Tira-teimas em San Juan

A partir das 23h30 sobem ao majestoso palco do Aldo Cantoni a arte de 'defender a atacar' e de 'atacar a defender'. Perspectiva-se um encaixe de vontades tácticas, como aconteceu em Barcelona, agora na terceira final entre Argentina e Portugal.

Tira-teimas em San Juan

Argentina e Portugal disputam este domingo a final do 45º Campeonato do Mundo, a partir das 20h30 de San Juan, 23h30 em Portugal continental.

Este será o 32º embate entre Portugal e Argentina em Campeonatos do Mundo, com um saldo, em tempo regulamentar, de oito vitórias argentinas, nove empates e 14 vitórias portuguesas.

Quando as duas equipas se encontraram pela primeira vez, em 1960, Portugal já contava sete dos seus 16 títulos mundiais, e venceria os cinco primeiros duelos. Em 1970, no primeiro Mundial de San Juan, deu empate. Depois disso, há equilibrio com, as oito vitórias argentinas e nove de Portugal.

Há três anos, as equipas encontraram-se duas vezes, e deu dois empates. Mas, no desempate por grandes penalidades, o título foi português.

A final do blaugrana seria apenas a segunda decisão entre argentinos e portugueses. A primeira fora em 1995, no Recife, então com triunfo argentino. Esta terceira final será então uma espécie de tira-teimas para já, sendo que no cômputo global, os cinco títulos argentinos estão longe dos números portugueses.

A final será arbitrada pelo italiano Filippo Fronte e o catalão Ivan Gonzalez.

Em confronto estarão duas ideologias distintas, com um encaixe perfeito. Logo após as suas primeiras partidas, Renato Garrido advogou o "defender para atacar", ao passo que Jose Luis Paez preconizou o "atacar para defender". Nestas apologias distintas, Garrido e "Negro" resumiram a final de Barcelona. Aí, a Argentina atacou muito, mas Portugal (com Ângelo Girão à cabeça) defendeu tudo, até ao desempate por grandes penalidades coroar a selecção das quinas 16 anos depois do título de Oliveira de Azeméis.

De resto, em 10 Mundiais realizados neste milénio, Portugal soma duas conquistas contra uma da Argentina, num "mar" de triunfos (sete) espanhóis.

Na "Meca do Hóquei em Patins", San Juan, já houve cinco mundiais e a Argentina conquistou apenas um, no distante ano de 1978. Nos outros, em 1970, 1989, 2001 e 2011, o troféu acabou em mãos espanholas. "Entregar" um título ao apaixonado povo de San Juan será a maior motivação dos argentinos.

Nestes cinco mundiais do Aldo Cantoni, Argentina e Portugal só não se defrontaram em 1989, sendo que em 1970, 1978 e 2001, o duelo deu empates a dois golos. Em 2001, a Argentina levaria a melhor no prolongamento, e voltaria a levar a melhor em 2011, numa vitória por 4-3 nas meias-finais.

Para Portugal, vencer de forma inédita em San Juan será um dos "borregos" a abater, daqueles que motivam os jogadores. Noutros, há a destacar que a selecção das quinas não defende com sucesso um título Mundial desde 1993 (há 29 anos), quando venceu em Itália depois de ter vencido dois anos antes no Porto. E só uma vez venceu fora da Europa, em 1962 (há redondos 60 anos), no Chile, no coroar de um tetra que também incluiu a proeza de vencer em Espanha, em 1960, apenas repetida 59 anos depois.

O palco, com um ambiente e um entorno ímpar como se teve uma "pequena amostra" (dizem) nas meias-finais, está pronto. Que brilhem os artistas.

O cardápio do dia não se esgota na final entre Argentina e Portugal. Antes, há toda uma classificação para decidir.

Os primeiros a entrar em pista são Alemanha e Chile, a partir das 13h locais e em luta pelo 7º lugar.

Entre derrotados nos quartos-de-final, a Alemanha seria copiosamente derrotada pela Espanha (9-0), ao passo que os chilenos caíriam perante os angolanos, por 4-8, com André Centeno com a mira particularmente afinada, a marcar nada menos que uma mão cheia de golos.

Espanha e Angola entram em pista a partir das 15h30 locais pelo 5º lugar, reeditando o seu derradeiro jogo da fase de grupos. Então, a selecção de Guillem Cabestany venceu por 1-5.

Para as 18h está agendada a discussão do bronze, entre Itália e França. Na fase de grupos, deu empate a quatro, ainda que os franceses tivessem tido dupla vantagem com 1-3 e 2-4.

Os italianos procuram a sua 11ª medalha de bronze e os gauleses... a primeira. Em caso de vitória, a França conseguiria a sua primeira medalha de sempre num Mundial, superando a melhor classificação, o 4º lugar há apenas três anos.

Depois, a partir das 20h30, há a final das finais deste mundial dos mundiais.

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