Notícia

Parede e Alenquer jogam sob espectro de dupla derrota regulamentar

Nov 14, 2020

Uma inusitada marcação sem hora no anúncio da nomeação de Jorge Carmona e José Martins para o embate entre Parede e Alenquer indiciava que alguma coisa não estaria bem. E Ricardo Costa, responsável pelo Hóquei em Patins na Comissão de Gestão do Sport Alenquer e Benfica, confirmou a suspeita.

"Acreditamos que o jogo que vamos realizar está ferido de legalidade”, adiantou ao HóqueiPT. “E tememos que, e já avisámos a Federação de Patinagem de Portugal e o Parede, possa ser averbada uma derrota às duas equipas", lamentou.

A questão prende-se com os timings para a marcação do jogo entre o líder e o sexto classificado da Zona Sul da II Divisão. "O jogo foi marcado pelo Parede esta quinta-feira às 20h e formalmente marcado pela federação esta sexta-feira por volta das 15h, 16h", confirmou-nos Ricardo Costa.

Em causa estão os timings para a alteração das horas do jogo. Reconhecendo a argumentação – pelas restrições vividas actualmente no país e em particular em 121 concelhos (entre os quais se inclui Alenquer e Cascais, a que pertence a Parede) - para tal como válida, não deixa de ferir o ponto 3.1 do artigo 76º das “Normas relativas ao calendário e horário dos jogos e restrições à sua alteração” do Regulamento Geral de Hóquei em Patins, que refere que a alteração tem de ser comunicada “com um mínimo de setenta e duas horas de antecedência relativamente à hora inicialmente fixada para realização do jogo”. Segundo o ponto 6 do mesmo artigo, a pena é “uma falta de comparência e a correspondente derrota às duas equipas em questão”, justificando os receios de Ricardo Costa.

Regulamento estipula um prazo de 72h para se comunicar novos horários para jogos. Infracções são punidas com derrota para as duas equipas.

Na reunião de terça-feira entre os clubes da II Divisão e a FPP em que foi comunicada a necessidade de alteração dos jogos, foi estabelecido um prazo até às 18h de quarta-feira para se comunicar novo horário ou data. Entretanto, no Alenquer, um caso positivo deixou o plantel de sobreaviso. E em casa na quarta-feira, treinando a meio gás, depois de conhecidos os casos negativos, na quinta.

Face à incerteza, terá sido informalmente definida a data de 8 de Dezembro para a realização do encontro, tendo o Alenquer solicitado o adiamento. A resposta federativa tardou a chegar, mas legitimava a alteração caso houvesse concordância dos clubes, apesar de alertar desde logo para prazos que deviam ser cumpridos. E que já estavam ultrapassados.

A notícia de testes negativos precipitou o Parede – com um percurso imaculado de cinco vitórias em outros tantos jogos - para a definição das 11h já deste sábado como hora do jogo, ainda que sem concordância dos alenquerenses. A federação aceitou o novo horário e comunicou-o aos clubes. Fora do prazo.

Gato escaldado…

Com uma federação assumidamente dialogante e de bom-senso, não estará Ricardo Costa a ser demasiado estrito na interpretação dos regulamentos?

O rigor e o receio do dirigente do Alenquer compreende-se à luz de uma decisão de Março de 2019, quando as equipas de Sub-20 do Alenquer e da Física foram punidas com dupla falta de comparência depois de terem acordado nova data para um jogo por o árbitro não ter aparecido na data inicial.

Na altura, o vice-presidente federativo para o Hóquei em Patins, Vítor Ferreira, anuiu à alteração do jogo, mas o regulamento – que obrigava à realização do jogo mesmo sem o árbitro inicialmente indicado - falou mais alto e as equipas acabaram penalizadas, com claro prejuízo para a equipa de Torres Vedras.

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