas da ordem de trabalhos, se assinou um protocolo com a Associação Nacional de Clubes de Patinagens (ANACP).

O HóqueiPT esteve à conversa com o presidente da Direcção da ANAHP, Rui Carvalho, para conhecer um pouco desta associação e das medidas já tomadas e propostas para o futuro, como o All Star Game, que integrará o calendário oficial da FPP já em 2015/16.

O que é afinal a ANACP?

“A Associação Nacional de Clubes de Patinagem surge em 2009 com um vazio que existia na lei. Existiam associações de patinagem, associações de treinadores, associações de árbitros e de atletas e não havia associações de clubes”, conta Rui Carvalho ao HóquePT.

“Quando saiu a nova lei de bases do desporto, havia este vazio que era preciso colmatar. Na altura, o presidente do Sobreira - foi ele que iniciou o processo - fez uma série de reuniões com vários clubes, até que se criou um grupo restrito de clubes que fundaram a Associação com ele. Sobreira, Porto, Famalicense, Limianos, Paço de Rei e Fão", enumera.

“Ao abrigo da nova lei de bases do desporto, a ANACP passou a ter representação nas assembleias da FPP com 35% dos votos, 21 delegados. E a Associação começou a crescer”, afirma Rui Carvalho.

Vantagens da ANACP

“Para se ser clube tenho de ser obrigatoriamente filiado numa Associação de Patinagem. Na ANACP não. Só é sócio quem quer. É para quem quer trabalhar em prol da modalidade ou ter uma participação mais activa ou ter opinião”, sublinha.

“Não é uma questão de mais-valia. É um meio facilitador. A qualquer altura, qualquer clube me liga a perguntar porque é que tem de ter policiamento, por exemplo. Como somos um organismo mais pequeno em relação à máquina pesada que é a FPP, temos uma resposta mais célere”, exemplifica.

Naturalmente, há uma quota que é paga pelos associados mas é uma quantia praticamente simbólica. “Os clubes pagam 100 euros por ano. Não chega a 10 euros por mês. Foi decidido com base no valor que os clubes fundadores pagaram para fazer a escritura do processo inicial”, aclara.

Há muitas ideias. “A maior dificuldade é implementar”, nota. “As decisões são tomadas, são concertadas, mas depois a implementação demora muito tempo. Não temos de ser impulsivos, as coisas têm de ser estruturadas, mas há medidas que demoram muito tempo a ser implementadas…”, lamenta, apostado em fazer cada vez mais em prol da modalidade e lembrando algumas medidas postas em prática que foram propostas pela ANACP. “Foi a ANACP, juntamente com a FPP, que permitiu o abaixamento das taxas da I e II Divisão e sabe porque é que temos muitos jovens a praticar na I Divisão? Porque a ANACP propôs que até aos 23 anos não se pagassem transferências”, informa orgulhoso.

O “Dia do Guarda-Redes” como veículo mediático

“Percebemos que tínhamos de crescer. E aí precisávamos de mediatização. Como, por exemplo, com o ‘Dia do Guarda-Redes’. Hoje as pessoas ligam para saber quando é a próxima edição, porque é uma coisa gira, as pessoas gostaram... Alguma vez um miúdo de Oliveira do Hospital ia ser treinado pelo Edo Bosch? Identificámos várias lacunas e esta era uma delas”, frisa. “Temos facilidade, enquanto Associação, de poder juntar os clubes em prol de acções destas, enquanto a própria FPP pode não conseguir ou é mais difícil”, explica-nos.

“Juntamos os melhores guarda-redes nacionais dos nossos associados e eles dão uma aula aos miúdos durante uma tarde. No primeiro ano, em Valongo, tivemos Edo Bosch, Nelson Filipe, Ângelo Girão, Diogo Sampaio, Leonardo Pais e o senhor Caldas, treinador do Girão na altura. A segunda edição foi em Coimbra, e aí juntámos Ângelo Girão, Zé Diogo, Leonardo Pais, Jorge Correia e, mais uma vez, o sr. Caldas”, relembra.

