Notícia

Aí estão os Nacionais Jovens

Feb 21, 2015

Arrancam este sábado os nacionais jovens da época 2014/15.

São 96 equipas em representação de 43 clubes, com os quatro campeões a dizerem presente para defender o título conquistado na última época.

Esta temporada marca o fim das Final Four, passando o campeão a ser decidido num minicampeonato a duas voltas entre as quatro melhores equipas de cada escalão, que decorrerá entre 27 de Junho e 12 de Julho em jornadas duplas durante três fins-de-semana consecutivos.

Totalistas

Havendo outros clubes que apuram todas as equipas que tinham em competição, são oito os emblemas que logram colocar equipas nos Nacionais de todos os escalões. Desde logo, os “grandes” do desporto nacional FC Porto, SL Benfica e Sporting CP, a que se juntam os históricos do hóquei patinado Oeiras e Paço de Arcos e os clubes que tão boa conta de si têm dado na formação, Valongo, Mealhada e Turquel.

Valongo e Braga decidiram o campeão de Sub-20 em 2013/14

O Porto, que retoma a designação depois de dominar na designação “Dragon Force”, procura recuperar o elã de outras épocas em que os sucessos eram constantes nos diferentes escalões. Na última época, apenas os Sub-15 chegaram à decisiva Final Four (sub-13?) mas não deixaram escapar o título numa reviravolta épica frente ao rival Sporting, culminada na lotaria dos penaltis.

O Benfica defende o título de Sub-13 e procurará recuperar os títulos de Sub-20 e de Sub-17, perdidos em 2013/14 quando eram apontados como favoritos à revalidação. Para José Trindade, presidente da secção das águias, é preciso ir com calma. “Os objectivos passam por atingir a Final Four e depois logo dimensionamos”, referiu ao HóqueiPT, destacando as últimas duas temporadas. “Em dois anos consecutivos conseguimos apurar quatro equipas ainda na primeira fase do regional”, relembra.

O Benfica não conseguiu revalidar os títulos de Sub-20 e Sub-17. Ganhou em Sub-13

O Sporting teve o título de Sub-15 nas mãos mas acabou por deixá-lo fugir nas grandes penalidades para o FC Porto. Agora ataca em todas as frentes. “Este apuramento revela a nossa competência como clube formador e o regresso à liderança nesta matéria, como aconteceu nas décadas de 70/80 e 90. Aliás, é o confirmar de um dos pilares do nosso projecto”, sublinha. “Ao colocar quatro equipas nos nacionais, o Sporting cumpre os seus objectivos”, afirma, pedindo agora mais. “As aspirações são atingir a fase de decisão dos títulos nacionais. E, estando na fase final, queremos os diferentes títulos”, ambiciona.

Os campeões nacionais de 2013/14 são AD Valongo (Sub-20), HC Braga (Sub-17), Dragon Force/FC Porto (Sub-15) e SL Benfica (Sub-13)

Oeiras e Paço de Arcos marcam também presença em todos os escalões. O Oeiras surge com um crescimento assinalável e a colher frutos de uma aposta clara na formação com reflexo nos seniores. "O mais importante de tudo é estarmos a formar cada vez melhores hoquistas", refere o presidente Artur Campos com orgulho. "Neste momento, nos seniores, vamos a todos os jogos com pelo menos dois juniores, para além de termos dois seniores de primeiro ano", constata. O apuramento das quatro equipas é um feito de que Artur Campos não tem memória. "Eu não me lembro de nos últimos 15, 20 anos termos o apuramento de todas as equipas para os Nacionais. É um facto histórico", sublinha. A aposta do Oeiras foi clara com a incorporação de Jaime Santos nos escalões base do clube. "Desde que veio, revolucionou a mentalidade da formação", destaca, sem esquecer todo um grupo de trabalho. "Isto é fruto do trabalho do Jaime Santos, complementado com o trabalho dos outros treinadores. No fundo resulta de um foco colectivo. Tem de ser um trabalho dividido por todos", explica. Numa evolução gradual, a equipa da Linha vai encontrar agora dificuldades de apuramento para a segunda fase. "As aspirações são limitadas até porque o Benfica e o Sporting lideram e depois há o Turquel ou o Paço de Arcos que continua a ter uma grande formação", analisa.

O Sporting quer regressar às conquistas e à liderança na formação

Tendo passado por alguns momentos de menor fulgor, o Paço de Arcos, agora presidido por Marco Afonso, procura recuperar o seu estatuto nos escalões de formação. "Agora, o que queremos é que todas as equipas passem para a segunda fase do Nacional. Temos equipas competitivas a esse ponto", orgulha-se, elevando as expectativas. "Esperamos que nestes escalões, em pelo menos dois ou três ,consigam ir à fase final do Nacional", ambiciona. "É importante para que as pessoas continuem a ver que o Paço de Arcos é uma grande escola de formação e que continua a levar equipas às principais competições do hóquei em patins.

Somos um clube que tem a obrigação de ter sempre as equipas todas a disputar o Nacional", exulta.

