Matías Pascual: 'acabado', dispensado... MVP!

Matías Pascual esteve dois anos sem disputar uma partida da OK Liga, perdeu o lugar no Barcelona e, aos 36 anos, campeão pelo Igualada, é MVP do principal campeonato espanhol. Na OK Liga Femenina, Aina Florenza ganhou - aos 23 anos - a distinção pela quarta vez em seis edições.

Matías Pascual: 'acabado', dispensado... MVP!
Foto de capa: Igualada Hoquei Club

Dava um daqueles filmes inspiradores com o desporto como pano de fundo. Matías Pascual é o MVP da OK Liga 2025/26.

Pascual é um dos grandes jogadores dos últimos 15 anos e o reconhecimento, só por si, não será surpresa. Mas o trajecto que o levou ao prémio é extraordinário.

Com apenas 21 anos, Matí cumpria o sonho de jogar na Europa. Chegava, como tantos outros argentinos, pela porta do Liceo. Tinha uma técnica apurada, mas, ao contrário de muitos irreverentes do país das pampas, juntava às suas virtudes técnicas, um inusitado rigor táctico e foco nas acções defensivas.

Pelo Liceo, ganhou a OK Liga em 2013, depois de ter vencido a Champions League por "los verdes" em 2012.

Em 2013, rumou ao Barcelona, onde estaria 12 temporadas. Mas só jogou pouco mais de 10. Campeão do Mundo pela Argentina em 2015, voltou a conquistar o Mundial em 2022, mas, na sua San Juan, a modalidade foi ingrata com um jogador calado, discreto, quase uma "planta" como os colegas de selecção o alcunharam. Uma dupla fractura da tíbia e perónio afastou-o da final. E das pistas, por muito tempo.

Tinha jogado para a OK Liga a 8 de Outubro de 2022, antes desse Mundial. Foi operado ainda na Argentina e, com a recuperação a não correr da melhor maneira, voltou a ser operado em Barcelona. Perdendo toda a temporada de 2023/24, só voltou à OK Liga a 13 de Outubro de 2024. Cumpriu 24 dos 26 jogos da fase regular, mas apenas um no play-off.

Em fim de contrato, os blaugrana não renovaram.

Pelo Barcelona, ganhou a OK Liga em 2014, 2015, 2016, 2017, 2018, 2019, 2020, 2021, 2023 e 2025 (10 vezes!) e a Champions League em 2014, 2015 e 2018.

Para muitos, aos 35 anos, já era bom que tivesse voltado a jogar. Marc Muntané e o Igualada viram mais.

Com Edu Fernandez em final de carreira, Muntané entregou a batuta e a liderança táctica da equipa a Pascual. Na raça, no querer, no espírito arlequinado, o líder é o capitão Roger Bars, mas Pascual foi a extensão do seu treinador em pista.

O internacional argentino jogou 25 de 26 jogos - só falhando uma partida a 29 de Março, numa lesão menor que, no entanto, o afastou da Taça das Nações - e apontou 15 golos numa fase regular em que o Igualada acabou em 3º, mas a apenas um ponto de Liceo e Barcelona, com menos derrotas (três) que os blaugrana (quatro) e a defesa menos batida desta fase da competição.

Depois, jogos todos os 13 jogos do play-off, juntando mais cinco golos, três deles nas duas vitórias em Les Comes na final. Aos 36 anos, a meio ano de completar 37, com a sapiência de já muitos cabelos brancos.

Pelo Igualada, ganhou a OK Liga em 2026. E os arlequins voltarão à Champions League na próxima temporada.

Antes, há um Campeonato do Mundo, para Pascual levar até ao fim, no Paraguai, aquilo que deixou a meio em San Juan.

Aina, MVP na OK Liga Femenina

Na OK Liga Femenina, Aina Florenza deixou pouco para as demais. Aos 23 anos, conquistou o prémio de MVP pela quarta vez em seis edições, só deixando "escapar" os galardões de 2023 e 2025 para Marta Piquero.

A goleadora do campeão Vila-Sana apontou 47 golos em 25 partidas da fase regular, ficando em branco em apenas três jogos. Por comparação, Piquero, a segunda mais profícua, apontou "apenas" 28 golos.

No play-off, em quatro partidas - com o Vila-Sana a "varrer" Palau na meia-final e Fraga na final -, Ainda ficou-se por apenas dois golos. Mas, sendo fácil falar de números, a influência da internacional espanhola vai muito para além dos tentos marcados.

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