Opinião

O último grito de Reinaldo Ventura

May 02, 2015
Marc Libiano

Marc Libiano Pijoan, jornalista desportivo actualmente no Diário de Tarragona. Apaixonado pelo desporto em geral e pelo hóquei em particular.

Reinaldo Ventura (Carvalhos, 1978) sempre me impressionou, uma pessoa peculiar a olho nu.

Em algumas ocasiões dá a impressão de andar um pouco acima do peso, mas nunca ninguém discutiu o seu Status. Membro fiel da velha escola portuguesa, aglutina todas as condições de um atacante virtuoso. Patina com elegância, remata dos dois lados com precisão e possuí dotes desequilibradores no um para um. É poderoso no primeiro passo. A potência distingue-o em cada arranque. Ventura acrescenta outra qualidade indispensável ao hóquei actual. Exibe eficácia nos nas bolas paradas.

Reinaldo apresentou a sua cabeça rapada na equipa principal dos dragões em finais dos anos 90, como produto da formação. Desde os infantis completou todo o percurso na Academia do FC Porto. Desde então a lenda construíu-se com mérito. Aguentou a pressão de um gigante Europeu e tornou-se um mito. Agora completa a sua última viagem. Neste verão deixará o clube da sua vida depois de 20 anos transmitindo ensinamentos.

Tive oportunidade de cumprimentar o Reinaldo em 2010, na antevisão de um Clássico e graças ao Pedro Gil que naquele dia fez o papel de anfitrião. O FC Porto de Franklim Pais, com os eternos Filipe Santos e Joan Ignasi Edo como guias quase espirituais, concentravam-se horas antes do grande jogo com o Benfica num clube de ténis próximo do pavilhão. Perseguia o decacampeonato que conseguiu anos depois. Os dragões dominavam com solvência o campeonato luso. Lembro-me especialmente daquele Clássico pelo que Ventura e Pedro Gil eram capazes de gerar e transmitir a um pavilhão cheio e embalado. Tinham de sobra personalidade e carisma para assumir responsabilidades. Ganhou o Porto por 5-2. Os “carecas” da equipa repartiram os golos e o protagonismo. Os fãs adoravam cada um dos seus movimentos.

O desporto caprichoso quis que o histórico Porto decacampeão em casa não pudesse brilhar na Europa. Ficou uma questão pendente: a Champions. A equipa que sempre foi acusada de excesso de anarquia. Tacticamente não transmitia segurança. Talvez por isso sempre morresse às portas do título. Ventura exemplifica bem essa frustração. Presente em cinco finais, porém sem nunca poder festejar.

Este fim de semana, em Bassano, o capitão dos dragões disputa a sua última oportunidade. O Porto volta a estar nos quatro eleitos do continente. E existe o sentimento que o Hóquei deve uma Champions ao imponente Ventura.

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