Revolução francesa a derrubar 'tirania' dos históricos
Diz-se que Hóquei em Patins ganham sempre os mesmos, mas a França revoltou-se contra o poder instituído de Espanha, Portugal e Argentina neste século e tornou-se o sexto campeão mundial da História do Hóquei em Patins. E o quarto campeão diferente nas últimas quatro edições.

Este século, em 12 edições do Campeonato do Mundo, o título fora sempre de Espanha (oito vezes), Argentina (duas) ou Portugal (duas), e no século passado apenas Inglaterra - há muitos, muitos, muitos anos - e Itália tinham logrado também erguer o troféu máximo Mundial.
Este domingo, houve revolução em Assunção. A selecção de Hóquei em Patins da França teve a sua tomada da Bastilha no COP Arena e, liderada por "general" Nuno Lopes, tomou o poder com uma vitória no desempate por grandes penalidades frente à Argentina e depois de eliminar Portugal nas meias-finais.
Em 2022, no Mundial de San Juan, a França, ainda no "postulado" de Fabien Savreux, vencera a Espanha nos quartos-de-final. A revolução já estava em curso. Depois, já com Nuno Lopes, não foi além de um 5º lugar em Novara, mas, vice-campeões europeus, os filhos da Pátria foram avante e chegou o dia de glória que alguns duvidavam ser possível.
Era uma "tirania" que reinava no Hóquei em Patins. As últimas oito finais tinham sido entre Espanha, Argentina e Portugal, e a inédita chegada da França à decisiva partida já era História escrita. O título ornamenta essa página a dourado. Na 47ª edição do Mundial, 48 anos depois do último inédito campeão.
Competitividade
Na antecâmara deste Mundial disputado a oito, apontávamos cinco candidatos com legítimas aspirações. E, não obstante a desilusão italiana, Assunção confirmou que pode cair para qualquer lado.
Dos tais cinco candidatos, quatro conquistaram o título nas últimas quatro edições. Portugal em 2019, Argentina em 2022, Espanha em 2024 e, agora, França em 2026. Olhando para outras modalidades, o gigante futebol também conta quatro campeões distintos, mas os rivais de pavilhão (rivais pelo menos em Portugal), contam histórias diferentes.
O basquetebol e o futsal vão em três campeões mundiais distintos. No voleibol, a Itália conquistou as duas últimas edições. E, no andebol, com tantos países de forte implementação, ninguém bateu o pé à Dinamarca nas últimas quatro edições.
E quatro campeões distintos em quatro edições consecutivas nem sequer é inédito. De facto, é a terceira vez que acontece na História dos Mundiais.
Antes, tal tinha sido logrado por Espanha (1980), Portugal (1982), Argentina (1984) e Itália (1986), e depois por Itália (1997), Argentina (1999), Espanha (2001) e Portugal (2003).
Apesar do domínio em número de títulos de Espanha (18) e Portugal (16), não está nada mal para uma modalidade em que "ganham sempre os mesmos".
Campeões no masculino e no feminino
Para além de se juntar ao restrito lote de campeões do Mundo no masculino, agora seis, a França passa a integrar uma galeria ainda mais exígua. Os gauleses passam a ser uma de apenas três nações - depois de Espanha e Argentina - com títulos mundiais no masculino e no feminino.
Finalista em 2010, 2012 e 2014, a selecção feminina da França logrou a glória em 2012, no Recife, tornando-se "les Bleues" (com "e" de feminino) as quintas campeãs do Mundo depois de Canadá, Espanha, Argentina e Chile. E desde 2012 que, por mais que, principalmente, Portugal tenha esse sonho, não há campeão novo.
Terça-feira, 20 de Outubro de 2026, 0h03
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