“No Sul ainda não está certo. Estamos á espera da planificação da próxima época. Queremos marcar na primeira ou segunda semana de Setembro mas estamos dependentes da planificação. Em princípio, será em Setúbal, para abranger toda a Margem Sul e apanhar também Alentejo, Lisboa, até Turquel”, justifica. “Gostávamos de juntar Girão, Zé Diogo, Trabal, Pedro Henriques e talvez o Diogo Fernandes, júnior do Benfica”, ambiciona o presidente da ANACP, a quem as ideias não se esgotam nos guardiões.

“Identificámos uma série de acções que deviam ser feitas para colmatar e promover. Como elas não existem actualmente, será fácil as pessoas aderirem. Quando idealizámos o ‘Dia do Guarda-Redes’, idealizámos também o ‘Dia do Artista’. Juntar, por exemplo, Nicolía, Alvarinho, Hélder Nunes, Reinaldo Ventura e Gonçalo Alves. Mas ainda não sabemos como concretizar, porque vêm três ou quatro jogadores da I Divisão que fazem umas coisas fora do normal, mas ao fim de meia hora está explicado”, divaga, em busca de uma solução para concretizar o seu sonho.

Formação contínua para treinadores

Os treinadores não são esquecidos pela ANACP. “Finalizámos a semana passada a creditação para treinadores. Teremos uma formação contínua a nível nacional que se desenvolverá simultaneamente em Famalicão e na zona de Lisboa a 5 de Setembro e que será sobre modelos de jogo nos escalões de formação. Tem a validade de um crédito, conseguido em parceria com a Direcção Técnica Nacional, que nos tratou da parte da creditação - e é preciso ressalvar esse trabalho que o professor Luís Sénica teve”, reconhece, agradecido.

“Os treinadores têm de fazer 10 créditos até 2017 ou 2018 – dependendo de algumas especificidades - e esta é a primeira formação, mas irão existir várias. Cada formação conta um crédito ou menos - para um crédito são 5 horas – e os treinadores têm de estar cientes disso ou perdem a carteira”, avisa.

Os treinadores que irão ministrar a formação já estão definidos. Serão Vítor Silva (HC Braga), Paulo Freitas (OC Barcelos) e Paulo Pereira (AD Valongo) a Norte e Pedro Nunes (SL Benfica), João Simões (HC Turquel) e João Baltazar (Sporting CP) a Sul.

“Outra formação que vamos fazer será no dia e local da Supertaça. Iremos juntar um treinador e um árbitro e a formação versará sobre a relação entre treinadores e arbitragem, com os pontos de vista de um e outro”, anuncia Rui Carvalho, desvendando ainda outra.

“Queremos fazer outra, mas sem creditação e não se pode dizer que seja mesmo formação. Será para dirigentes. Como hão-de estar, o que têm de fazer, como se preenche um boletim de jogo... Não é só estar no banco e ir buscar água. Muitos directores, delegados e seccionistas estão lá só porque o filho joga na equipa, mas não sabem o que fazer... vão buscar coletes e águas e depois nos jogos é preciso qualquer coisa e não sabem. E também é preciso que os dirigentes saibam qual é o seu papel no jogo e no dia-a-dia das equipas”, constata.

Desenvolvimento do Mini-Hóquei

Outro dos desafios que a ANACP se propõe superar é o da implementação do Mini-Hóquei.

“A FPP fez o repto às associações para organizarem e participarem na realização de um encontro nacional de Mini-Hóquei. Nós aceitámos e tratámos de tudo. Quer dizer, arranjámos aquilo que era necessário”, elucida. “Será um dia inteiro, a 11 de Julho, em Vila Nova de Poiares. Os moldes e a parte técnica serão decididos pela Direcção Técnica Nacional (DTN). Não temos ainda presente como é que funcionará. O que interessava era marcar data e local. Tendo isso, o resto resolve-se. Será aberto a todos os atletas, gratuito para os federados, sendo que os não-federados terão de pagar apenas uma verba relacionada com o seguro feito para o dia”, detalha, defendendo acerrimamente a ideia do Mini-Hóquei.

