Vamos Falar de Hóquei em Patins

«Ainda nos mantemos 'meio vivos', porque à volta do Hóquei há uma série de malucos...»

Apr 09, 2020

A completar a sua quinta temporada em Portugal e no Futebol Clube do Porto, Guillem Cabestany conquistou a admiração de muitos pela sua visão apaixonada do jogo e da modalidade, mas também de uma nova forma de abordar as partidas e a preparação destas, tornando-se uma referência no Hóquei em Patins português.

Quando foi decretada a interrupção, Cabestany estava a preparar o Clássico com o Benfica na Luz e, tendo muita vontade de realizar essa partida - fundamentalmente porque seria um sinal de melhoria a todos os níveis -, afirma que, agora, "as prioridades são outras". "É preciso que aja retoma a nível de saúde e a nível económico, e depois pensaremos no desporto", vinca, afirmando-se consciente desde o início desta crise que o regresso será complicado de acontecer. "Até que haja uma luz ao undo do túnel, acho que é quase absurdo estar a pensar nisto".

Ainda que relutante em abordar o tema do regresso, refere que o treino, por mais que até se vá acompanhando nas redes sociais, não é a mesma coisa, e a preparação não será a ideal. "Podíamos regressar e jogar no dia seguinte, mas devíamos ter uma mini-pré-época de duas ou três semanas antes de jogarmos os jogos necessários no calendário que for definido".

No "seu" Porto, Guillem Cabestany tem um plantel de seis nacionalidades (quatro portugueses, dois catalães, um argentino, um italiano, um francês e um colombiano), mas não aponta problemas de comunicação. Outro "problema" será a limitação a cinco não seleccionáveis para 2021/22, que o Porto não cumpre para já, mas que tem sob o seu radar.

De resto, desde o primeiro dia que Cabestany sentiu a preocupação do Porto em olhar primeiro para os jogadores portugueses, mas a qualidade acaba por ser um critério decisivo. Quanto à entrada de jogadores jovens tem para o técnico catalão um "percurso lógico" de empréstimo e regresso. Nos empréstimos, como acontece esta temporada com Hugo Santos, por si, o "emprestado" jogaria contra a "casa mãe". Ainda que Cabestany perceba a "batota legal" dos dirigentes para que não joguem.

A formação não acompanha tanto como gostava, sendo espectador atento quando pode ir aos treinos do filho Guillem, Sub-9. Numa realidade diferente da simplicidade do basquetebol, que a filha Maria pratica, aborda a logística complicada do Hóquei em Patins, entre horas de disponibilidade de pavilhões, em três pavilhões diferentes, e, transversalmente, na questão das infraestruturas, não sendo possível dispor as tabelas como se pretende.

Na modalidade em geral, aponta um crescimento necessário na organização, formação, organização dos campeonatos, do sistema arbitral... e, apontando para a entrevista do HóqueiPT a Tikinho, que o prendeu ao ecrã apesar de - até àquele momento - lhe ser desconhecido, reitera que falta gente com capacidade e qualidade para dirigir o nosso desporto.

Fundamental é a necessidade de melhorar a imagem televisiva das partidas, para cativar mais gente. E é necessário melhorar o trabalho que se faz durante o ano nas competições nacionais e internacionais de clubes, para que haja repercussão constante na comunicação social e não apenas quando há compromissos de selecções, como indicado por alguns consultados sobre Europeus e Mundiais de quatro em quatro anos. Esses, advoga, deveriam ser grandes eventos, e ter mais repercussão e mais importância do que têm hoje. "Se o pavilhão não enche na final do Campeonato do Mundo, na Catalunha!, alguma coisa estamos a fazer muito mal".

Também importante seria tirar polémica ao jogo. A possibilidade do guarda-redes se mexer ao apito teve um sucesso retumbante na Elite Cup, sem qualquer queixa de um momento que - da maneira que estão as regras - deveria terminar com a expulsão de todos os guarda-redes. "Todos se mexem". Outro momento polémico, que podia ser evitado, é o do contacto da bola com o patim. Para Cabestany, permitia-se, deixaria de haver subjectividade de análise pelos árbitros e, garante, o jogo não seria desvirtuado. Apensa surgiriam novos desafios.

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