Uma outra Sanjoanense

Relegada para a II Divisão depois de três temporadas entre 'grandes', a Sanjoanense vai sofrer uma revolução no seu plantel. Sai o técnico Vítor Pereira e, da equipa principal, apenas a continuidade de João Ramalho Guimarães e Hugo Santos está na mesa.

Uma outra Sanjoanense

A descida parecia anunciada muito antes de se confirmar. A Sanjoanense somou oito derrotas em outros tantos jogos até à pausa para o Campeonato da Europa e o técnico Vítor Pereira terá mesmo posto o seu lugar à disposição. Reiterada a confiança directiva, somaria mais três derrotas após o regresso à competição e o regresso à II Divisão era dado como certo.

Mas, a 8 de Dezembro, uma vitória sobre o Parede relançou os alvinegros. Em 10 jogos, até 19 de Março, somaram impressionantes cinco vitórias e um empate para 16 pontos. E deixavam de estar abaixo da linha de água. A esperança renascia em São João da Madeira.

No entanto, o calendário era adverso. Das derradeiras cinco partidas, quatro eram longe do "Caldeirão", e a partida em casa, na última ronda, era perante um Porto líder que não podia perder para assegurar a conquista na fase regular. Cinco derrotas ditaram a despromoção.

A Sanjoanense terminou em 12º, com 78 golos marcados e 126 sofridos (só o Marinhense sofreu mais), e a escassos dois pontos do Parede, que subira acima da linha de água ao vencer os alvinegros na penúltima jornada.

Desse decisivo jogo, oito jogadores estão com saída confirmada. Bem como o técnico Vítor Pereira.

Trajecto na I Divisão

A Sanjoanense tinha descido pela última vez em 2017, depois de terminar no último lugar na I Divisão. Regressaria ao convívio dos "grandes", já com Vítor Pereira de novo ao leme, em 2019, como campeão nacional da II Divisão e um projecto baseado em jovens talentos.

Na temporada cancelada pela pandemia, ocupava o 8º ao cabo de 19 jornadas, e só os "big 5" (Benfica, Sporting, Oliveirense, Porto e Óquei de Barcelos) tinham marcado mais do que os seus 73 golos. Na temporada seguinte, a de 2020/21, a Sanjoanense terminaria em 9º, com (novamente) o direito desportivo a participar na Taça WSE.

O regresso às competições europeias estava prometido e a Sanjoanense ambicionava repetir esta época o feito histórico de 1986, quando venceu a Taça dos Vencedores das Taças. Desta feita, não foram além da fase de grupos de uma remodelada Taça WSE, ficando a consolação de terem sido os únicos a vencerem o futuro campeão Calafell.

Debandada e revolução no plantel

Para a próxima temporada, perfila-se uma nova Sanjoanense.

Desde logo, Vítor Pereira deixa o comando técnico. Em 2016, Vítor deixara a equipa na I Divisão, rumando ao Académico de Cambra para duas épocas. Iniciou a temporada de 2018/19 no Infante Sagres, mas não resistiu ao chamamento da "sua" Sanjoanense, onde fora largos anos guarda-redes, para regressar em Dezembro de 2018. Ainda a tempo de garantir a subida à I Divisão e o título nacional da II Divisão.

De saída, estarão também oito jogadores.

O final de carreira do guarda-redes Marco Lopes ainda não foi oficializado pela Sanjoanense, mas o capitão - que completa 42 anos em Setembro - deverá mesmo deixar a baliza alvinegra após 14 temporadas, passando a ocupar um lugar na estrutura técnica. Outras sete saídas já foram confirmadas.

Sai o também guarda-redes Tiago Freitas, que estava cedido pelo Sporting, e João Lima, que acompanharam a Sanjoanense nestes três anos na I Divisão. Há mais tempo de estrela ao peito, e agora também de saída, estava Pedro Cerqueira, numa ligação de oito temporadas, e Tiago Almeida, que esteve 18 anos no clube, passando por todos os escalões de formação, e agora deve reforçar o Braga.

Pedro Moreira, João Pedro Pereira e Zé Miguel chegaram todos no último defeso e sairão ao fim de apenas uma temporada.

Para já, na mesa está apenas a continuidade para a próxima época de João Ramalho Guimarães, que chegou no último defeso, e de Hugo Santos, que regressou em Janeiro depois de não ter espaço de afirmação no Porto.

Prováveis serão as "contratações" de Duarte Terra (Académico de Cambra) e José Almeida (Académico da Feira), ambos de regresso a São João da Madeira, e a integração em definitivo na equipa principal dos "B" Alexandre Barreira, Luís Filipe e do guarda-redes Marcelo Silva.

Para o leme, o sucessor de Vítor Pereira deverá ser Tiago Sousa. Também com passado como guarda-redes, Tiago Sousa conduziu esta temporada o Académico de Cambra, sendo 4º classificado da Zona Norte da II Divisão à entrada para a última jornada. Terá uma missão que se antevê árdua, de devolver o quase centenário emblema (será centenário em 1924) à categoria máxima do Hóquei em Patins nacional.

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