O paradoxo de Coimbra

Pedro Alves dos Santos

Coimbra foi, de 6 a 10 de Maio, o epicentro do Hóquei em Patins europeu, com o Pavilhão Dr. Mário Mexia engalanado. Mas, com obras no seu pavilhão, as equipas seniores da briosa Académica passaram a época a jogar no concelho da Mealhada, distrito de Aveiro.

O paradoxo de Coimbra

O melhor Hóquei em Patins da Europa esteve, de 6 a 10 de Maio, em Coimbra. A organizadora SigmaStars engalanou o Pavilhão Dr. Mário Mexia para a primeira celebração conjunta das decisões das mais importantes provas europeias a nível de clubes: a Final Eight da WSE Champions League Men e a Final Four da WSE Champions League Women.

Tal como o Super Bock Arena no Porto, ou o Centro de Desportos e Congressos de Matosinhos, locais das Final Four no masculino nas duas últimas temporadas, o Dr. Mário Mexia não recebe habitualmente Hóquei em Patins, Mas podia. Até porque a Académica viveu uma época atribulada... por falta de pavilhão.

A "Briosa" no reverso da medalha

Na mesma cidade de Coimbra, a Secção de Patinagem da Associação Académica de Coimbra viu, no arranque da temporada, o Pavilhão 3 do Estádio Universitário que lhe serve de casa entrar em obras, que - já se sabia - se prolongariam por vários meses.

Já tinham sido encetados contactos institucionais, inclusivé com a Câmara Municipal de Coimbra, com solicitação para utilização de equipamentos municipais (como é o Dr. Mário Mexia), mas sem resposta autárquica e sem outras soluções, a direcção da secção apresentou o pedido de demissão.

Meses mais tarde, no lançamento das decisões europeias, Ana Abrunhosa, presidente da Câmara Municipal de Coimbra falou, em entrevista ao Record, de uma "uma ligação real à modalidade". "O Hóquei em Patins tem tradição na cidade e na região, com forte base de formação. Ao acolher uma competição desta dimensão, estamos a criar referências para os jovens atletas, a valorizar o trabalho dos clubes e a consolidar um ecossistema desportivo sustentável", apontou, em aparente contrassenso.

Briosa, a Académica não baixou os braços. As equipas seniores instalaram-se no Pavilhão Municipal de Ventosa do Bairro, com o apoio do concelho da Mealhada. No distrito de Aveiro. As equipas da formação encontrariam "refúgio" no Pavilhão da Associação Cultural de Vilarinho que, em Outubro, e após recuperação, passou a receber treinos e jogos.

Mas, no cenário adverso, as equipas seniores tiveram desempenhos dignos de registo.

A equipa masculina, orientada por Pedro Ferreira, terminou em 7º lugar na Zona Norte da II Divisão, na prática um 4º lugar na corrida à subida se tirarmos da equação as equipas "B" que não entram nessa corrida. Recorde-se que, na época passada, a Académica tinha lutado pela manutenção até à última jornada, terminando com os mesmos pontos do despromovido Os Limianos.

A equipa feminina, com um grupo muito jovem às ordens de Diana Melo, fora relegada para a "secundária" Taça Nacional na pretérita temporada, mas na presente chegou à fase regular, para as oito melhores, está em 6º e só na penúltima jornada, no passado fim-de-semana, ficou definitivamente afastada da luta pelo play-off. Disputará a última jornada na Luz, frente ao Benfica, no próximo domingo, dia 24.

De facto, há tradição. Pelo segundo ano consecutivo, a Académica de Coimbra foi reconhecida pela Federação de Patinagem de Portugal como o clube nacional com mais atletas inscritos no Hóquei em Patins. Faltará visibilidade noutros "palcos", para os quais será preciso outro nível de apoios, mas, para já, estará em causa a própria continuidade do projecto.

Na expectativa do que esta Champions pode deixar em Coimbra, Ana Abrunhosa apontou a que, no plano desportivo, possa "inspirar jovens atletas, reforçar a prática do Hóquei em Patins e valorizar o trabalho desenvolvido pelos clubes e estruturas locais". Agradece-se acção, mais do que desejos, mais do que palavras. Ou do que a falta delas quando o apoio é necessário.

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