“Nós criámos o Mini-Hóquei, exportámos a ideia para Espanha e Itália e eles já estão a aplicar e nós ainda estamos aqui na dúvida como o vamos aplicar”, lamenta. “No meu entender, o objectivo do Mini-Hóquei é que os miúdos joguem. E gostem. Eu quando era miúdo, comecei a patinar aos quatro anos e só peguei num stick aos nove. Qualquer miúdo agora, com três, quatro anos, se ao fim de duas semanas a patinar não lhe derem uma bola e um stick, vai-se embora. O Mini-Hóquei resolve em parte esse problema e não é difícil de implementar”, garante, fundamentando com o caso prático que protagonizou no Sobreira. “Com 50 euros fomos buscar 5 paletes, daquelas paletes rígidas que nem servem para reciclagem, cortámos a meio e fizemos umas tabelas. Claro que tem custos - de arranjar balizas, material para os miúdos - mas o Mini-Hóquei tem de se implementar. O quanto antes”, alerta.

Nas palavras e no entusiasmo de Rui Carvalho até passa um pouco a imagem de que a FPP tem as ideias e a ANACP “arregaça as mangas” para as pôr em prática. Mas o presidente recusa essa ideia. “Não podemos dizer isso. Eu sou a favor do Mini-Hóquei mas não tenho como o implementar. A ANACP não organiza provas. O que fazemos é aconselhar os nossos clubes associados a implementar e a tomar medidas e a realizar eventos de Mini-Hóquei. Agora, tomamos é o partido da FPP neste aspecto para implementar isto o quanto antes”, esclarece, lembrando que o protocolo assinado é sinónimo de cooperação mútua.

“Assinámos hoje o contrato-programa de desenvolvimento desportivo com a FPP. É o reconhecimento do trabalho que temos vindo a desenvolver. Não íamos deixar de fazer as actividades que temos programadas mas assim temos uma pequena ajuda da FPP através do contrato. Ajuda a pagar algumas despesas que a ANACP suportava. Mas isso também nos traz mais responsabilidade”, assevera.

Um All Star para fechar a época em festa

Uma das propostas que certamente terá mais visibilidade para o público em geral é a realização de um All Star, já realizado pontualmente em épocas anteriores mas sem carácter oficial.

“O All Star Game foi uma proposta que já vínhamos a cozinhar há uns tempos. Só que nos faltava perceber como haveríamos de fazer regulamentação em si e definir critérios. Enviámos o regulamento uma semana antes para as Associações e apresentámos na Assembleia”, revela.

“Fizemos o regulamento, pedimos à Direcção Técnica Nacional que o avaliasse, se estava tudo conforme e, embora não estivesse na ordem de trabalhos, pedimos na Assembleia para se debater o assunto para o All Star ser incluído no planeamento para a próxima época. Será o encerramento da época. Queremos criar um momento de descontracção e reconhecimento com os melhores, masculinos e femininos”, deseja, passando a explicar os moldes de selecção para o evento que deverá contar com um jogo masculino e outro feminino.

“Serão escolhidos 20 jogadores para cada jogo. Quatro guarda-redes e 16 jogadores de pista. Cada treinador da I Divisão será convidado a indicar três árbitros, dois treinadores e um guarda-redes e quatro jogadores, tipo cinco ideal, e iremos colocar no nosso site uma plataforma para o público fazer também as suas escolhas, como se fosse um treinador. Recolhidos todos esses votos (dos 14 treinadores e do público), serão escolhidos os 40 jogadores”, expõe, revelando mais detalhes.

Por exemplo, como serão constituídas as equipas? “Fácil”, diz confiante. “Quando anunciarmos os 40 nomes escolhidos mais os oito treinadores e os três árbitros, faremos o sorteio puro da constituição das equipas e dos treinadores de cada equipa”, elucida.

Este All Star parte da vontade de organizar um grande evento. “Pedimos para organizar uma Final Four mas não foi possível porque tem de ser feito pelas Associações de Patinagem”, conforma-se, sem no entanto baixar os braços. “Queremos organizar uma coisa que tenha impacto. E acreditamos que o All Star é uma coisa que vai ter impacto. A base são os jogosmas também vamos ter interacção com o público, vamos ter as balizas com três ou quatro buraquinhos para se sortear alguém para ir ao rinque tentar meter a bola lá dentro. Nesse dia queremos fazer de manhã um Mini-Hóquei para os miúdos e que fiquem para o jogo da tarde. E ter um concurso de livres directos ou falar com o laboratório de bio-mecânica para ver quem é que tem o remate mais forte. Mas que vá à baliza, atenção”, graceja.

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