Notícia

João Meireles é vice-campeão em Espanha

May 19, 2015

Fotos: ABC de Sevilla

Quando se fala de hóquei em patins, Sevilha não será propriamente o primeiro sitio que vem à cabeça.

No campeonato de Espanha de “alevins” (escalão com jovens atletas de segundo ano de infantis e primeiro de iniciados), os sevilhanos do Irlandesas fizeram um brilharete, conseguindo o vice-campeonato. E grande parte do mérito é português.

João Meireles chegou em 2008 a Sevilha para jogar no Claret, com a remuneração a ser assegurada através de actividades extracurriculares de patinagem e hóquei em patins. O Irlandesas surgiu entretanto e João Meireles fez parte praticamente desde a fundação. “Inicialmente só dava treinos mas, à medida que o número de equipas foi aumentando, tivemos a necessidade de criar um posto de Coordenador Desportivo. E ocupei também essa função”, conta ao HóqueiPT.

O Club Patin Irlandesas conta apenas oito anos de história. Na Andaluzia existem apenas oito clubes, contra mais de 150 na Catalunha.

A qualidade da formação espanhola é reconhecida. Como será visto o “dedo” português? “Não tenho tido problemas relativamente à nacionalidade”, refere, apontando a maior dificuldade no seu trabalho. “O grande problema que temos tido é o facto do clube se encontrar no ‘deserto’ do hóquei em patins espanhol, um pouco como o que se passa no sul de Portugal”, lamenta.

O trabalho do João tem muito mérito.

Carlos Feriche, coordenador técnico da RFEP

E o seu mérito é reconhecido. “O trabalho do João tem muito mérito”, afirma Carlos Feriche, treinador pentacampeão mundial ao HóqueiPT, justificando. “Numa zona sem hóquei, o seu trabalho e esforço é louvável”, prossegue, deixando umas palavras à sua equipa. “É uma equipa com muita qualidade, de bom nível e com adeptos entusiastas”, enaltece. “Só tenho palavras de elogio”, resume.

O campeonato

O Irlandesas chegou à decisão do campeonato como melhor equipa da Andaluzia. Numa final a oito, dividida em dois grupos de quatro equipas, perdeu contra aquele que seria o seu adversário da final (5-2) mas venceu os galegos do Compañia de Maria (com muita tradição na formação) por 6-2 e o Mundaiz por 5-2, apurando-se para as meias-finais. Nas meias-finais venceu o Cadi, campeão catalão, por 0-2, chegando à final.

Num jogo em que teve quase sempre a iniciativa do jogo e muito mais oportunidades que o seu conceituado adversário - HC Sentmenat, vice-campeão da Catalunha -, a equipa de João Meireles “caiu” no golo de ouro, a 20 segundos do final do prolongamento, num livre directo a castigar a 15ª falta.

O 3-2 final e toda a prestação na prova não deixaram ninguém indiferente. “Alguns dos representantes da RFEP [ndr: Federação Espanhola de Patinagem] consideraram este resultado um milagre, não só por termos alcançado a final ganhando ao campeão da Catalunha, mas também pelo contexto onde este clube está inserido”, orgulha-se João Meireles.

Filho de peixe

João Meireles é filho do ex-seleccionador português de juvenis e juniores dos anos 90, João Manuel Alves Meireles que já tinha espirito de impulsionador do hóquei em patins, tendo coordenado o, na altura, ainda desconhecido Candelária no Pico entre 1998 e 2000.

Num momento de reconhecimento do seu trabalho, o filho João fez questão de deixar umas palavras ao pai João. “Não podia deixar de dar um agradecimento eterno e especial ao meu pai por todos os conhecimentos que me vem transmitindo, desde o dia em que calcei pela primeira vez os patins, até aos dias de hoje”, agradece com emoção.

Mundialista

Longe da ribalta da modalidade no seu trabalho diário, João Meireles vai estar entre os grandes no próximo mês de Junho. O português é desde Fevereiro seleccionador austríaco. “Há dois anos tive o primeiro contacto com o RHC Wolfurt e, por intermédio deste, a Federação Austríaca abordou-me este ano para saber a viabilidade da minha nomeação para seleccionador sénior”, explica.

A Áustria está integrada no Grupo C com Alemanha, Brasil e… Portugal.

Não podendo aspirar a grandes resultados, a prova será um passo importante de aprendizagem para os austríacos. “Já começamos a trabalhar”, refere. “Em Junho temos o terceiro mini-estágio e confesso que a vontade que eles têm demonstrado em aprender, e a motivação e intensidade com que trabalham nos treinos, é muito agradável para mim como treinador”, congratula-se.

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