Uma outra OK Liga

Está quase instituído que o campeão é o Barcelona. Mas, este ano, o título será para Liceo ou Reus, os únicos que ousaram beliscar a hegemonia blaugrana. E nos campeões de 2011 e 2013, há nomes bem familiares aos portugueses.

Uma outra OK Liga
Foto de capa: Luis Velasco

Liceo e Reus iniciam esta sexta-feira uma inédita disputa pelo título espanhol. No regresso do play-off 13 anos depois, o Reus deixou pelo caminho o octocampeão Barcelona para o que será uma "lufada de ar fresco" na galeria de vencedores do campeonato espanhol.

O Barcelona conquistou 22 dos últimos 24 títulos, deixando apenas escapar o triunfo em 2011 e 2013. Respectivamente para Reus e Liceo.

Os títulos de 2011 e 2013 são os únicos de Reus e Liceo sob a designação de OK Liga, que data de 2003, mas os dois emblemas completam o pódio de conquistas na prova, ainda que distantes dos 32 títulos blaugrana. O Liceo conquistou sete, em 1983, 1986, 1987, 1990, 1991, 1993 e 2013, ao passo que o Reus conquistou cinco, em 1970, 1971, 1972, 1973 e 2011, tantos como o Igualada.

No início do duelo à melhor de cinco pela oportunidade de reforçarem o seu palmarés, Liceo e Reus encontrar-se-ão pela quarta vez esta temporada, com o equilíbrio a ser a nota dominante e a prometer uma final emocionante.

Na primeira volta da fase regular, o Liceo venceu na Corunha em Outubro, por tangencial 4-3. Na segunda volta, em Reus, em Fevereiro, voltou a vencer a equipa da casa e por nova margem mínima, com o 5-4 a ser assinado por Sergi Aragonès, reforço de Inverno, no último minuto.

Ao terceiro encontro, no início de Maio, deu empate. Pelo menos nos regulamentares 50 minutos. Nos quartos-de-final da Taça do Rei, disputada em Lleida, com 1-1 no marcador, o jogo seguiu para prolongamento. Aí, o Reus foi mais forte, apontando três golos sem resposta.

Agora, a final arranca na Corunha, com jogos esta sexta-feira e no domingo. Depois, a 17 e a 19, há jogos previstos para Reus, sendo que, se alguém vencer os três primeiros, já não haverá quarto jogo.

Também condicional, é a realização da quinta partida, no dia 21. Em caso de necessidade desta "negra", terá lugar no Palácio dos Desportos do Riazor por o Liceo ter terminado melhor classificado do que o Reus na fase regular.

Da arte de não sofrer à arte de marcar

Nesta final, têm a palavra os "soldados" de Juan Copa e Jordi Garcia, curiosamente ambos no comando técnico desde 2017 e à beira da maior conquista ao cabo da sua sexta temporada.

Entre os postes, Carles Grau é inequívoco dono da baliza "verde", ao passo que nos "rojinegros", Candid Ballart e o reforço para esta época Marti Zapater têm dividido protagonismo na defesa das redes "rojinegras".

Já na hora de atacar, Dava Torres, capitão do Liceo, foi o mais concretizador entre os finalistas com 34 golos, só superado na fase regular pelos blaugrana Pau Bargalló e João Rodrigues. "Beneficiou" Dava - que marcou quatro golos no play-off - da lesão de Raul Marin, que logrou 29 golos em 19 partidas, mas esteve ausente entre 12 de Março e 28 de Maio. O "comandante" regressou para a meia-final com o Barcelona, mas ainda em clara gestão física.

Destaca-se agora na equipa de Jordi Garcia o talentoso Marc Julià, autor de oito golos no play-off, mais um do que o italiano "Checco" Compagno e mais dois do que Jordi Adroher.

Adroher será reforço da Oliveirense, regressando a Portugal dois anos depois de ter deixado o Benfica, mas não é o único com "ligações" às águias nesta final. Roberto Di Benedetto está no próximo defeso de partida para a Luz, ao passo que Sergi Aragonès deixou a Luz em Janeiro para reforçar - e de que maneira - o Reus. Já Raul Marin foi leão e Carles Grau foi dragão, num passado português.

De resto, se revisitarmos as equipas campeãs em 2011 e 2013, são vários os nomes familiares para o público e o Hóquei em Patins luso.

O Reus campeão em 2011

O último título "rojinegro" data de 2011, há longos 11 anos. Bem, não tão longos como os 38 que levou a conquistar esse título, depois de quatro consecutivos no início da década de 70.

Em 2010, Alejandro Dominguez, que viria a ser treinador do Benfica, "herdou" de Carlos Figueroa um Reus campeão europeu e, no final dessa temporada, quebraria uma série de 13 triunfos do Barcelona, recorde na competição.

Liderada pelo lendário "Negro" Paez, a equipa contava com a segurança de Guillem Trabal entre os postes e uns Albert Casanovas, Marc Gual e Raul Marin em afirmação. Destes, Paez, Trabal, Casanovas e Gual já abandonaram, sendo que Gual regressou esta época às pistas. Trabal e Casanovas representaram o Benfica, sendo que o defensor esteve antes também na Oliveirense. Marin, que em Portugal esteve no Sporting, é a referência maior actual e o "sobrevivente" deste título de 2011.

A estes juntavam-se Xavi Caldu e Jordi Molet e os chilenos Felipe Quintanilla (guarda-redes) e Armando Quintanilla, que em pistas portuguesas representou o Carvalhos.

Esta campanha foi a única vez na História - até agora - que Reus e Liceo foram campeão e vice. Em fase única, sem play-off, o Reus terminou 62 pontos em 26 jogos, contra 59 do Liceo. O Barcelona foi terceiro com 57.

O Liceo campeão em 2013

Dois anos volvidos, era a vez do Liceo reclamar um título que já procurava há duas décadas. E seria, há oito anos e até agora, a última vez que o título escapou ao Barcelona.

Carlos Gil, um mago na arte de reinventar planteis e craques perante o acosso do Barcelona, tinha um plantel curto. Xavier Malián era o dono da baliza, secundado por Aitor Prada, estavam os irmãos Lamas, os argentinos Lucas Ordonez e Matias Pascual, o asturiano Toni Pérez e o histórico Jordi Bargalló. Pablo Añón, no seu primeiro ano de sénior, era o nono jogador, numa ficha que ficava completa com a chamada de jovens da cantera, como Alberto Bodegón ou um César Carballeira, que terminaria a temporada com 17 anos.

Da núcleo fundamental da equipa, apenas Josep Lamas, que abandonou, e Matias Pascual, que deu o habitual salto argentino para Barcelona, não estão ou estiveram no campeonato português. Jordi Bargalló viria a representar a Oliveirense, tendo esta época regressado a Espanha, para o Noia que o viu nascer para o Hóquei em Patins. Edu Lamas e Lucas Ordoñez disputam actualmente, pelo Benfica, um lugar na final do campeonato frente ao Sporting de Toni Pérez. E, na final, está já o Porto de Xavier Malián.

Na corrida ao título, o Liceo impôs-se na derradeira de 30 jornadas, com 76 pontos, apenas mais um do que o Barcelona.

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