Reviravolta para o título

O Campeonato do Mundo e os milhares de privilegiados do Aldo Cantoni assistiram a uma final muito disputada, aberta na maior parte do tempo, e em que Portugal conseguiu uma vantagem de dois golos. Foi coroada uma Argentina mais eficaz.

Reviravolta para o título

A Argentina venceu Portugal por 2-4, virando uma desvantagem de dois golos. É o sexto título mundial da albiceleste, o segundo conquistado no mítico Aldo Cantoni.

De poucas dezenas de espectadores no início da partida para o 5º lugar, entre Angola e Espanha, a mais de 4500 pessoas quando se iniciou a partida pelo bronze entre França e Itália foi um piscar de olhos. Faltavam três horas para a derradeira partida do Campeonato do Mundo, mas o Aldo Cantoni foi enchendo e a banda aquecendo.

Aldo Cantoni recebeu, segundos números oficiais, oito mil espectadores. Mas murmurava-se que estariam mais de nove mil...
Aldo Cantoni recebeu, segundos números oficiais, oito mil espectadores. Mas murmurava-se que estariam mais de nove mil...

O jogo entre franceses e italianos só foi decidido nas grandes penalidades, faltava apenas meia-hora para o início agendado da final. Ainda assim, a organização lançou um espectáculo que preparara, surgindo Carmelo Paniagua em pista a tentar, com parco sucesso, que o espectáculo desse, quanto antes, lugar a um outro espectáculo, aquele pelo qual todos esperavam.

Henrique a marcar

Enquanto no banco argentino se confirmava Facundo Bridge no lugar do infortunado Matías Pascual, Renato Garrido lançava Gonçalo Alves de início. E Portugal entrou melhor.

Não se "encolhendo" em pista como sucedera na final de Barcelona ou na partida das meias-finais frente à França, Portugal foi para cima de uma Argentina que tem arte para outras tarefas que não defender. E, ainda não estavam cumpridos dois minutos, quando Henrique Magalhães inaugurou o marcador num remate colocado de meia distância.

A Argentina procurou responder e Pablo Alvarez isolou-se aos cinco minutos para festejar golo, mas o golo não seria validado. O Aldo Cantoni explodiu, mas retraiu-se. E Renato Garrido pediu desconto de tempo para trocar peças e afinar estratégia.

E Portugal ficou por cima. A trocar bem a bola e rápido na defesa, os portugueses continham a estratégia e engenho contrários. Havia muita Argentina, muito vertical e a rematar muito, mas, quando era preciso, também muito Girão, a lembrar a final de Barcelona. E não só.

Henrique Magalhães surpreendeu como o goleador português desta final, assinando os dois tentos lusos.
Henrique Magalhães surpreendeu como o goleador português desta final, assinando os dois tentos lusos.

De facto, em fases finais, a Argentina não conseguira bater Girão em 2019, mas também não o conseguira dois anos antes, em 2017, numa copiosa derrota por 5-0 nas meias-finais. E os nervos pareciam apoderar-se dos jogadores de "Negro" Paez. E ainda mais quando, aos 15 minutos, Henrique Magalhães bisou. A realizar um excelente mundial defensivamente o atleta do Sporting era decisivo também no ataque.

O jogo ficava quente. Num critério de deixar jogar dos árbitros Filippo Fronte e Ivan González, Girão ficava a queixar-se a oito minutos do intervalo, indo lá tirar satisfações Gonzalo Romero, seu colega nos leões. Como, mais tarde, houve "discussões" entre os portistas Gonçalo Alves e Mena ou os benfiquistas Diogo Rafael e Lucas Ordoñez. Colegas, colegas, selecção à parte...

A selecção das quinas foi baixando o seu bloco e sendo mais selectiva nas saídas para o ataque, e acabaria por correr mal... A minuto e meio do intervalo, pouco depois de Facundo Bridge entrar (muito bem) em jogo, Pablo Álvarez reduzia, levando o jogo na diferença mínima para o intervalo. E, mais importante, com a certeza que Ângelo Girão não era intransponível...

Reviravolta

Na segunda parte, manteve-se a toada de uma Argentina mais atacante e um Portugal a perder "gás" com o passar dos minutos, procurando defender mais atrás. Mas o tento argentino só chegaria de bola parada.

Aos seis minutos, Telmo Pinto viu azul por falta sobre Carlos Nicolia e o capitão argentino não enjeitou a oportunidade de livre directo para desfeitear Ângelo Girão. Estava feito o 2-2, desfecho dos 50 minutos regulamentares em três dos quatro embates anteriores entre Argentina e Portugal em San Juan.

Azul a Telmo Pinto levou Nicolía para a igualdade a dois, de livre directo. Num critério
Azul a Telmo Pinto levou Nicolía para a igualdade a dois, de livre directo. Num critério "largo", seria o único azul com interferência directa no jogo.

Sem cautelas, o jogo abria, com ataques de um e outro lado, num ritmo louco ainda com muitos minutos para jogar. Neste embalo, "Pablito" voltou a ter espaço aos 14 minutos e, isolado, rematou para defesa de Girão. Mas o guardião luso foi infeliz e a bola escapou para lá da linha, com Telmo Pinto a já chegar tarde para evitar o assinalar do golo.

Girão parou o remate de Pablo Alvarez para o 2-3, mas o capricho levou a bola a entrar na baliza.
Girão parou o remate de Pablo Alvarez para o 2-3, mas o capricho levou a bola a entrar na baliza.

Era a vez de Portugal ir atrás do resultado, pressionando mais alto e colocando inúmeras vezes à prova a atenção - e a qualidade - de Conti Acevedo. O guarda-redes defenderia tudo até ao apito final, não chegando a ser chamado ao livre directo da 10ª falta. Já Girão, voltou a ter pela frente Nicolía já nos três minutos finais, mas, desta feita, o remate saiu ao poste. O desfecho continuaria uma incógnita.

A minuto e meio do final, um choque entre Hélder Nunes e "Nolito" Romero incendiou (mais) os ânimos, acabando o sub-capitão português e Matías Platero azulados.

Ezequiel Mena remata para o 2-4.
Ezequiel Mena remata para o 2-4.

Portugal tentou o empate atacando com cinco, mas, como sucedera na véspera à França, o plano saiu "furado". E Ezequiel Mena aproveitou esse "furo" para fazer o 2-4 final com pouco mais de uma dúzia de segundos para jogar.

Estava encontrado novo campeão.

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