Domínio com aval internacional

A fase de grupos da Liga dos Campeões terminou com 307 golos, 43% deles de estrangeiros nas suas equipas. No domínio português, mais de metade dos golos das seis equipas lusas apuradas para a Final Eight, foram de outras nacionalidades.

Domínio com aval internacional

A participação portuguesa na fase de grupos da Liga dos Campeões foi avassaladora. Benfica e Oliveirense (grupo A), Porto (B), Valongo (C) e Sporting e Óquei de Barcelos (D) garantiram seis das oito vagas, sendo apenas "intrusos" na Final Eight, que se disputará em Viana do Castelo esta semana, o Trissino, actual campeão europeu, e o Barcelona, recordista de triunfos na principal competição europeia de clubes.

A presença portuguesa nas decisões - e com triunfos - tem ganho força nos últimos anos, com a conquista de quatro títulos nas últimas nove edições terminadas. Tantos como nas 47 edições anteriores. Tem sido uma "afronta" ao domínio espanhol que estará directamente relacionada com a aposta no talento estrangeiro.

Em 2013, o Benfica, orientado pelo agora presidente federativo Luís Sénica, conquistou a sua primeira Liga Europeia com quatro estrangeiros: o catalão Marc Coy, o brasileiro Cacau e os argentinos "Tuco" Abalos e Carlos López. Depois disso, a aposta, em quantidade e qualidade foi reforçada nos clubes portugueses candidatos a títulos.

Esta temporada, a aposta em jogadores estrangeiros é clara, mesmo com a obrigatoriedade de inscrever cinco seleccionáveis por Portugal na ficha de jogo. E, olhando para as apostas dos treinadores, a chamada de portugueses é cada vez mais isso: uma obrigatoriedade.

Golos de aquém e além-fronteiras

Na Liga dos Campeões, a influência "estrangeira" na prestação das equipas poderá ser observável nos golos conseguidos.

Na fase de grupos registaram-se 307 golos em 48 jogos, numa interessante média de 6.4 golos por jogo.

Trissino, com 33 golos, Barcelona com 26 e Sporting com 25 foram os mais profícuos, sendo que só quatro equipas marcaram menos que Óquei de Barcelos (18) e Oliveirense (17), o que releva nestes casos a eficácia defensiva. Em termos de golos conseguidos, nota negativa para o Lodi, apenas com sete.

Entre as 16 equipas na fase de grupos, havia seis portuguesas, cinco espanholas, quatro italianas e uma francesa, mas, curiosamente, mesmo que as equipas lusas conseguissem 122 golos contra 95 das rivais ibéricas, para médias semelhantes, houve 126 golos de jogadores espanhóis e "apenas" 73 de portugueses.

Tal poderá ser explicado, por exemplo, com o rácio de golos de atletas estrangeiros. Se as cinco equipas espanholas contaram com 25% de "golos estrangeiros" e as italianas, mesmo limitadas a três estrangeiros, com 43%, as equipas portuguesas ultrapassaram os 53%.

O dilema é claro. E a resposta, para os adeptos, também será. Entre a sempre desejável aposta na formação lusa e a possibilidade de ter argumentos para lutar por títulos no imediato, dificilmente se abdicará de poder ganhar.,..

Os golos "portugueses"

Entre os 122 golos conseguidos pelas equipas portuguesas, 57 foram assinados por jogadores portugueses. Mas são superados pela soma dos tentos de argentinos (30), espanhóis (26) e franceses (nove).

Com alguma lógica, o Benfica é quem conta com maior contribuição de golos estrangeiros, com 81%, não sendo alheio a tal que, nas competições europeias, poderão ser 75% os jogadores de pista de outra nacionalidade utilizados por Nuno Resende (considerando para estas contas Carlos Nicolía, português, mas não "seleccionável"). Porto (68%) e Sporting (64%) ultrapassam também a metade de golos de origem estrangeira.

Entre as equipas que ficam abaixo dos 50%, destaque para os apenas 17% de tentos estrangeiros do Óquei de Barcelos, quando a Oliveirense conta 35% e o Valongo, pelo stick de Bridge e Navarro, chega aos 42%.

Goleadores da fase de grupos

O itlaiano Giulio Cocco, agora no Trissino mas que representou o Porto entre 2018 e 2021, foi o melhor marcador da fase de grupos com 13 golos, "longe" dos nove golos de João Rodrigues, do Barcelona, o português mais certeiro, e Sergi Aragonês, de um Reus que não conseguiu o apuramento para a Final Eight, mas também com passado no campeonato português, no Benfica.

No "Top 10", o jogador de uma equipa portuguesa mais bem classificada é o leonino Ferran Font, com sete golos, seguindo-se, curiosamente, dois portugueses. O oliveirense Tomás Pereira e o barcelense Álvaro Morais apontaram seis golos, tantos como o valonguense Facundo Navarro. Ignacio Alabart (oito), Marc Julià e Jordi Mendez (seis) completam a lista dos 10 melhores marcadores.

Entre os mais profícuos, sem que qualquer jogador conseguisse marcar em todas as seis partidas da fase de grupos, destaque para Cocco, João Rodrigues, Alabart, Tomás Pereira e Mendez, que marcaram em cinco. Marçal Cuenca, do Saint-Omer, única equipa francesa em prova, também marcou em cinco jogos, mas apenas um golo em cada partida, o que o deixa fora do "Top 10".

Com as contas aos golos da fase de grupos a ficarem no passado, a Liga dos Campeões será agora decidida em Viana do Castelo, de 4 a 7 de Maio. Recorde-se que, nos quartos-de-final, o Benfica defronta o Porto e o Barcelona mede forças com o Óquei de Barcelos no primeiro dia, ao passo que Trissino e Oliveirense e ainda Sporting e Valongo se defrontam no segundo.

AMGRoller

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