João Rodrigues despede-se: «Saio da Seleção com a paz de quem deixou tudo na pista»

João Rodrigues anunciou nas redes sociais a despedida da selecção portuguesa, que capitaneou na conquista do Campeonato da Europa de 2016 e do Campeonato do Mundo de 2019. O atacante, agora com 36 anos, representou a selecção das quinas em seis europeus e sete mundiais

João Rodrigues despede-se: «Saio da Seleção com a paz de quem deixou tudo na pista»
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João Rodrigues anunciou, este sábado, a despedida da selecção portuguesa. Nas redes sociais, num texto transcrito abaixo, João lembrou o concretizar de um sonho de sempre.

Internacional jovem, campeão europeu de juvenis em 2005, campeão europeu de juniores em 2008, João Rodrigues foi chamado pela primeira vez à selecção absoluta para a Taça das Nações de 2011, antes de completar 21 anos. No ano seguinte, foi chamado por Rui Neto à sua primeira grande competição, o Campeonato da Europa de 2012.

Ganhou o lugar e disputou 12 grandes competições consecutivas, seis europeus e seis mundiais. Em 2016, foi-lhe entregue a braçadeira, para o Campeonato da Europa de Oliveira de Azeméis, e terminou a levantar o troféu. Três anos depois, ergueu a taça de campeão do Mundo.

Em 2025, foi preterido das escolhas de Paulo Freitas para o Europeu. Na altura, garantiu que voltaria, e trabalhou para tal. E este ano esteve no Campeonato do Mundo. Apontou dois golos e Portugal terminaria no pódio, depois de cair no prolongamento das meias-finais.

"Não é o fim. É apenas o fecho de um capítulo extraordinário, para dar lugar a muitos outros que ainda estão por escrever", garantiu.

No imediato, o foco será no Benfica. Depois de seis temporadas no Barcelona, o atacante regressou às águias em 2024 e tem contrato até 2028.

Sonho com a Seleção desde que me lembro.

O meu pai jogou hóquei em campo e representou Portugal 25 vezes. Era o meu ídolo. Eu queria ser como ele: vestir aquela camisola e ouvir o hino em campo.

Em miúdo, os meus desenhos eram quase sempre o mesmo: eu, com o equipamento de Portugal, a braçadeira de capitão no braço e a taça de Campeão do Mundo nas mãos.

Cresci a vibrar com Portugal, fosse qual fosse a modalidade. Ainda hoje é assim.

Esse sonho levou-me ao topo do mundo. De quinas ao peito e com a braçadeira de capitão no braço, fui Campeão da Europa e Campeão do Mundo. Aquele desenho tornou-se realidade.

Hoje, depois de mais de 150 internacionalizações, mais de 200 golos e um último Mundial terminado no pódio, chegou o momento de me despedir da Seleção Nacional.

Saio da Seleção com a paz de quem deixou tudo na pista. Nunca vesti esta camisola por vestir: senti-a, honrei-a e carreguei-a com a responsabilidade de quem sabe o que ela significa.

Obrigado a todos os treinadores e companheiros que partilharam este caminho comigo, e a todos os que nos apoiaram, onde quer que estivéssemos.

À minha família, que esteve lá desde o início e me deu as bases para chegar aqui. À minha mulher, que me apoiou a cada passo e segurou tudo em casa enquanto eu andava pelo mundo. E aos meus filhos: lutem sempre pelos vossos sonhos. Vale a pena.

Não é o fim. É apenas o fecho de um capítulo extraordinário, para dar lugar a muitos outros que ainda estão por escrever.

Deixo de vestir a camisola, mas nunca vou deixar de a sentir.

Obrigado, Portugal.

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