Notícia

CSD premeia 'Las Rojas' de 2017... mas 2018 foi ainda melhor

Jan 10, 2019

Foto de capa: Real Federación Española de Patinaje

A Real Federação Espanhola de Patinagem, pela prestação das suas selecções absolutas – feminina e masculina – de Hóquei em Patins, recebeu esta quinta-feira a Copa Barón de Güell do Conselho Superior dos Desportos, autoridade máxima desportiva em Espanha.

Os prémios do Conselho Superior dos Desportos, ainda relativos a 2017, foram entregues no Palácio Real do Pardo pelos reis Felipe VI e Letizia, acompanhados de Juan Carlos e Sofia, sendo que a Copa Barón de Güel é destinada a premiar equipas ou selecções nacionais que mais se tenham distinguido pela sua actuação desportiva durante o ano.

Numa cerimónia em que estiveram presentes os seleccionadores Alejandro Dominguez e Ricard Ares, os capitães Natasha Lee e Pau Bargalló receberam a Copa das mãos da Rainha Letizia

Em 2017, as selecções absolutas do país vizinho conquistaram os respectivos Campeonatos do Mundo, na primeira edição dos World Roller Games, que teve lugar em Nanjing, na China.

Mas, se 2017 foi bom para o Hóquei patinado espanhol, com a conquista destes dois títulos nas selecções e dois a nível de clubes (Ligas Europeias masculina pelo Reus e feminina pelo Voltregà), que dizer de 2018?

Um 2018 de pleno das selecções

O ano de 2018 foi perfeito para as selecções espanholas, conquistando as cinco provas em disputa. Será preciso recuar até 1979 para encontrar paralelo num pleno de conquistas e, à época, só foram disputadas duas provas. A Espanha conquistaria o Europeu absoluto e o Europeu de Sub-20, feito que Portugal lograra quatro anos antes.

O figurino actual de grandes competições para as equipas europeias vem de 2003, quando se começou a disputar o Campeonato do Mundo de Sub-20, perfazendo nove grandes provas: Campeonatos do Mundo Masculino, Feminino e Sub-20, Campeonatos da Europa Masculino, Feminino, Sub-20 e Sub-17, a Taça Latina (Sub-23) e a Taça das Nações (Torneio de Montreux).

Nestes 16 anos do actual figurino, foram disputados pelo menos cinco troféus por ano [em 2003 disputaram-se sete e em 2005 seis] e 2018 foi o primeiro em que se viu um pleno. Em ano de provas continentais, a Espanha conquistou a Taça Latina, Europeu Masculino, Europeu de Sub-17, Europeu de Sub-20 e Europeu Feminino.

Portugal terminou 2015, 2016 e 2017 com cinco dos títulos em disputa em sua posse, mas sem lograr mais de três títulos num mesmo ano. Tal conseguira em 2003, com a conquista dos Mundiais Masculino e de Sub-20, do Europeu de Sub-20 e da Taça Latina.

A estes cinco títulos conquistados em 2018, a Espanha junta a “posse” dos Campeonatos do Mundo absolutos, entrando em 2019 sem ser detentora de apenas dois troféus: a Taça das Nações, que a Argentina conquistou em 2017, e o Mundial de Sub-20, que está na posse de Portugal desde 2013. E estas são as duas próximas grandes provas em agenda. Caso levante os troféus em Montreux a 21 de Abril e em Barcelona a 7 de Julho, a Espanha possuirá, num mesmo momento, pela primeira vez na História, todos os títulos possíveis para uma selecção europeia de Hóquei em Patins.

Do ano negro de 2014 a um brilhante 2018

A história do sucesso espanhol tem um prefácio negro. Em 2014, ano de Mundial Feminino, Europeus Masculino, Sub-20 e Sub-17 e ainda de Taça Latina, a Espanha não conquistou qualquer título a nível de selecções, o que não sucedia desde 1992.

