Opinião

Sociedade de sucesso

Nov 26, 2015
Marc Libiano

Marc Libiano Pijoan, jornalista desportivo actualmente no Diário de Tarragona. Apaixonado pelo desporto em geral e pelo hóquei em particular.

A vertigem do fitness uniu Guillem Cabestany e Carles López. No “Equipa 4” de Sant Sadurní, propriedade do treinador, Carles exercia a função de especialista em preparação física. Em 2003 começou uma história quase idílica.

Os dois protagonistas partilham a mesma paixão. Licenciados no INEF em Preparação Física, devoram conceitos sobre coesão de grupo e o trabalho em equipa. Por isso rapidamente encaixaram. Carles, conhecido por “Lau” no mundo do stick, tornou-se o “Prof” do Noia na temporada de 2009/10. Naquela equipa jogava Cabestany, ainda que na sua última época. Na sua última viagem sobre os patins.

As experiências distintas consolidaram uma relação que em pouco tempo se iria associar ao êxito. Em 2010, Cabestany iniciou a sua aventura como treinador graças à oportunidade que o Moritz Vendrell lhe ofereceu. E com ele levou López, e não apenas como preparador físico. Sempre foi o seu braço direito.

No Vendrell os registos falam por si. Quatro épocas cheias de sorrisos e títulos. A sociedade técnica pôs o clube na primeira linha do hóquei europeu. Duas Taças do Rei, uma CERS e uma meia-final da Liga Europeia completam a sua lista de argumentos. Não se tratam de simples razões. Cabestany e López foram pioneiros numa entidade sem história internacional.

Cabestany e "Lau", na meia-final da Liga Europeia em 2014, com o FC Porto como adversário

Em Junho de 2014, a sintonia mágica teve de separar-se. Cabestany colocou-se na melhor montra do mercado. O seu nome ligou-se a grandes potências do continente, ainda que tenha precisado de um passo prévio por Itália. Foi contratado pelo Breganze.

Por outro lado, Carles foi para Reus. Em Itália, Guillem transferiu o seu método, e não apenas os seus hábitos profissionais, para outro clube. Deixou pegada. O seu trabalho, 24 horas dedicado ao Breganze, não deu apenas frutos na estrutura desportiva. A equipa levantou a Taça e alcançou a semifinal da Liga Europeia. O mérito do técnico ecoou no Dragão Caixa.

O FC Porto contratou-o este Verão com o desafio de conquistar a Europa. Existe um certo vazio no clube em relação à competição fetiche, ao título mais desejado. Os “dragões” ficam às portas do êxito há uma eternidade. Cabestany virou-se para Reus para convencer Carles López. Este nem pestanejou. O FC Porto é, provavelmente, o sonho de qualquer treinador. Os dois partilham as horas nas entranhas do Dragão Caixa, analisando vídeos, treinando de forma personalizada com cada um dos seus jogadores, reforçando o trabalho colectivo... Diz-se que no gabinete dos técnicos não há tréguas. Apenas meia hora para comer junto ao pavilhão. E pouco mais.

Cabestany, já com as cores do Porto

Os catalães orientam um plantel jovem, mas de grande talento. O bloco é composto por ex-campeões do Mundo de Sub-20 como Gonçalo Alves, Hélder Nunes, Telmo Pinto ou Rafa. Para além disso, regressou o ex-blaugrana Reinaldo Garcia, e mantém-se no grupo excelentes avançados como Vitor Hugo ou Jorge Silva. A baliza continua a pertencer ao incombustível Edo, ainda que bem secundado por Nélson Filipe. Ou seja, ingredientes notáveis para construir uma equipa poderosa. Entre eles, Cabestany e López.

Poucos tem dúvidas que conseguirão.

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