10 anos sobre o fim da maior 'seca' portuguesa

A 16 de Julho de 2016, Portugal vencia, em Oliveira de Azeméis, o Campeonato da Europa pela 21ª vez. Um marco que pôs fim à maior 'seca' de conquistas portuguesas no Hóquei em Patins desde que o primeiro grande título, entre europeus e mundiais, foi reclamado em 1947.

10 anos sobre o fim da maior 'seca' portuguesa

Em 1947, Portugal fez do Hóquei em Patins seu. Conquistou pela primeira vez o Campeonato da Europa e do Mundo (então, uma só prova valia os dois títulos) e, incluindo cinco grandes títulos consecutivos entre 1959 a 1963, somaria 20 europeus até 1998 e 15 mundiais até 2003.

Na entrada deste século mandava a Espanha. A "Armada Invencível", que Carlos Feriche elevou ao esplendor máximo, esteve invicta durante 53 partidas, e contou sete europeus e cinco mundiais consecutivos, monopolizando as conquistas. Em 2014, a Itália quebrou - em solo espanhol - a hegemonia, vencendo o Campeonato da Europa. Em 2015, a Argentina ganhou o Campeonato do Mundo.

Em 2016, Portugal recebia o Europeu, quatro anos depois de ter perdido oportunidade de o vencer a seis segundos do fim. E, desta vez foi categórico. Às ordens de Luís Sénica, com Ângelo Girão, Diogo Rafael, Gonçalo Alves, Hélder Nunes, Henrique Magalhães, João Rodrigues, Nelson Filipe, Rafa, Reinaldo Ventura e Ricardo Barreiros.

Na fase de grupos, Portugal venceu a Suíça por 8-0, uma Espanha completamente em transição de ciclo por 6-1, e a Áustria por 14-1. Nos quartos-de-final, a Inglaterra foi "despachada" com 12-0, e Portugal também não sofreria qualquer golo nas "meias", goleando novamente a Suíça - que surpreendera a França - por 8-0.

Na final, a selecção das quinas até perdia por 0-2 ao intervalo, com dois golos de Fede Ambrosio, e o autocarro que estava preparado para a festa dos campeões teve de ser escondido... Mas, na etapa complementar, Diogo Rafael bisou para anular a desvantagem, Reinaldo Ventura consumou a reviravolta, João Rodrigues, Rafa e Hélder Nunes confirmaram o triunfo perante um Salvador Machado ao rubro.

Era o regresso às conquistas 13 anos depois de um mundial ganho naquele mesmo palco. O fim da maior "seca" de títulos de Portugal, que era de cinco anos entre o Europeu de 1977 e o Mundial de 1982, e entre esse Mundial de 82 e o Europeu de 1987, ou até entre o Europeu de 1998 e o Mundial de 2003.

Mas também era o (re)catapultar em grandes competições. Em 2017, Portugal foi vice-campeão do Mundo, regressando a uma final 14 anos depois. Em 2018, foi "vice" europeu, e em 2019 conquistou o Mundial. Voltou a estar na final do Mundial, pela terceira vez consecutiva - o que não acontecia desde 1995 - em 2022, foi vice-europeu em 2023 e somou o seu 22º título do Velho Continente em 2025.

Entretanto, a marcha do tempo é inexorável.

Luís Sénica saiu do banco para a presidência federativa. Os guarda-redes Ângelo Girão e Nelson Filipe já abandonaram. "Filipão" está na equipa técnica do Porto. Reinaldo Ventura e Ricardo Barreiros, chamados àquele europeu para um fundamental aporte de experiência, também já penduraram os patins.

Na próxima temporada, estarão ambos nos bancos do Campeonato Placard, "Rei" pela Sanjoanense, Barreiros pelo Oeiras. Ambos pegaram nas suas equipas na II Divisão, ambos são seleccionadores nacionais: Ventura de seniores masculinos, Ricardo de seniores femininos.

Gonçalo Alves, Hélder Nunes e Rafa continuam no Porto, sendo que Rafa já se despediu da selecção. João Rodrigues, como Hélder, foi "ali" ao Barcelona e voltou à origem, e continuará no Benfica, de onde está de saída Diogo Rafael. Henrique Magalhães deixará neste defeso o Sporting para regressar ao Valongo.

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