2016 foi há 10 anos
Pedro Alves dos Santos
Há uma 'trend' nas redes sociais a recuperar momentos e imagens de 2016. Viajamos também 10 anos atrás, a Portugal campeão europeu, ao Benfica que ganhou campeonato e Liga Europeia no mesmo fim-de-semana, ao Porto a erguer a Taça, e à primeira Elite Cup, ganha pelo Sporting.

Parece que foi ontem, mas já foi há 10 anos. 2016, tão longe e tão perto, foi pretexto para uma "trend" nas redes sociais neste mês de Janeiro, na mudança de ano. Nesse mote, recuemos até esse ano, recordando o que se passou sobre as rodas dos patins, aquém e além-fronteiras.
2016 foi um ano mágico para o desporto português, com a conquista do Campeonato da Europa de futebol. Mas não só. No Hóquei em Patins, Portugal também conquistou o Velho Continente.
Em Oliveira de Azeméis, Portugal sagrava-se campeão europeu 18 anos depois, 13 anos depois da última grande conquista, pondo fim ao maior jejum de grandes títulos desde o primeiro conquistado em 1947.
Numa euforia nacionalista catapultada pela conquista do pontapé na bola, o Pavilhão Dr. Salvador Machado foi (literalmente) pequeno para tanta gente. Em pista, Portugal foi dominador. Goleou Suíça (8-0), Espanha (6-1) e Áustria (14-1) na fase de grupos. Depois, bateu a Inglaterra (12-0) nos quartos, a Suíça - que vencera a França - nas meias (8-0) e a Itália, que defendia o título, na final (6-2). Era o "grito de Ipiranga" de uma geração talentosa a que faltava títulos. Luís Sénica, hoje presidente federativo, era o seleccionador. Reinaldo Ventura, hoje seleccionador, um dos jogadores.

Quase metade dessa equipa já não joga: Ventura, Barreiros, Nelson Filipe, Girão. Os outros continuam a ser influentes nos "três grandes": Diogo Rafael, Gonçalo Alves, Hélder Nunes, Henrique Magalhães, João Rodrigues, Rafa.
Também a selecção feminina portuguesa brilhou. Escapou o (inédito) título mundial, mas nunca a selecção feminina das quinas tinha estado - ou estaria - tão perto da conquista mundial. Em Iquique, no Chile, as pupilas de Carlos Pires chegaram à final com a Espanha. Estiveram a perder por 2-0, mas levaram o jogo para um prolongamento que era jogado sobre crueldade. O título seria decidido sobre o final da primeira parte do tempo extra, com "golo de ouro" espanhol, "morte súbita" portuguesa, sem espaço para reagir.
A Espanha, também dominadora na Europa, conquistava o seu quinto título mundial, o primeiro de um inédito tri na história da competição.
Espanha nos Sub-17, Portugal nos Sub-19
Nas selecções jovens, a península ibérica dividiu o espólio. Em Mieres, a Espanha sagrou-se campeã europeia de Sub-17, com uns tais de Pol Manrubia e Roc Pujadas como figuras. Em Pully, o título de Sub-19 foi português.
Às ordens do conquistador Luís Duarte, os juniores de Portugal venciam o título continental pela quinta vez consecutiva. Dos 10 campeões, Diogo Brandão, Gonçalo Conceição e Tomás Moreira já não andam pelas pistas, e apenas Gonçalo Pinto (Benfica) vai vingando ao mais alto nível.
Os restantes procuram um - ou mais uma - oportunidade para mostrarem valor, mas vão sendo influentes nas suas equipas: António Trabulo, que capitaneia o Braga, Pedro Batista no Valongo, Carlos Loureiro no Póvoa, Tiago Rodrigues na Juventude de Viana, Gonçalo Nunes no Paço de Arcos, e Rafael Lourenço, além-fronteiras, nos franceses do Quévert.
Benfica campeão
A nível de clubes, será o Benfica que guardará melhores recordações de 2016. A campanha iniciada pela equipa de Pedro Nunes ainda em 2025, culminou com um recorde de vitórias num arranque de campeonato, 12, travadas com um empate a quatro em Oliveira de Azeméis a 24 de Janeiro. As águias seguiram invictas até à 23ª jornada, quando perderam no Dragão Arena. Mas o Benfica já era campeão nacional. E europeu. Inusitadamente no mesmo fim-de-semana.

