A malta precisava e ele foi...
Pedro Chambel, natural de Torres Vedras, filho do bicampeão mundial António Chambel, foi uma das figuras em destaque na selecção francesa que conquistou o Campeonato do Mundo no Paraguai. Aquele que era visto como o 'ponto fraco' de 'les bleus' fez-se gigante entre os postes.

Pedro Chambel nasceu em Torres Vedras em Dezembro de 1993, tinha o pai, António Chambel, acabado de se sagrar bicampeão Mundial por Portugal em Itália, dois anos depois de ter conquistado o troféu no Porto.
Pedro seguiu as pisadas do pai entre os postes, mas a afirmação em Portugal tardava. Em 2016, depois de três anos na equipa principal da Física, pegou nas malas e rumou a França e ao Saint-Omer.
Foi uma aposta ganha, pelo clube e pelo guardião. Ao serviço dos "audomarois" é agora hexacampeão francês, e presença recorrente na Champions League.
Em 2022, "apenas" bicampeão, mas já com seis anos em solo gaulês, foi desafiado pelo seu treinador de sempre no Saint-Omer e então seleccionador francês, Fabien Savreux, a aceitar a convocatória para uma selecção que tardava em ter um guardião consolidado.
Foi à GoldenCat e contou ao HóqueiPT que a possibilidade de ir a um Mundial, principalmente a San Juan, era uma oportunidade que muitos gostavam de ter. E ele ia.
Na sua primeira participação num Campeonato do Mundo, não fez por menos, e logrou a melhor classificação de sempre da França num Mundial. Uma medalha de bronze que, aos gauleses, sabia a ouro.
Foi somando títulos pelo Saint-Omer e não voltou a falhar uma grande competição. Dois mundiais e dois europeus depois, rumou ao Paraguai com as malas cheias de sonhos, daqueles que terá quando adormece entre os postes, brincam os companheiros.
"Cá estamos mais uma vez, Pedro?", costumamos questionar. "A malta precisava de mim, e eu vim...", repetia a cada prova, com uma simplicidade extrema, como quem quer passar despercebido atrás das principais figuras. Ia para dar uma ajuda. E que ajuda que deu...
No COP Arena, era, aos 32 anos, o mais velho às ordens de Nuno Lopes. A França venceu a Argentina, Chile e Angola na primeira fase, e depois a Suíça nos quartos-de-final. Nas meias-finais, depois de quatro eliminações às mãos de Portugal, a selecção das quinas fazia o 1-3. Tudo parecia perdido.
Mas Chambel fechou aí a porta. Negou a possibilidade do 1-4 a Gonçalo Alves de livre directo, somou grandes intervenções até que a França empatou para levar o jogo a prolongamento. E somou outras grandes intervenções com uma desconcertante serenidade - ou alheamento - enquanto os seus companheiros levavam o resultado até ao 6-3 final.
A História estava feita. A França estava pela primeira vez na final de um Campeonato do Mundo. E havia História para fazer.
Frente à Argentina, Pedro Chambel nem teve tanto trabalho como com Portugal e foi seguro nos períodos de maior assédio albiceleste, mas o jogo voltou a seguir para prolongamento. E, desta vez, para grandes penalidades.
Após negar o golo a Lucas Ordoñez, foi batido por Lucas Martínez. Depois, Pedro, que fica a dever muito à estampa física dos seus colegas mais destacados, encheu a baliza. Não permitiu o golo a Gonzalo Romero, Danilo Rampulla ou Facundo Bridge. Carlo Di Benedetto empatara entretanto e os penáltis continuavam.
Pedro Chambel voltou a não deixar "Nolito" marcar, e deu uma primeira oportunidade a Carlo de selar o título. O capitão gaulês não aproveitou, e Pedro "teve" de voltar a negar o golo a Lucas Ordoñez. E, desta feita, Carlo não adiou mais a festa.
O título era francês. E um "bocadinho" torreense.
Domingo, 25 de Outubro de 2026, 23h09
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