Notícia

«O Sporting foi o prejudicado»

Oct 05, 2014

No final do derby que terminou com a vitória do Benfica por 3-2, Nuno Lopes foi incisivo nas críticas à dupla de arbitragem, apontando em particular as duas primeiras grandes penalidades a favor do Benfica – que resultaram em dois golos – e os minutos após a nona falta encarnada. Os leões só tinham quatro faltas e chegaram à nona antes de ser apontada a décima ao Benfica. Antes falou o capitão Ricardo Figueira.

Muitos remates de longe

Ricardo Figueira: São opções em campo. Certas ou erradas são as opções que um jogador toma. Às vezes corre bem, outras vezes não corre tão bem. Hoje não acertei tanto como acertei no ano passado mas é o primeiro jogo da época, se calhar noutros vou acertar mais vezes.

Para marcar golos é preciso rematar e temos de procurar a baliza para deixar o adversário sempre intranquilo, seja a melhor opção ou não. O treinador é que pode comentar se foi correcto ou não...

O capitão Ricardo Figueira

Nuno Lopes: O treinador comenta já. Não há problema nenhum em ele rematar demais, eu tenho por vezes problemas é quando rematam de menos. E isto tem a ver com aquilo que nós conversámos, neste caso com o Ricardo. Se me disserem que ele perdeu duas bolas que não devia, acredito. Agora, ele rematar… sabem onde está o problema? É que temos de ir buscar a segunda bola. Ele tem de rematar porque é a qualidade dele. Porque ele já foi campeão do Mundo a rematar à baliza. E vai continuar a rematar à baliza. Porque no dia em que deixar de rematar à baliza, sabe o que lhe vai acontecer? Vai sentar-se no banco. Não tem hipótese nenhuma. Porque eu não lhe vou dar hipótese de ele não rematar à baliza.

O capitão e a justiça (ou injustiça) no resultado

Ricardo Figueira: Pode ser visto de duas maneiras. Da nossa parte, depois de tudo o que conseguimos fazer para equilibrar o jogo e tendo sofrido dois golos de bola parada, acaba por ser um resultado um bocado injusto. O Benfica é uma equipa já formada e alguns deles já com muito tempo juntos. Nós somos uma equipa que se está a formar e viemos aqui dar uma imagem que nos deixa alguma ilusão para o resto da época. Por isso, no final, se o resultado é justo ou se é injusto… se tivéssemos feito os dois golos de bola parada, estávamos aqui com outra cara e com outro espirito. Isso não aconteceu e cá estaremos para a semana.

As opções do banco

Nuno Lopes: O Poka tem uma semana de treino, infelizmente. Não tinha neste momento ainda ritmo para um jogo em que tinha de defender muito e a estratégia do jogo era essa, era defender, apelar ao sofrimento da equipa. E tínhamos de ser mais rápidos do que eles. O Ricardo Figueira esteve tão bem que eu não precisei de utilizar o Carlitos hoje. E o Bekas não tem como característica esse tipo de trabalho [defensivo].

Ângelo Girão evita de forma espectacular o golo de livre directo de Nicolía

Melhor na defesa, menos bem no ataque

Nuno Lopes: Não é fácil atacar com um mês de treinos. Uma equipa com sete jogadores novos, montar esta equipa para chegar à Luz e atacar... cabia-nos ser humildes e fomos humildes. E viemos exactamente fazer isso: defender. Saber defender. Falhámos um ou outro pormenor, mas os pormenores mais importantes não os conseguimos controlar. Paciência.

Falhas na concretização

Nuno Lopes: O ano passado viemos aqui e fomos encostados. Hoje, mesmo encostados, conseguimos reagir e conseguimos sair da toca do leão e estar aqui a discutir o jogo ombro-a-ombro com o Benfica. Acho que o guarda-redes do Benfica também esteve bem. Conseguiu tirar-nos momentos-chave do jogo, tal e qual como o nosso guarda-redes tem ali um lance de dois-para-um ao segundo poste em que conseguiu agarrar o jogo nessa altura. É o jogo em si. Mas o jogo em si tinha de ser feito de outra forma.

João Pinto é o maestro ofensivo deste renovado Sporting

Os livres directos

Nuno Lopes: Analisámos muito o último jogo e eu suspeitava que o Benfica trocava de guarda-redes. E no primeiro livre procurámos um sítio na baliza em que o guarda-redes teve mérito e fechou. Havia outro sitio na baliza que ficou aberto e eu optei pelo Ricardo naquele segundo livre, até porque o Ricardo foi aquele que o ano passado mais livres directos marcou. Só que tínhamos uma estratégia diferente para este jogo. Sabíamos disso, treinámos para isso mas não conseguimos ser mais eficazes nas bolas paradas. Sabemos que as bolas paradas são uma coisa muito importante. O que o Valongo na semana passada teve engenho para fazer, nós hoje aqui não conseguimos. Mas não foi por isso que se perdeu o jogo.