A 14 de Maio, o Benfica apurava-se para a final da Liga Europeia com uma vitória sobre o Barcelona, enquanto o Porto empatava para o campeonato com o Valongo. Essa perda de pontos dos dragões, valia matematicamente o título às águias, que tiveram de festejar comedidamente. No dia seguinte, juntavam a celebração europeia à nacional. E, mais tarde no ano, venceriam a Taça Continental.
No feminino, o Benfica conquistava o penta no campeonato, juntando, como não deixou de ser hábito, todos os títulos nacionais possíveis.
Porto na Taça e na Supertaça, Sporting numa estreante Elite Cup
Noutras provas, o Porto de Guillem Cabestany vencia a Taça de Portugal, em Ponte de Lima, vencendo o Benfica por 4-2 no fechar do brilhante capítulo de Edo Bosch nos dragões. No início da temporada seguinte, o Porto voltaria a bater o Benfica, por um memorável 13-7, conquistando a Supertaça António Livramento.

Entretanto, em Coimbra, a Associação Nacional de Clubes (ANACP) de Rui Carvalho ousava, com meia dúzia de "gatos pingados", lançar a Elite Cup, reunindo as oito mais bem classificadas equipas da época anterior e com propostas a alterações às regras que acabariam por vingar. Ainda com carácter oficioso, o Sporting, às ordens de Guillem Pérez e a dar sólidos passos de afirmação (e investimento), e com Pedro Gil, agora director desportivo, e Zé Diogo, que é o resistente das saídas do plantel, ficaria com o troféu.
Taça CERS para o Óquei de Barcelos
Na Europa de clubes, para além do título do Benfica, também o Óquei de Barcelos celebraria, vencendo, em casa e às ordens de Paulo Freitas, a primeira de duas Taça CERS consecutivas. Com, por exemplo, Luís Querido e Miguel Vieira, que depois sairiam, mas voltaram. Por curiosidade e para referência da mudança dos tempos, sem qualquer estrangeiro.

No feminino, repunha-se a normalidade. Depois da excepção da conquista do Benfica em 2015, o título voltava a ficar em Espanha. O Voltregà vencia a então única prova europeia feminina para conquistar o quarto título, igualando o Gijón. Hoje, continuam a liderar a par a lista de vencedores, com seis troféus cada.
Entre miúdos, a Eurockey Cup já era uma referência. Nos Sub-15, o Porto de Jorge Ferreira - hoje, treinador do Riba d'Ave - vencia por 1-0 o Manlleu, com uma monumental exibição do guarda-redes Rafa Pacheco, hoje no Infante Sagres. Nos Sub-17, o Lleida de Sergi Duch (que fora campeão europeu do escalão com a Espanha), Jordi Badia e Sergi Folguera, tendo chegado todos, anos mais tarde, à equipa principal, ganhou ao Arenys de Munt.
Desafios
Para o HóqueiPT, foi um ano de desafios. Entrava no seu terceiro ano a pagar um alojamento para o site por 150 euros, alheio a que, 10 anos volvidos, iria custar perto de 500. Mesmo antes da "inflacção", as questões de "vale a pena?" eram as mesmas. A resposta é sempre não, mas continuamos, teimosos, num trajecto sem problemas, apenas desafios...
Num ano em que as provas decididas em Portugal pouparam o orçamento, acompanhámos conquistas em Barcelos, na Luz, em Ponte de Lima (partindo um ombro), em Oliveira de Azeméis (com o desafio de fotos tiradas com um braço ao peito), na Mealhada, em Vilanova i la Geltrú e Blanes.
Em Coimbra, erámos dos poucos naquela organização da Elite Cup. Na cooperação e feedback dos clubes e protagonistas, um orgulho imenso. Daquele que nos faz - ainda hoje - seguir.

Pedro Alves dos Santos
Sábado, 31 de Janeiro de 2026, 13h08
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