Vercelli em desconstrução

Vercelli, com o Amatori, viveu três vezes a festa do título italiano, a conquista de duas Taças CERS, a afirmação de Martinazzo na Europa. Mas, nos últimos anos, a cidade parece amaldiçoada. Agora é o Hockey Vercelli que se vai desconstruindo.

Vercelli em desconstrução

O Amatori Vercelli tem um lugar de destaque na História do Hóquei em Patins italiano e mundial. Depois de um primeiro ano na Corunha, Daniel Martinazzo aterrou ali para se catapultar como um dos melhores jogadores de sempre.

O Amatori ganhou, com Martinazzo, duas vezes o campeonato italiano e ainda a Taça de Itália e a Taça CERS. Já sem o talentoso argentino, venceria um terceiro campeonato (1986) e uma segunda Taça CERS (1988), chegando alguns anos mais tarde, em 1998, à final da Liga dos Campeões, perdendo para um dominante Igualada.

O Amatori perdeu depois fulgor. Em 2018, regressou à categoria máxima e - quando poucos esperariam - assegurou a manutenção com os portugueses Sérgio Silva no comando técnico, Francisco Veludo na baliza e João Silva ("Janeka") no ataque. Mas Vercelli era já uma cidade a arder, no que a Hóquei em Patins diz respeito.

Houve debandada de jogadores e directores, o clube não se inscreveu na temporada seguinte, e, em cisão, foi fundado o Hockey Vercelli.

A ascensão do Hockey Vercelli

O Hockey Vercelli surgiu para revitalizar o Hóquei em Patins em Vercelli, na busca de alguma credibilidade directiva perdida.

Fundado em 2019, teve uma ascensão meteórica. Subiu à Serie A2 no primeiro ano e, no segundo, sagrava-se campeão da categoria secundária, garantindo a subida à principal Serie A1.

Parecia um conto de fadas. No primeiro ano entre os maiores do hóquei patinado italiano, terminava a fase regular em 8º e ia ao play-off, repetindo o feito na pretérita temporada, mas com um 7º lugar na fase regular. Tudo corria, literalmente, sobre rodas.

Em desconstrução

Mas esta época começou com uma derrota por 7-0 em Monza. Um prenúncio de desgraça. Sem adeptos num pavilhão municipal em obras, o dinheiro começou a escassear, as dívidas e as promessas falhadas acumularam-se.

Desportivamente, com os 13 jogos da primeira volta cumpridos, o Hockey Vercelli é 12º, com os mesmos pontos do 13º e penúltimo, o Breganze. Tem o pior ataque, com 33 golos, e só venceu em Breganze, na distante 2ª jornada, por 3-6. A 6 de Janeiro, no arranque da segunda volta, a equipa de Roberto Crudelli recebe o Monza. Se houver equipa...

Perante as dificuldades financeiras, a direcção do Hockey Vercelli deu liberdade aos seus jogadores de procurarem outro clube. E estes, estão a fazer pela vida.

O argentino Marcos Orellano ("Caco"), ex-Candelária, já rescindira no início de Novembro, alegadamente por problemas de adaptação. Os cinco jogadores que lograram marcar - Cosimo Mattugini (12 golos), Massimo Tataranni (8), Giorgio Maniero (7), Diogo Neves (5) e Xavi Rubio (1) - também já terão saída acertada.

O capitão Tataranni, do alto dos seus 45 anos, já foi anunciado como reforço do Breganze - com o guarda-redes Mattia Verona - e o português Diogo Neves já foi apresentado pelo Trissino.

Mattugini é falado como reforço do lanterna-vermelha Giovinazzo. Maniero poderá voltar a casa, a Novara, para ajudar no objectivo de promoção. E Xavi Rubio poderá estar de regresso à Catalunha, depois de um périplo italiano que se iniciou em 2016, com paragens em Viareggio, Sarzana, Trissino, Forte e Valdagno antes do Vercelli. O catalão terá estado nas cogitações do Trissino, mas poderá ser apresentado como reforço do Lleida.

A confirmarem-se estas saídas, e a não haver outras, sobrariam, em relação à equipa que defrontou o Sarzana a 20 de Dezembro, os jovens Andrea Stefani (18 anos), Davide Bergamin (22) e o guarda-redes Alex Pettenuzzo (20), todos inscritos pela equipa secundário. De resto, será na equipa que está inscrita na Serie B que Crudelli - a manter-se Crudelli... - poderá encontrar jogadores para ir a jogo, mas a manutenção será, aparentemente, impossível.

AMGRoller

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