Opinião

Quatro gigantes e a mística da Luz

May 13, 2016
Marc Libiano

Marc Libiano Pijoan, jornalista desportivo actualmente no Diário de Tarragona. Apaixonado pelo desporto em geral e pelo hóquei em particular.

É seguramente difícil encontrar um cenário com mais mística que o pavilhão da Luz para eleger o novo Campeão da Europa. No imenso recinto lisboeta, os quatro aspirantes, recheados de estrelas virtuosas, olham-se olhos nos olhos numa Final Four de luxo. Barcelona, Benfica, Forte dei Marmi e Oliveirense têm encontro marcado este fim-de-semana. Os quatro cumpriram o trajecto com muito mérito e aspiram ao trono, o mais apetecível do hóquei mundial.

Não existe competição mais deslumbrante e atraente que a Liga Europeia. Aqui exibem-se os jogadores mais talentosos do momento. Por isso, os quatro eleitos sentem o privilégio dos holofotes, num fim-de-semana em que são escrutinados por milhares de olhos.

Luz, à noite; na Final-4 estará cheia

Barcelona e Benfica, as equipas mais completas do planeta, cruzam olhares numa semifinal superlativa. Duas maneiras distintas de entender o hóquei lutarão pela hierarquia do jogo. Por um lado, o “sair e disfrutar” extremamente português do Benfica e, por outro, a ordem militar do Barcelona. O excesso de talento torna-se o denominador comum dos protagonistas. O Benfica enche mais as medidas, fazendo da anarquia uma virtude boémia e descomunal. Ricard Muñoz, por outro lado, conseguiu um propósito que parecia utópico. Que a sua constelação de jogadores se entregasse ao compromisso defensivo. Desta contradição de estilos saírá o primeiro finalista.

Oliveirense e Forte dei Marmi têm vocação para o ataque. Com matéria-prima esmagadora na arte ofensiva. Em muitas ocasiões perdem-se na desordem, mas tal torna-se agradável de apreciar. São duas equipas agradáveis. Qualquer amante deste jogo perde várias horas para os poder admirar. Não estiveram em muitas finais a quatro em toda a sua história, e esse entusiasmo desmesurado pode mover montanhas. Não têm pressão e isso torna-os extremamente perigosos.

A festa do Barcelona, o ano pasado

As figuras em cartaz obrigam os adeptos a comprar bilhete. Se Gual, Panadero e Egurrola se habituaram a levantar o título europeu, Torra, Adroher, Nicolia e João Rodrigues, a primeira linha de fogo benfiquista, aspira a levantar o troféu diante dos seus adeptos. É a pressão do anfitrião diante da monotonia do eterno favorito. Dois projectos gigantescos para uma coroa.

Do outro lado, o incombustível Pedro Gil, vestido com os entusiastas Torner e Cancela, lidera o conjunto italiano mais poderoso do momento. Por outro lado, ninguém consegue colocar um ponto final na carreira de Carlos López, sempre num nível espantoso apesar de fazer anos como qualquer ser humano. Caio, Barreiros, Moreira e o cerebral Albert Casanovas compõe a coluna vertebral do outro aspirante luso. Sobram aliciantes.

A Luz - e a sua mística - recebe quatro gigantes.

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