A falta de Nicolas Fernández

Nuno Lopes: O Nico tem uma semana. Chegou na segunda-feira com uma viagem de 22 horas. Num jogo destes, onde tínhamos de defender e de recorrer a um esquema de jogo que vinha de trás, optei por guardar o Nico para uma melhor altura, sabendo que também não utilizei outros. Aqueles que utilizei foram aqueles que garantiam a melhor estratégia. E acho que a melhor estratégia era esta que nós definimos hoje aqui. Agora, claro, não conseguimos meter as bolas paradas e lutámos contra outros.

André Moreira fixou o resultado final ainda cedo na segunda parte

Os momentos do jogo

Nuno Lopes: Já o ano passado vim aqui e disse exactamente a mesma coisa. E depois o meu colega, Pedro Nunes, disse que nós temos o hábito de nos queixarmos. E nós queixamo-nos. Nós, Sporting, temos de nos queixar. Porque não é justo. Voltou a não ser justo outra vez. E eu vou falar dos árbitros porque eles pertencem ao jogo. Eles empurraram-nos hoje. Agora, é logico que o Sporting é muito grande, tem outras vozes para falar e vai falar com certeza mas hoje o jogo foi televisionado e nós vamos ver o jogo e vamos discutir. E, se por acaso acontecer, que eu ainda não vi as imagens, os árbitros terem razão, eu dou razão aos árbitros. Aquilo que eu vi no jogo, foi que o primeiro penalti é apontado porque o Girão tocou na bola. E não tocou na bola! E com os penaltis ficámos a perder 2-0. Há mérito no penalti? Claro que há mérito! O João Rodrigues teve todo o mérito em marcar os penaltis de uma forma exemplar. Mas depois, na parte final, quantas jogadas houve daquelas do último penalti do Benfica na área do Benfica? Quantas houve durante o jogo todo? Há um livre claro, quando o Benfica tem nove faltas, vejam nas imagens. Um livre claro sobre o André Moreira em que o árbitro transforma numa falta contra nós. Era cartão azul, livre directo para nós e o Benfica continuava com nove faltas. Pergunto se o árbitro viu bem? Não viu bem, claro que não viu bem. Quem foi prejudicado? O Sporting foi o prejudicado. E eu não tenho problema nenhum em dizer: nós perdemos hoje aqui o jogo porque os árbitros nos empurraram para a derrota. É um exagero. Para quem luta muito, é um exagero. E não devia ser assim. Sabe porquê? Treinam pouco. Nós treinamos muito. Para chegarmos aqui ao Benfica e lutarmos assim, de igual para igual, treinamos muito. Eles não treinam. Depois fazem isto.

Tiago Losna vê o azul e o jogo fica três-para-três

O cartão azul ao Tiago Losna quando o Benfica fica a jogar com três é incrível. O árbitro que diga o que é que o Tiago lhe disse para ser expulso. Cartão azul! Claro, três-para-três. A quatro minutos do fim... nós falhámos um livre directo mas tínhamos mais uma possibilidade de encostar o Benfica. Podíamos não ganhar o jogo, mas o que é que o Losna disse? Eu sei o que é que ele disse mas o árbitro que diga... claro que eu não vou dizer, é a minha reserva. O árbitro tem de vir aqui dizer. Falo eu, fala o treinador do Benfica, os árbitros não falam porquê? Não falam porque não podem falar... é mais fácil passar na penumbra. E depois dizemos que os juízes estão para analisar os jogos e têm de passar ao lado. É o que indicam aos árbitros. Mas não passaram ao lado do jogo. São sempre os protagonistas do jogo. Como é que podem ser sempre os mesmo protagonistas?

O segundo penalti

Nuno Lopes: Não há falta. Nós tínhamos de calcular que aquilo ia ser falta. Perdemos a bola e não devíamos mas depois o jogo continua... e é que não há falta. E dá mais um penalti. E, a ganhar 2-0, uma equipa como a do Benfica, a jogar em casa perante o seu público, fez o que tinha a fazer. Como nós também fizemos: fomos atrás do prejuízo. Lutámos de igual para igual, ou melhor, lutámos com as nossas armas. O de igual para igual... é subjectivo.

A possível reacção de Bruno de Carvalho

Nuno Lopes: Não tenho receio. Porque eu falo pela voz dele. É ele que se queixa dos árbitros? Hoje tem aqui um treinador a queixar-se exactamente dos árbitros. Se ele não se queixasse dos árbitros e das injustiças, e eu viesse dizer uma coisa contrária, não estávamos a falar na mesma voz. Eu ontem ouvi a entrevista dele na Sporting TV e digo mais ainda. Concordo a 100% com aquilo tudo! Vejam bem no patamar em que eu estou.

Nuno Lopes

Expectativas para a época

Nuno Lopes: O patamar é este que nós vimos aqui. É lutar nos jogos todos até à exaustão. É lutar com todos os adversários. Sabemos que este jogo traz uma força diferente e uma maneira diferente de ver o jogo. Pela moldura humana não há duvida nenhuma de que o Benfica nos respeitou, soube vir a este jogo e nós tivemos uma postura super-correcta que nos lança para o campeonato. Este jogo, para mim, já passou. Há que analisar este jogo e depois dar a volta a isto. Porque nós também tivemos erros. Mas, no calor da luta, estar calado, não dizer nada ao árbitro...

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SL Benfica
3 : 2
4 Out 18h00
Sporting CP
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