Notícia

Hóquei em Patins à beira de perder estatuto em França

Mar 29, 2017

Nos últimos dias, o mundo do Hóquei em Patins foi abalado pela notícia de que a modalidade poderia perder o estatuto de Alta Competição ("Haut Niveau") em França. E, pelos critérios definidos pelo Governo francês, irá mesmo perdê-lo...

A última esperança dos adeptos franceses passa pela complacência do Governo, estando a ser promovida uma petição que se propôs reunir pelo menos 7500 assinaturas [ver link abaixo, sendo que quanto mais assinaturas melhor...] para, com o impacto mediático que o número elevado de subscritores possa vir a ter, sensibilizar o ministro com o pelouro do Desporto, Patrick Kanner.

No Europeu de Sub-17, no Luso

A perda do estatuto teria necessariamente consequências nefastas no desenvolvimento da modalidade em França, onde particularmente nos escalões jovens, é reconhecido um excelente trabalho. Alguns dos pontos mais negativos são apontados na petição: a perda de condições de preparação das Selecções para os grandes eventos, e até a participação desta; a diminuição ou desaparecimento de subsídios de organismos regionais; a crescente dificuldade para conseguir sponsorização; ou a perda de estatuto dos próprios atletas, que ficariam sem financiamentos ou reduções fiscais previstas.

Critérios rígidos

Face aos novos limites no orçamento francês para o Desporto, o Conselho Nacional do Desporto - que é responsável pela atribuição do estatuto - redefiniu os critérios, passando a obrigar a que haja um mínimo de 30 nações (de pelo menos 4 continentes) presentes no Campeonato do Mundo da modalidade que se propõe ao estatuto, ou, caso este não seja cumprido, que a classificação no Mundial tenha sido pelo menos um quarto lugar entre um mínimo de 15 selecções.

As modalidades olímpicas têm o estatuto de forma automática.

Os critérios são analisados em cada olimpíada, períodos de quatro anos entre jogos olímpicos. O Hóquei em Patins renovou o estatuto que teve na olimpíada de 2008-2012 para a de 2012-2016, mas na altura o critério não previa a perda de estatuto para quem já o tinha. Agora, nova renovação afigura-se complicada...

Os novos critérios foram publicados em Junho de 2016, com indicação que seriam para respeitar escrupulosamente, e o Director Técnico Nacional, Hervé Lallement, já terá recebido a informação indesejada.

A esperança é que o despacho ministerial a oficializar a decisão ainda não foi publicado.

Carlo Di Benedetto em luta com Matías Platero no último Mundial

Assim que foram conhecidos os critérios, o presidente da Federação Francesa de Desportos de Patinagem (FFRS), Nicolas Belloir reuniu com o Secretário de Estado, Thierry Braillard, para defender o estatuto do Hóquei em Patins (e também da Patinagem Artística). Mas, como refere a própria FFRS, "o não-cumprimento dos critérios é claro". E está já prevista uma reunião - a realizar nas próximas semanas - para definir o futuro das Selecções não reconhecidas como de Alta Competição.

O Hóquei em Patins francês

A França tem-se aproximado das três potências europeias da modalidade, Portugal, Espanha e Itália, e consolidado como "quarto grande", mormente nos escalões mais jovens.

A nível de clubes, a França esteve representada por três equipas em cada uma das provas europeias: Merignac, Quevert e La Vendeenne na Liga Europeia, Saint-Omer, Ploufragan, Coutras na Taça CERS e Noisy, Merignac, Coutras na Liga Europeia feminina. E com resultados e exibições interessantes.

Nas Selecções, terminou nos quatro primeiros nas últimas quatro edições dos Europeus de Sub-20 (que se realizam de dois em dois anos), incluindo dois pódios. No mesmo período (depois de 2010), a França foi duas vezes vice-campeã do anual Europeu de Sub-17, tendo terminado nos últimos dois anos no pódio.

Quevert defrontou o Sporting na fase de grupos da Liga Europeia

Já no último Europeu de seniores, os gauleses foram surpreendidos pelos suíços nos quartos-de-final e terminariam em quinto, quando se esperava mais... Nos últimos Mundiais, a França "saltou" de um oitavo lugar em Angola para um sexto conquistado em casa em 2015, depois de ter perdido com a campeã do Mundo Argentina e a campeã europeia Itália. Os gauleses ficaram aquém do quarto lugar que garantia o estatuto de Alta Competição, mas estariam longe de imaginar que nesse Campeonato do Mundo que foi um sucesso na organização e na divulgação, estaria muito mais em jogo que uma "mera" classificação...

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