A nova realidade do Barcelona: um gigante com pés de barro
O Barcelona foi afastado nas 'meias' da OK Liga, no culminar de uma época de que só fica a conquista de uma Supercopa para o museu blaugrana. No 'descer à terra', com David Cáceres e Ricardo Ares, o gigante somou apenas três troféus conquistados em nove possíveis.

São duas temporadas de uma nova realidade do Barcelona. Sem acompanhar o investimento das equipas portuguesas, o gigante da cidade condal vai perdendo também argumentos na realidade espanhola.
Esta terça-feira, o Barcelona ficou pelas meias-finais da OK Liga, ao perder na "negra" com o Igualada do ex-Matias Pascual e do futuro Arnau Martínez.
Desde 1993, quando Liceo e Igualada terminaram um período de cinco temporadas a dividirem 1º e 2º lugar no campeonato espanhol, é apenas a terceira vez - em 33 edições! - que o Barcelona não é campeão ou vice-campeão, tendo somado neste período 26 títulos.
Nas duas últimas temporadas, os blaugrana conquistaram apenas três troféus em nove possíveis, num fraco pecúlio para uma secção que, apesar de desinvestimento, paga mais em Espanha que qualquer outra. O Barcelona foi campeão em 2024/25, mas a esse troféu apenas se somaram mais duas Supercopas, prova que abre a temporada e que muitas vezes é esquecida, pela distância temporal, nas contas de fim de época.
A pretérita temporada foi de aposta em David Cáceres, marcada por uma campanha europeia medíocre, sem conseguir passar da fase de grupos. Internamente, o Barcelona venceria a Supercopa e a OK Liga, falhando apenas a Taça do Rei, ao cair nos quartos-de-final.
Talvez pela participação europeia, a aposta em Cáceres não se manteve, afastado para a chegada de Ricardo Ares. O técnico basco que conduziu o Porto a três campeonatos e uma Champions League em quatro temporadas, já assumiu que esta época no Barcelona é um "início de projecto". Mas, para já, não é muito promissor.
O Barcelona voltou a vencer a Supercopa no arranque da temporada, já depois de ter falhado a conquista do Mundial de Clubes, ao perder na final com o Sporting. Mas a derrota no prolongamento não deslustra, e o "gigante" Barcelona parecia reerguer-se a nível internacional.
Na Champions League, a campanha foi bem melhor que na temporada anterior, com o Barcelona a regressar à final da mais importante prova europeia oito anos depois. Mas, apenas pela quinta vez em 27 decisões, os blaugrana não venceram, perdendo agora para o Porto.
Para trás já estava o afastamento nas meias-finais da Taça do Rei, e "sobrava" a OK Liga, em busca do "tetra". Quatro derrotas e três empates na fase regular deixaram o Barcelona sem o possível factor casa para uma eventual final com o Liceo, mas, se "los verdes" confirmaram a presença na série decisiva, os blaugrana ficaram pelas meias-finais.
Para a nove época, Ricardo Ares continuará ao leme. Saem os históricos Sergi Fernandez e Pablo Álvarez, chegando Arnau Martínez, Davide Gavioli, Martí Casas e Nico Ojeda. Feitas as contas, confirmando-se todas as chegadas, terá provavelmente de sair mais alguma peça da engrenagem, numa máquina que Ares - consciente que o Barcelona tem de jogar para ganhar tudo, mas também da realidade actual - tenta pôr de novo a carburar.
À margem da realidade desportiva, o crasso erro de ter o jogo agendado para a mesma hora do basquetebol, talvez sem prever que fosse necessário ir à "negra", marca a temporada.
O Barcelona recebeu o Igualada em Blanes, órfão do seu Palau Blaugrana e dos seus adeptos, com os adeptos arlequins a tomarem conta da cena. O "factor casa", mesmo longe de Les Comes, foi do Igualada.
Quinta-feira, 11 de Junho de 2026, 13h56
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