Protesto sem (aparente) razão

O Benfica protestou o jogo da final da Taça de Portugal com base num alegado erro técnico no primeiro golo do Porto e faltou à entrega de medalhas. Mas o protesto do lance em causa não terá justificação.

Protesto sem (aparente) razão

Com apenas dois minutos e meio jogados na final da Taça de Portugal, após um remate de Gonçalo Alves, a bola subiu e o árbitro João Duarte assinalou o respectivo livre indirecto. Os jogadores de pista dos encarnados "pararam" e Gonçalo Alves recebeu a bola e arrancou para a baliza de Pedro Henriques, fazendo o primeiro golo num jogo que culminaria num resultado de 1-5 favorável aos dragões e na 18ª Taça de Portugal conquistada pelos azuis-e-brancos.

A "paragem" dos jogadores do Benfica e o seguimento do lance, deixou todos no Multiusos de Paredes confusos. Mesmo quem acompanhava pela televisão, com o lance a ser seguido apenas com uma câmara central - claramente insuficiente numa transmissão televisiva de uma final da Taça de Portugal - e sem direito a reclamações, não percebia porque tinha sido validado o golo sem a marcação da falta assinalada por João Duarte.

Tal poderia fundamentar o protesto do jogo pelos encarnados, que em comunicado refeririam "um erro técnico grave no primeiro golo do jogo", mas têm os encarnados hipótese de ganhar o protesto e eventualmente haver lugar à repetição do jogo? Dificilmente.

Falta marcada

Após conferência entre o árbitro lisboeta e o minhoto Pedro Figueiredo, foi decidido validar o golo. Como?

De facto, o movimento de Gonçalo Alves não é a prosseguir para a baliza. O atacante dos dragões recebeu a bola depois de João Duarte assinalar a infracção (bola alta) e foi marcar o respectivo livre directo no canto superior da área da baliza à guarda de Pedro Henriques, iludindo todos com a velocidade de execução.

A bola não estaria totalmente parada? É possível. Não estaria exactamente no canto da área? Não estava. Tal constitui um erro técnico? Não. São pormenores que inúmeras vezes acontecem ao longo do jogo, erros de facto e não erros de direito que possam justificar protesto.

A acção de Gonçalo Alves é sustentada no artigo 34º ("Livre Indirecto") das Regras do Jogo e Regulamento Técnico da modalidade.

O ponto 2.1 refere que este pode ser executado "sem que Árbitros Principais tenham de apitar", o ponto 3.2 refere que pode ser "executado pela equipa adversária em qualquer dos cantos superiores da área de baliza em questão", ou seja, não teria de ser no canto onde João Duarte estava, e o ponto 4.1 valida o golo por a bola ser "tocada ou jogada por algum outro jogador, independentemente da equipa a quem pertença", tendo tocado no guardião encarnado.

No final da análise, a provável conclusão será que Gonçalo Alves foi astuto e que a única falha grave é de atenção dos jogadores encarnados...

Ausentes na cerimónia

Havia muito para jogar, mas perante o rumo (muito) adverso do marcador, o Benfica apresentou o protesto ainda durante o jogo e, num "esclarecimento" publicado no site oficial, declararia que "considerou não estarem reunidas as condições para marcar presença na cerimónia de atribuição de medalhas".

A "falta de comparência" ao momento protocolar de entrega das medalhas na "prova rainha" não acontecia desde 2015, quando o Sporting - em contestação para com a arbitragem na final de Vila Franca de Xira- não ficou para assistir à entrega do troféu ao vencedor... o Benfica.

Não estando em causa o mérito desportivo dos dragões, unanimemente considerados melhores neste Clássico, uma eventual razão dada aos encarnados, poderia redundar na repetição da partida, no que seria mais um momento ímpar numa modalidade muitas vezes condimentada de momentos caricatos.

Qualquer decisão será sempre passível de recurso por águias ou dragões, o que pode manter tudo em suspenso largos meses, mas dificilmente alguma das instâncias dará razão ao Benfica.

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