«É um desporto muito bonito, mas os árbitros têm muito poder»

Na final da Champions League, o habitualmente tranquilo Sergi Fernandez, capitão do Barcelona esta temporada, contestou muitas decisões da dupla italiana nomeada para o duelo com o Porto, vincando que 'em Portugal, acontece sempre alguma coisa'

«É um desporto muito bonito, mas os árbitros têm muito poder»

Sergi Fernandez ganhou reputação como um guarda-redes tranquilo entre os postes, a parar tudo, com uma aparente facilidade desconcertante, dificilmente perturbável.

No entanto, este domingo, não aguentou. Capitão desde que Sergi Panadero abandonou em 2024, Sergi contestou várias vezes a dupla de arbitragem, e desabafou no final da partida.

"Sempre que jogamos uma Champions aqui em Portugal, acontece alguma coisa. Estou prestes a retirar-me, estou completamente farto, e estou cansado. Sou árbitro, fiz o curso este ano, envergonha-me. A mim, envergonhar-me-ia a arbitragem que fizeram", disse em declarações aos órgãos catalães.

"Não entendo. Acontece sempre alguma coisa. Há três ou quatro anos, não viram a agressão nas costas ao João [Rodrigues]. Este ano, no VAR, vêm o que querem, o que não querem. É uma pena, porque é um desporto muito bonito, mas os árbitros têm muito poder e, ou algo muda, ou pouco poderemos fazer", alertou.

Aos 41 anos, Sergi Fernandez fala com a autoridade de quem ganhou tudo. Na sua 16ª e, já anunciada, última pelos blaugrana, conta, por exemplo, três Ligas Europeias, antecessora da Champions League, conquistadas em 2014, 2015 e 2018, a que junta, entre muitos outros troféus, cinco europeus e quatro mundiai pela Espanha.

Esta foi a oitava organização consecutiva realizada em Portugal (alguém quererá igualar as propostas financeiras das autarquias portuguesas?), sendo que apenas em 2018 (Barcelona) e 2022 (Trissino) é que a equipa vencedora não foi portuguesa.

O alvo principal da "ira" de Sergi Fernandez foi a dupla italiana de pista, com Joseph Silecchia e Francesco Stallone, que, nesta Final Eight, já tinham apitado a meia-final entre Barcelona e Benfica e os quartos-de-final entre Porto e Liceo.

Em números que poderão explicar pouco, a final acabou com 10 faltas para o Barcelona e nove para o Porto. Dois azuis mostrados aos dragões e três aos blaugrana. E houve amarelos a Ricardo Ares, muito cedo, condicionando todo o banco, e outro a Sergi Fernandez, no terceiro - e decisivo - golo do Porto, alegadamente precedido de grande penalidade na outra área.

Houve ainda dois livres directos para o Porto, e uma grande penalidade para o Barcelona, sendo que apenas os blaugrana aproveitaram a bola parada.

Italianos na decisão

A arbitragem italiana estará abaixo da portuguesa ou da espanhola, surgindo nos palcos das decisões quando estas são entre os "irmãos" ibéricos, teoricamente sem alternativa.

Se a avaliação qualitativa será sempre subjectiva, é fácil constatar a (falta de) confiança da World Skate Europe nas suas nomeações na fase de grupos, quando, de facto, havia alternativa pelo critério do país de origem das equipas.

Nos seis jogos que houve entre equipas espanholas, foram nomeadas quatro vezes duplas portuguesas. E nos 12 duelos entre portugueses, a escolha recaiu 10 vezes em duplas espanholas. Ou seja, em 18 oportunidades para nomear duplas italianas, só em quatro foram escolhidas.

À fase de grupos, foram chamados um total de 34 árbitros todos dos três grandes campeonatos: 14 espanhóis e 10 de Portugal e Itália.

23 partidas tiveram dupla espanhola, 22 dupla italiana e, em virtude de haver mais equipas portuguesas em prova, apenas 15 jogos tiveram dupla portuguesa a dirigir.

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