«Vamos continuar a lutar com todas as nossas forças»
O Benfica manteve a sua hegemonia total nas provas nacionais com a vitória na Elite Cup, mas a Sanjoanense, finalista pela terceira vez consecutiva, não desarma. Lamentando decisões arbitrais distintas em situações semelhantes, o treinador Rui Pedro aponta já à Taça Continental.

Sanjoanense e Benfica são, esta temporada, os únicos clubes com equipas na categoria máxima no feminino e no masculino. No feminino, o Benfica é hegemónico, e a Sanjoanense perfila-se como candidata a interromper essa hegemonia, com várias alterações no plantel.
"É uma Sanjoanense diferente, em reconstrução, como costumamos dizer internamente. Estamos no início da época, temos cinco jogadoras novas, e estamos em fase de adaptação. Temos de ser melhores do que ontem e, amanhã, melhores do que hoje", aponta o técnico Rui Pedro.
Chegaram Ana Varela e Margarida Ferreira (ex-Carvalhos), Carlota Molet (ex-Cronenberg), Catalina Flores (ex-San Jorge) e Mariana Teixeira (ex-Maia) e, "ontem", a equipa de São João da Madeira chegou à final da Elite Cup Feminina pela terceira vez consecutiva. Mas à terceira não foi de vez, e a festa voltou a ser do Benfica.
"Temos vindo a melhorar de ano para ano, de jogo para jogo. Como já disse anteriormente, são os detalhes que actualmente têm definido os jogos com o Benfica", visa. Detalhes em jogo jogado, mas também detalhes nas decisões arbitrais?
"Não vou por aí, até porque seria em parte desrespeitar e desconsiderar tudo o que o Benfica tem ganho, de uma forma muito clara. É uma equipa que não perde um jogo há não sei quantos anos e que ganha tudo internamente há mais de uma década", ressalva. Mas com reservas.
"Raramente falarei de arbitragem, mas as duas últimas finais da Elite Cup são decididas em lances que favorecem o Benfica: o penálti em Odivelas a cinco minutos do fim, que não existe, e que acaba por dar o 2-1 para o Benfica, e agora em Santo Tirso, nos últimos cinco minutos, um lance no qual pedi Sistema de Revisão Video (SRV), que toda a gente que percebe de Hóquei sabe que aquele momento é falta... se consideram dentro de área, é penálti, se consideram fora, é livre direto. As regras são claras quanto a esse lance", explica.
"A Sanjoanense também é um clube grande no feminino e também aposta, apoia e acredita nos projetos femininos, por isso a palavra que mais se adequa a estas decisões é respeito", reclama Rui Pedro.
"A Sanjoanense é um clube com 102 anos e com um passado, presente e um futuro dedicados ao feminino. Fomos o último clube a vencer uma prova nacional antes da chegada do Benfica, somos das equipas femininas de Hóquei em Patins mais antigas, temos um título europeu recente e queremos mais", ambiciona, invocando a resiliência do emblema da cidade do Labor.
"Muitos tentaram e desistiram pelo caminho. O Sporting, o Turquel, por exemplo. Nós não. Perdemos de uma forma frustrante. Aquele lance não é razão principal para termos perdido, até porque podia dar uma bola parada e nós falharmos. Todavia, é frustrante olhar para a final do ano passado e para a final deste ano, pelos dois lances que falei. E o que falámos, em equipa, no final do jogo e 24 horas depois da partida, é que vamos continuar a lutar com todas as nossas forças", assegura.
Competitividade
"Estou a falar de arbitragem, mas também na segunda fase do Nacional da época passada perdemos em casa com o Benfica de uma forma claríssima. Não estivemos à altura, e basta uma distração, um jogo mal conseguido, para o Benfica mostrar toda a sua força", sublinha o técnico, que destaca a crescente competitividade em Portugal.
"Não é só o Benfica. É também o Gulpilhares, a Escola Livre, a Académica, o Maia, a Stuart... O Benfica ganha sempre, mas a competitividade no Feminino tem vindo a aumentar para quem está por dentro. A Escola Livre dá excelentes condições ao feminino, e é um rival duríssimo. O Gulpilhares tem um projeto de uma equipa jovem que tem vindo a crescer de ano para ano. Nós perdemos pontos com Académica, Maia, Stuart na segunda fase da temporada anterior. E há um conjunto de jogadoras jovens a aparecer em todos estes clubes, mas também noutros como o CENAP, o Infante de Sagres, entre outros. Há talento a aparecer no Feminino. E o Feminino merece ser valorizado", expõe.
"Reparem que, na época passada, na Supertaça, reivindicámos a utilização do SRV, que nesta Elite Cup surgiu pela primeira vez no Feminino e com ótimos resultados. Na nossa meia-final, contra o Gulpilhares, pedimos três vezes o SRV. Numa, os árbitros mantiveram a decisão inicial, nas outras duas reverteram as decisões para darem um cartão azul a uma adversária e assinalarem um penálti a favor da Sanjoanense. Importa também referir que na primeira parte desse jogo, o Gulpilhares pedir um SRV para um penálti a favor da Sanjoanense, que foi revertido e bem revertido. Ou seja, a ferramenta ajudou à verdade desportiva", constata.
"Na final, em três pedidos de revisão, um deles resultou num penálti a favor da Sanjoanense e azul a uma jogadora do Benfica. E ficou a faltar o penálti a cinco minutos do fim sobre a Carlota Molet, inexplicavelmente não assinalado. Contudo, o balanço do SRV é extremamente positivo. Diz-se que o Feminino é mais lento, mais fácil de ajuizar face ao masculino, o que não deixa de ser verdade, mas também é verdade que o SRV ajudou muito os árbitros na Elite Cup", afirma.
"Resta-nos melhorar, trabalhar e, havendo muito trabalho pela frente, manter a ambição de ganhar títulos em Portugal, porque na Europa já o conseguimos fazer. Agora, temos de o transportar para as provas nacionais", almeja.
O desafio europeu
A Sanjoanense conquistou, na pretérita temporada, a primeira de Rui Pedro ao leme, a WSE Cup Women, segunda prova europeia. E assegurou a presença numa inédita Taça Continental. "Acima de tudo, saudar a introdução desta prova no planeamento anual e o esforço feito pela World Skate Europe. Para promover o Hóquei em Patins feminino em Portugal será fantástico", congratula-se.
As alvinegras estreiam-se este fim-de-semana na Zona Centro do Nacional Feminino em Arazede, mas é inevitável pensar já na disputa europeia. E o adversário nas meias-finais, no dia 14, na Catalunha, é o Benfica.
"Estaremos em Calafell a lutar com as nossas armas, sabendo que a luta continua a ser desigual. Reparem que, na final da Elite Cup, quatro das dez jogadoras da Sanjoanense nunca tinham estado na final, quatro delas ainda são Sub-19 e duas delas são Sub-19 de primeiro ano, e a Mariana Teixeira é sénior de primeiro ano. E, com uma semana e meia de treinos com toda a equipa dado que as mundialistas chegaram mais tarde, conseguimos bater-nos, olhos nos olhos, com o Benfica", observa.
O entorno, europeu e "longe" da realidade nacional, poderá beneficiar esta ambiciosa Sanjoanense?
"Não terá influência, até porque se dizem que no Masculino temos o melhor Campeonato do Mundo, a arbitragem também tem feito um caminho de evolução considerável, de melhoria e de estar ao nível dos melhores. Por isso é que também tivemos um árbitro português a apitar a final do Mundial", destaca.
Quarta-feira, 4 de Novembro de 2026, 23h47
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