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«As ideias debatidas com a ANACP têm continuidade»

Oct 29, 2016

A Associação Nacional de Clubes de Patinagem (ANACP) surgiu em 2009 aproveitando um vazio que havia a nível federativo depois da reformulação da Lei de Bases que passou a reger as instituições desportivas.

"Dona" de um peso enorme nas assembleias federativas - 21 delegados que representam 35% dos votos - a ANACP não se limita à acção em nestas reuniões magnas, sendo, sem qualquer dúvida, a mais activa das associações de classe ligadas ao Hóquei em Patins.

E é critica.

Para o presidente da ANACP, o balanço deste mandato federativo é positivo. "É positivo, mas é... lento", ressalva, dando como exemplo a aplicação do Boletim Electrónico de jogo. "Em 2012 foi anunciado com pompa e circunstância o uso do boletim electrónico na Supertaça em Paredes. Apareceu, desapareceu, e aparece outra vez quatro anos depois", frisa. "E não pode", lamenta.

E alerta para outras medidas, que não poderão demorar tanto tempo a ser postas em prática. "Uma das questões mais pertinentes tem a ver com as transferências nos escalões de formação. Não queremos que a FPP mude isto assim com um estalar de dedos, as coisas têm de ser pensadas, mas não podem ser pensadas a quatro anos. O balanço é extremamente positivo, mas há coisas que demoram muito a ser implementadas", reitera.

Elite Cup demonstram união dos clubes em torno da ANACP

O balanço é também positivo a nível desportivo. "Tivemos medalhas em todas as modalidades, algo que não acontecia há muito tempo, pelo menos com as três disciplinas a serem medalhadas e, no Hóquei em Patins, com o título europeu sénior. E em Portugal está o melhor campeonato, está o campeão europeu e o vencedor da Taça CERS. Melhor era impossível", sublinha.

Mas o mérito vai muito para além do mérito federativo, e Rui Carvalho reclama para a ANACP a aplicação de uma medida que, sendo paralela à competição, terá sido determinante. "O mérito é da ANACP porque eliminou a taxa de transferências dos Sub-23", brinca, justificando no entanto com um exemplo. "O Valongo foi contratar jogadores como Girão, Telmo, Souto, Rafa em vez de contratar, com todo o respeito, jogadores mais veteranos. E o Valongo foi campeão nacional", recorda.

Mais a sério, prossegue. "O trabalho é muito dos clubes, mas também da FPP por ter abertura para aquilo que a ANACP, como representante dos clubes, solicita. Isto da taxa dos Sub-23 é uma coisa que não é imediata, mas dá frutos", orgulha-se. "Olha-se para o Valongo, para o Turquel, para uma série de clubes e vêem-se jovens de primeiro e segundo ano de sénior a jogar na I Divisão. Há uns anos era impensável, porque era mais barato contratar um jogador de 30 anos", explica.

A equipa do Valongo na Elite Cup; dois volvidos sobre o inédito título de campeão nacional, mantém-se a aposta nos jovens

"Os clubes passaram a olhar mais para a parte da formação, porque pode ir buscar um miúdo que tem rendimento e tem margem de progressão maior e aqui o sucesso acaba por ser pelos dois", frisa. "Mas a mentalidade dos clubes também mudou um bocadinho", ressalva. "Há mais trabalho, há maior envolvimento, há maior profissionalização", refere.

Na profissionalização, Rui Carvalho vinca que nem todos serão profissionais na vertente financeira, mas o termo tem a ver com as competências e a seriedade com que são vistos os diferentes aspectos do dia-a-dia dos clubes e das equipas. "Estou por exemplo a falar de equipas técnicas, que só fazem isto, e, como só fazem isto, têm tempo para melhorar. Muitas equipas têm hoje um treinador de guarda-redes, que era uma coisa impensável há uns anos. Quem é que treinava o guarda-redes? Iam mandando-lhes umas bolas enquanto os outros aqueciam", afirma, pedindo desculpa pelo exagero.

Ideias postas em prática

A ANACP tem realizado diversas acções, passando do papel à prática ideias sempre previamente debatidas e moldadas com os clubes. Mais uma vez, Rui Carvalho tem um exemplo prático. "Há dois anos achávamos que o All Star Game era capaz de ser uma boa ideia para finalizar ou iniciar a época, como uma ideia de promoção. Depois chegámos à conclusão, com o 'input' dos clubes que era mais vantajoso fazer uma prova como a Elite Cup", destaca, apontando à prova que em Setembro reuniu, num grande evento de promoção da modalidade, as oito melhores equipas do Nacional anterior.

"As propostas são para avançar e, cada vez mais, temos essa responsabilidade. As pessoas e os clubes sentem que as ideias que debatem com a ANACP têm continuidade, são reportadas, são trabalhadas e são apresentadas", congratula-se.

O Dia do Guarda-redes

Outro dos eventos que é bandeira da ANACP é o Dia do Guarda-redes, que poderia ser da responsabilidade da Associação de Atletas. E há as formações para treinadores, que poderiam estar na esfera da associação dessa classe. Foice em seara alheia? "Aquilo que fazemos é o que os clubes nos pedem. Os clubes achavam que havia poucas acções de formação e entendemos fazê-las. Perguntámos como é que se fazia, porque não tínhamos o 'know how', e avançámos. Por acaso, até gostávamos de fazer mais, mas o problema parte muito do planeamento dos próprios clubes, que às vezes não têm disponibilidade para estas acções", explica. "Este ano estava previsto fazer, mas acabou por não se concretizar. Vamos fazer uma no início do ano", anuncia.

"Não costumamos incluir outras associações, porque cada uma tem o seu trabalho. Se calhar a questão é que, como nós respondemos e representamos os clubes, acabamos por abarcar toda a gente. Os clubes têm atletas, têm treinadores, têm directores. Só não tem árbitros", graceja.

Apoio

Pese as críticas, esta direcção da FPP tem a confiança da ANACP. "Pela primeira vez, a ANACP manifestou o seu apoio, não publicamente, mas apenas porque não houve nenhuma cerimónia em que o pudéssemos fazer. A razão é muito simples. Entendemos que tem de haver alguma continuidade porque quando este presidente [Fernando Claro] entrou na FPP, havia uma dívida monstruosa. E, passado estes anos, a dívida está quase paga. O valor da dívida é residual e a continuidade permite que haja uma linha para acabar de vez com estas dívidas para que nos consigamos focar em novas vertentes e novas formas de potenciar as modalidades", deseja.

"Há questões que nós solicitámos que fossem incluídas no programa eleitoral e que fossem revistas pela FPP. Já temos indicação de que há coisas que vão ser trabalhadas com a ANACP, como as taxas do quadro de transferências. Foi um dos pontos que falámos com a lista candidata e que, na relação de diálogo, aceitaram. Ficou previsto no programa eleitoral, ainda que de forma genérica. Mas está lá", reitera.

Rui Carvalho entrega a João Pinto o troféu da primeira edição da Elite Cup

Este será o último mandato com uma direcção encabeçada por Fernando Claro. Daqui a quatro anos, o novo presidente será alguém indicado pela ANACP? Rui Carvalho não foge à questão. "Tendo em conta o papel que a ANACP tem tido nos últimos anos, tendo em conta o volume de propostas que apresentámos e as responsabilidades acrescidas que os clubes nos confiam e o que temos feito em relação à criação de iniciativas e melhoria do Hóquei em Patins em particular, mas também da aposta nas outras disciplinas [ndr: Patinagem Artística e Patinagem de Velocidade], é legítimo que se pense que daqui a quatro anos a ANACP tenha um candidato próprio", avança.

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