Murches, o 13º 'caloiro' do milénio

Neste milénio, já houve 41 equipas a disputar a categoria máxima e o Murches é o 13º estreante na principal prova nacional depois de 2000. Procura ser o 8º a manter-se no ano de estreia, numa caminhada que começou em Valongo.

Murches, o 13º 'caloiro' do milénio

O Campeonato Nacional da I Divisão remonta a 1938, quando o Sporting se sagrou o primeiro campeão. Seguiram-se os primeiros títulos de Paço de Arcos, Futebol Benfica e Sintra nos anos 40, de Benfica e CACO nos anos 50, do Ferroviário de Maputo, CUF e Lourenço Marques nos anos 60. Muitos clubes perderam-se nos caminhos da História. Outros só pisaram o "palco maior" da modalidade neste milénio.

Resolvido o informático "bug do ano 2000", a I Divisão não teve "caras" novas em 2000/01. Os primeiros estreantes na categoria máxima no novo milénio chegaram em 2002, e logo três. Académico de Cambra, Nortecoope e Portosantense eram "caloiros", mas chegaram com a lição bem estudada. O Cambra estreou-se com uma vitória em Alenquer (0-1) ficaria entre os grandes sete temporadas consecutivas. Os maiatos receberam e venceram o Infante Sagres no primeiro jogo (8-3), ficaram quatro épocas e ainda regressaram para uma 5ª participação. A equipa da Ilha Dourada estreou-se com uma derrota, recebendo o Benfica (4-6), mas - primeiro como Portosantense, depois como Porto Santo SAD - estaria 10 anos consecutivos no convívio dos grandes, numa série apenas superada por um emblema de outra ilha, que chegaria em 2005...

Antes, em 2003, chegou à I Divisão o sintrense Nafarros. A estreia foi em Vale de Cambra, com uma derrota (8-3), e a "aventura" não durou mais do que uma época, tal como as de outras três equipas, anos mais tarde. Já os caloiros de 2005 tornar-se-iam, entre os estreantes do milénio, os mais bem sucedidos na I Divisão.

Os picarotos do Candelária chegaram com ambição e - apesar de uma derrota na estreia, em Oliveira de Azeméis (7-4) - pisaram, ao longo de 12 temporadas consecutivas, os palcos maiores não só em Portugal como nas competições europeias. O Braga até ganhou o primeiro jogo em Vale de Cambra (1-2), mas não evitou o regresso à II Divisão em 2006. Resiliente, regressou apenas um ano volvido e esta época soma a 15ª participação na prova máxima, apenas superado neste milénio por sete emblemas.

Depois dos casos de sucesso de 2005 e antes da subida do Murches este ano, há seis "contos de fada" para contar.

Juventude Ouriense (promovido em 2006) e Valença (2016) não entraram com vitórias - nas estreias, houve empate em Ourém com o Óquei de Barcelos (4-4) e uma derrota pesada dos valencianos na pista do Sporting (12-2) - mas garantiriam a manutenção... por apenas mais uma época.

Também Os Tigres, que chegaram ao "primeiro escalão" em 2011, estreando-se com um empate a dois na recepção ao Candelária, lograram ficar duas temporada. Regressaram depois em 2014 (descendo no final da época) e novamente em 2019, para mais duas temporadas. É um percurso intermitente, num sobe e desce que são fado de algumas equipas. Mas não dos caloiros de 2010, 2014 e 2017...

Os Limianos (promovido em 2010), Póvoa (2014) e Grândola (2017) não resistiram a uma prova cada vez mais competitiva e a sua aparição na I Divisão foi um "one time show". A equipa de Ponte de Lima até entrou a ganhar, vencendo o Cascais (6-3), mas não conseguiria melhor do que os poveiros e os grandolenses, "baptizados" com derrotas claras, respectivamente, em Viana do Castelo (8-2) e no Dragão Arena (14-2).

A estreia do Murches

Em 2021, o Murches apostou forte. Com Hugo Lourenço ("Caleta") no comando técnico, a equipa do concelho de Cascais formou um grupo baseado em jovens valores da formação do Benfica, com quem Caleta trabalhara, e a aposta foi ganha. Garantida a inédita promoção, o Murches ainda se sagrou campeão nacional da II Divisão.

A estratégia foi renovada. Do Benfica chegaram Rodrigo Vieira, "escudeiro" de Pedro Henriques na pretérita temporada, e Zé Miranda, chamado a vários jogos na I Divisão, como, por exemplo, na final. Chegaram também os jovens Miguel Feio e António Estrela, do Candelária, sendo que Feio trabalhara com Caleta nas águias.

Na estreia, mesmo num pavilhão tradicionalmente complicado para todos, o Murches colocou em sentido um Valongo recém-coroado na Taça Continental. Com apenas minuto e meio jogado, o capitão João Maló marcou o primeiro golo da partida. E o primeiro golo de sempre do Murches na I Divisão.

Este sábado, o Murches jogará a sua primeira partida em casa, recebendo a Oliveirense. Em contraponto com o estreante Murches, a equipa de Oliveira de Azeméis é uma das (apenas) quatro totalistas de presenças na I Divisão neste milénio.

Quatro totalistas

Entre as 41 equipas que integraram os Campeonatos Nacionais da I Divisão desde 2000/01, há apenas quatro totalistas nas 23 edições: Benfica, Oliveirense, Óquei de Barcelos e Porto. Seguem-se, com mais presenças, Juventude de Viana e Paço de Arcos (que, curiosamente, se defrontam este fim-de-semana), com 19, o Valongo, com 17, e o já referido Braga, com 15. A fechar o "top-10" está o Sporting, com 12 participações, antecedido do Gulpilhares, com 13. A equipa de Vila Nova de Gaia é a única das 10 com mais presenças na I Divisão neste milénio que não participa este ano.

Entre os outro participantes na presente edição, Riba d'Ave e Tomar estão na sua 10ª presença depois de 2000, o Famalicense na 3ª e o Parede na 2ª. E, o Murches, estreia-se, a tentar escrever a sua própria história.

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