Ganhar o que ainda não foi ganho
Para além dos eternos candidatos Portugal e Espanha e da ocasionalmente intrometida Itália, há cada vez mais que ter em conta a candidatura francesa. Vice-campeã na última visita a Paredes, a França tem legitimidade para ambicionar um primeiro grande título.

A Espanha tem dominado os Europeus neste milénio e é tricampeã europeia. Portugal só venceu um Europeu nas últimas 12 edições, mas é o recordista de triunfos na competição. A Itália venceu em 2014 e, com uma geração de talento, e apesar da má prestação na GoldenCat, é de desconfiar. E há a França.
Cinco vezes vice-campeã nas seis primeiras edições, nos distantes anos de 1926 a 1931, a França voltou a ser prata 90 anos depois, em 2021. Em Paredes, venceu a Itália e venceu Portugal, justificando o lugar na final. Frente à Espanha, só caiu no prolongamento.
Nunca uma conquista tinha estado tão perto. Depois, ainda às ordens de Fabien Savreux, os gauleses foram bronze no Mundial de 2022, mas não foram além do 4º lugar no Europeu de 2023. Fabien anunciou que estava de saída, por a federação o ter feito optar entre o cargo de seleccionador e o cargo de treinador do Saint-Omer. Nuno Lopes foi o escolhido para a sucessão.
A proposta de jogo do Tomar tinha convencido os irmãos Di Benedetto, esteios de uma França que não fica a dever nada aos ditos "históricos".
Para o Mundial de 2024, primeira grande competição às ordens de Nuno Lopes, Carlo (Porto), Bruno (Oliveirense) e Roberto (Benfica), com o pendular Remi Herman (Tomar) e o emergente Marc Rouzé (então no Igualada, na Oliveirense a partir da época que agora se iniciam), e um Pedro Chambel que se supera de "bleu-blanc-rouge", terminaram em quinto.
Na primeira fase, faltaram golos. Empataram 1-1 com a Espanha e perderam 0-1, antes da natural vitória sobre o Chile, por 6-1. Tal ditou o encontro com Portugal nos quartos-de-final. Para a História, fica uma derrota por 4-2, mas será relevante recordar um livre directo de Carlo Di Benedetto que foi ao poste a meio minuto do final quando estava 3-2. E que Hélder Nunes fez o quarto de baliza aberta, quando a França ia arriscar jogar sem guarda-redes.
Foi um afastamento prematuro da luta pelo título. Sim, da luta pelo título, porque é nesse patamar que a França, indiscutivelmente, está.
Para o Campeonato da Europa que decorre de 1 a 6 de Setembro em Paredes, juntam-se Tom Savreux, Anthony Da Costa, Corentin Turluer e Stanislas Vankammelcke à espinha dorsal gaulesa. O cinco-tipo da França - com Chambel, os irmãos Di Benedetto e Remi - será para alguns o mais forte no Europeu, mas na rotação, para seis jogos em seis dias, será preciso mais do que Rouzé.
No ensaio geral na GoldenCat, a França goleou a Itália e, com alguma polémica, empatou com a Catalunha. Voltou a empatar com Portugal no fecho da fase de grupos e, na final, novamente com a selecção das quinas, perdeu tangencialmente.
Houve quem escrevesse que "Portugal não teve problemas para revalidar as faixas de campeão", mas a vitória, para além de tangencial, foi assegurada na superioridade numérica, voltando a França a mostrar fragilidade em inferioridade. Os gauleses sofreram três golos frente à Catalunha e mais dois em cada jogo frente a Portugal, e se a GoldenCat serviu de algo a "les bleus", foi para expor a necessidade de trabalhar esse momento do jogo que terá preponderância com as novas regras de jogo e, desde já, no Europeu.
Na cabeça de Nuno Lopes, nestes dias que antecedem o Europeu, ecoará provavelmente o "Melhor de Mim", interpretado por Mariza, com o seu "É preciso perder / Para depois se ganhar". Esta França tem argumentos para voltar a fazer História no regresso a Paredes.
Domingo, 31 de Agosto de 2025, 11h56