O insucesso levou a alterações nos quadros técnicos, mas a retoma foi gradual. Em 2015, a selecção feminina valeu a única alegria, ao vencer – já sob o comando de Alejandro Dominguez - o Europeu, em Matera. Em 2016, a Espanha conquistou dois títulos dos cinco em disputa (Europeu de Sub-17 e Mundial Feminino), e em 2017 conquistaria outros dois, os tais Campeonatos do Mundo agora premiados pelo Conselho dos Desportos e a Casa Real.

Espanha terminou 2018 com sete títulos, tal como em 2007. Então escapavam-lhe os títulos femininos Europeu (da Alemanha, que venceu em 2007) e Mundial (que o Chile conquistara em 2006).

O pleno de 2018 começou no início de Abril com a reconquista da Taça Latina, em Saint-Omer, numa demonstração categórica do seleccionado de Sub-23, às ordens de Alejandro Dominguez, que até se daria ao luxo de perder o derradeiro jogo, com a anfitriã França. Seria a única derrota das selecções “rojas” em 2018.

Seguiu-se o Campeonato da Europa Masculino, em Junho, na Corunha, também com Alejandro Dominguez como timoneiro, culminado com uma conquista que escapara em 2014 e em 2016, tal como na Taça Latina.

O argentino Alejandro Dominguez, agora treinador do Benfica, esteve em cinco dos 10 títulos espanhóis desde 2014.

Já em Setembro, foi a vez dos escalões de formação recuperarem títulos perdidos. Os Sub-17 de Jordi Boada venceram em Correggio depois de terem visto o título escapar no ano anterior e os Sub-20 de Sergi Macià reclamaram em Viana do Castelo um ceptro que não era seu desde 2006!

Finalmente, em Outubro, num Europeu Feminino que até meteu tempestades, Ricard Ares e as suas jogadoras defenderam com sucesso na Mealhada um título que fora conquistado três anos antes e que é espanhol desde 2009.

Nova prova ‘trama’ pleno de clubes

Mas o “renascido" Hóquei em Patins espanhol não se reflectiu apenas nas conquistas de selecções. Também a nível de conquistas de clubes, a Espanha recuperou uma hegemonia que os clubes portugueses – Benfica, Óquei de Barcelos, Oliveirense e Sporting – contrariaram nos últimos anos.

De facto, no figurino de competições que vigorou entre 2007 e 2017 (Liga Europeia, Liga Europeia Feminina, Taça CERS, Taça Continental e Taça Intercontinental), a Espanha já fizera o pleno nas provas europeias em 2007, 2008, 2009, 2010 e 2014, juntando-lhe ainda a Intercontinental em 2008, 2010 e 2014.

Neste ano de 2018, com a conquista de novo das quatro provas continentais - Liga Europeia e Taça Continental (Barcelona), Taça CERS (Lleida) e Liga Europeia Feminina (Gijón) – e da Taça Intercontinental pelo dominador Barcelona, o pleno total falhou apenas porque o ano desportivo ficou marcado pelo aparecimento da Taça Intercontinental Feminina, que sorriria às argentinas do Concepción.

Vitória das argentinas do Concepción na nova Intercontinental feminina impediu pleno total.

Apesar dos clubes do país vizinho serem, desde sempre, claros dominadores das provas de clubes, há duas excepções históricas a merecerem relevo, ambas com cunho luso.

Em 1991, os clubes portugueses conquistaram as quatro provas europeias disputadas. O Óquei de Barcelos venceu a ainda Taça dos Campeões Europeus e a Taça Continental, o Benfica venceu a Taça CERS e o Sporting a Taça das Taças. Uma época áurea rematada com a conquista da Taça Intercontinental pelos barcelenses, já em 1992.

Antes, o pleno luso só acontecera no histórico ano de 1977, primeiro em que se quebrou a série de conquistas espanholas, quando – só com duas provas em disputa - o Sporting ganhou a Taça dos Campeões e o Oeiras a Taça das Taças.

Inline content
Ficha Técnica
Estatuto Editorial
Contacte-nos
BackOffice
Política de Privacidade