Benfica procura fugir de registo negativo

O Benfica defronta esta segunda-feira o Óquei de Barcelos pressionado pela História, num mau arranque de campeonato e em risco de registar pela primeira vez quatro derrotas consecutivas.

Benfica procura fugir de registo negativo

Benfica e Óquei de Barcelos encontram-se esta segunda-feira na Luz com muito em jogo para as águias. É factual que nos dias que correm, face à decisão em play-off, na primeira fase pouco interessa além de ficar nos oito primeiros, mas o mau arranque de temporada está sob o escrutínio dos adeptos e da História.

O Óquei de Barcelos, brilhante vencedor da Elite Cup, chega à Luz no 4º lugar, tendo apenas perdido no Dragão Arena e no João Rocha, e está longe de ser o melhor adversário para os encarnados saírem da sua espiral negativa. O Benfica é 7º, com os mesmos nove pontos de Parede e Braga (8º e 9º, respectivamente), com três vitórias e quatro derrotas. Foi no "conforto" do lar que as águias registaram os seus três triunfos, mas o último compromisso caseiro, com o Tomar, terminou em derrota e com uma exibição confrangedora.

Pior arranque só há 37 anos

O Benfica, campeão pela última vez em 2016, vem de dois quartos lugares - com um campeonato, em que liderava, cancelado pelo meio pela pandemia -, numa classificação final que não era tão má desde a primeira temporada de Luís Sénica (2009/10), em que as águias foram quintas.

E o arranque nesta nova temporada, com investimento para a chegada de Pablo Alvarez e aposta em Nuno Resende, não podia ser pior.

"Não podia ser pior" será uma força de expressão, mas, de facto, está perto de ser literal. Considerando a valorização das vitórias com os actuais três pontos por vitória e as primeiras fases dos campeonatos desde que deixou de haver uma primeira fase dividida entre Norte e Sul, em 1981 (há 40 anos), só houve pior arranque na temporada de 1984/85. Na altura, quando emergia o Porto no panorama da modalidade, o Benfica registou duas vitórias, dois empates e três derrotas nos primeiros sete jogos. Oito pontos às contas de hoje, culminados - curiosamente - num Clássico com o Porto, então com um empate a dois.

Seguir-se-ia uma vitória caseira com o Famalicense, o que elevaria para 11 pontos em oito jornadas, registo que o Benfica da temporada em curso "ameaça".

Como no "ano da sobrevivência"

Sendo melhor que o arranque de 1984/85, o arranque deste ano encontra semelhanças com o de 2003/04, aquele que se seguiu ao que foi possivelmente o defeso mais negro da História. Mergulhado numa profunda crise económica, a agora secular secção encarnada esteve em sério risco de fechar portas. Saíram Vítor Fortunato, Ricardo Pereira, Filipe Gaidão, ''Panchito'' Velázquez e Alan Fernandes, ficando os guarda-redes José Carlos e André Azevedo e ainda Miguel Dantas, Mariano Velazquez e Rui Gamboa. A estes juntaram-se Carlos Godinho, Gonçalo Bernardino, Johe, Jorge Godinho e Ricardo Silva, jogadores que tinham passado pelos escalões de formação dos encarnados, para uma temporada em que o Benfica não "viveu", simplesmente sobreviveu...

Os primeiros sete jogos saldaram-se em quatro derroas e três vitórias, num início de temporada em que seis das partidas foram jogadas como visitante em virtude da indisponibilidade de pavilhão (em transição do "velho nº 1" para o novo Fidelidade). Seguiu-se uma derrota por 2-7 na recepção ao Porto, que evitará, seja qual for o desfecho do Clássico desta segunda-feira com o Óquei de Barcelos, que - pontualmente - este se torne o pior arranque de sempre.

Em 2003/04, o Benfica terminaria em 7º depois de ter sido "condenado" a disputar a fase de manutenção numa altura em que os seis primeiros discutiam o título entre si numa fase final.

Quarta derrota consecutiva

No entanto, pese a má temporada de 2003/04, há um registo negativo que está em risco de ser desde já "batido".

Desde que o Campeonato Nacional ficou sem uma primeira fase regional, há 40 anos, nunca o Benfica registou quatro derrotas consecutivas numa fase regular.

De resto, neste novo milénio, até na malfadada temporada de 2003/04, o máximo foram três derrotas consecutivas, agora igualadas com os desaires em Oliveira de Azeméis, na recepção ao Tomar e na deslocação ao Dragão Arena. Na última vez que tal acontecera, há mais de 17 anos, o Benfica perdera em Porto Santo e em Paço de Arcos e, pelo meio, na recepção ao Óquei de Barcelos...

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