O inédito campeão nacional de Sub-20, Valongo, manteve a sua estrutura e é forte candidato à revalidação do título, com alguns jogadores que também foram coroados campeões nacionais de seniores numa época memorável.

Já o HC Mealhada vive uma época conturbada a nível sénior, a ter de refazer a sua equipa quase na totalidade depois do regresso à II Divisão, mas continua a desenvolver um excelente trabalho na formação na zona Centro do país.

Um empolgante Clássico entre Porto (Dragon Force) e Sporting definiu o campeão de Sub-15

O exemplo da Aldeia

Ao falar-se de formação, Turquel é um, mais do que um lugar, um conceito incontornável. Na actual equipa sénior que caminha tranquila na I Divisão, apenas três jogadores não cumpriram formação no clube. E a larga maioria dos formados no clube são mesmo originários da aldeia de pouco mais de 4000 habitantes do concelho de Alcobaça, onde todos os anos entram dezenas de novos atletas para os escalões de iniciação.

O Turquel, pertencente à Associação de Patinagem de Leiria, disputou os regionais integrado na AP Lisboa (tal como a AP Ribatejo) face à escassez de clubes na região. "Tivemos de nos adaptar a outra realidade, principalmente em termos logísticos, de deslocações, etc…", começa André Luís, co-coordenador do hóquei formativo por ressalvar. Mas o também capitão dos seniores vê vantagens que superam largamente estas dificuldades. "Congratulamo-nos com o facto de estarmos inseridos num Campeonato Regional tão competitivo, juntamente com equipas de diversas Associações, o que nos dá um ritmo competitivo muito elevado e nos deixa mais próximos de conseguirmos a melhor preparação para o grande objectivo da época, que é a prestação ao Nacional. Aumentámos exponencialmente o nosso nível de competitividade, jogamos regularmente com adversários diferentes e que nos apresentam dificuldades que não teríamos jogando só com clubes da Associação de Leiria", explica. Uma situação para manter? "Neste momento, por todas as razões que referi anteriormente, preferimos Lisboa e qualquer retrocesso na organização em vigor dos quadros competitivos regionais seria um 'passo atrás' para nós", frisa.

Os Sub-20 do Turquel foram quartos em 2014

Também Nelson Lourenço, que a par de André Luís coordena um hóquei formativo com demasiados atletas para um coordenador só, é a favor desta associação a Lisboa. "É importante para Leiria. Acredito que haja alguns clubes em Lisboa que não vejam isto com bons olhos, mas acho que é importante", reitera, ainda que na primeira fase do Regional haja poucas diferenças. "É uma decisão geográfica e podemos ficar mais ou menos na mesma, mas na segunda Lisboa não tem mais do que 3, 4 equipas fortes por escalão. Se aparecer mais uma ou outra de Leiria, outra do Ribatejo, dá um leque de 6, 7 equipas. É benéfico para todos em termos de competitividade ainda que haja a desvantagem da questão financeira e das viagens", reconhece.

O apuramento das quatro equipas é importante. "É o culminar de um trabalho que se faz ao longo dos anos. Não apenas ao longo da época corrente, mas de vários anos", aponta Nelson Lourenço em sintonia com André Luís. "Funciona como barómetro para nos guiarmos e analisarmos o trabalho que fazemos ano após ano", refere o capitão dos seniores. "Contrariamente a outros clubes, não damos muito valor à disputa dos títulos de Campeão Regional, sem menosprezo para quem o faz e muito menos para a competição, apesar de termos apurado todas as equipas para os apuramentos de campeão. Ainda assim preferimos que nessa fase as nossas equipas e os nossos atletas ganhem 'arcaboiço' para chegarem mais fortes e mais preparados aos Nacionais", explica André.

Um viveiro de jogadores. Aqui com Jaime Santos, do Oeiras

Agora o objectivo é ir o mais longe possível. "Tudo faremos para mostrarmos a qualidade da nossa formação e levar bem longe o nome do nosso clube", expõe André Luís, descrevendo os objectivos de cada equipa.

"Estabelecemos metas diferentes para os diferentes escalões. Nos Sub-13 queremos chegar à Prova 2 e depois pensar um pouco mais alto; nos Sub-15 queremos fazer o melhor a cada jogo e tentar ser mais consistentes; nos Sub-17 queremos chegar à Prova 2 e lutar pela prova seguinte e nos Sub-20 queremos passar à Prova 2, tentando depois 'importunar' os favoritos à fase final", ambiciona.

Os Sub-20 chegaram nas duas últimas temporadas à Final Four mas a vida dos atletas condiciona necessariamente as opções desportivas. "O Turquel é um clube que vive dos seus atletas e da disponibilidade destes", ressalva Nelson Lourenço, apontando a equipa de Sub-20 como exemplo. "Só temos oito juniores com o Edu Leitão e o Pedro Batista que vão sempre aos seniores. O facto de termos vários juvenis com alguma qualidade é uma grande ajuda para os juniores mas houve dois ou três jogadores que saíram por causa da faculdade. Quando chegam aos 17/18 anos, é a lei natural", conforma-se.

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