O meu jogo

«Era pactuar com uma enorme injustiça»

Dec 08, 2015
Sandro Abreu de Freitas

Foto de capa: Página do Facebook de Sandro Freitas

Sandro Filipe Abreu de Freitas é um nome que não suscitará qualquer reacção ao comum adepto de hóquei em patins. Mas o jogador do Club Sport Marítimo ganhou esta segunda-feira um lugar no panteão dos heróis do hóquei em patins. Como? Foi honesto…

Faltavam jogar cerca de dois minutos do tempo regulamentar do jogo da 1ª eliminatória da Taça de Portugal que colocou em confronto a Associação Desportiva Juventude Vila Praia e o Club Sport Marítimo. Com o marcador a registar uma igualdade a sete, fruto de um jogo empolgante entre primeiro e segundo classificados da Zona Norte da III Divisão, o árbitro apitou golo do Marítimo. Mas Sandro disse que não era…

“Os meus colegas julgaram que tinha sido golo”, conta ao HóqueiPT. “Eu era o único jogador da minha equipa que estava em posição privilegiada no dito lance e a bola não entrou”, garante. “Expliquei ao Nuno Silva, nosso capitão e responsável no jogo pelo grupo, junto à mesa de jogo e na presença do árbitro, que a bola efectivamente não chegou a entrar”, relata.

Sandro Freitas elegeu para a camisola o número 19. Não só é o seu dia de anos (em Junho), como o da mulher (em Fevereiro).

A honesta atitude do jogador nascido há 30 anos no Funchal tem ainda mais valor quando era a oportunidade de se “vingar” de outras situações em que se considerou injustiçado. “Esta época já fomos prejudicados várias vezes com golos invalidados, quando em todos esses casos a bola entrou mesmo”, afirma, deixando um exemplo que vai pesando na classificação. “Aconteceu na nossa única derrota para o campeonato, em Fânzeres”, recorda.

Mas, numa alegoria do subconsciente que se celebrizou nos desenhos animados, o “anjinho” levou a melhor sobre o “diabinho”. “Naquele momento não quis que aquele ‘golo’ manchasse a nossa dignidade. Estava a ver as duas equipas a darem tudo pela vitória e celebrar aquele ‘golo’ era pactuar com uma enorme injustiça”, explica-nos.

E o valor da vitória? “Detesto perder, quem me conhece sabe perfeitamente o meu feitio”, vinca. No entanto… “Foi um jogo de dificuldade máxima para todos os intervenientes do jogo: jogadores; equipas técnicas e árbitro”, reitera, sublinhando que não merecia ser decidido assim.

Com o pseudo-golo “anulado”, o tempo regulamentar terminou com o empate a sete a subsistir. “O jogo arrastou-se para o prolongamento e a sorte sorriu ao Vila Praia”, lamenta. Com um golo de ouro, a equipa de Vila Praia de Âncora avança para a próxima eliminatória da prova rainha e afasta o Marítimo, que esteve lá com um pé. “Pedi desculpa ao grupo dentro do balneário, fazendo-lhes perceber que saímos com dignidade e carácter. Fomos enormes no jogo, na nossa entrega”, exulta o madeirense.

Sandro Freitas, que é coordenador desportivo na associação de solidariedade social CRIAMAR, deu o exemplo aos jovens que acompanha e deixa um desejo. “Que este acto sirva de exemplo para todos os desportistas, de todas as modalidades, sejam estas amadoras ou profissionais”, pede.

Inline content
Ficha Técnica
Estatuto Editorial
Contacte-nos
BackOffice
Política de Privacidade