«Era merecido que a bola entrasse e fossemos a prolongamento»

Naquele que foi apenas a segunda final da sua História, a Stuart esteve muito perto de forçar o prolongamento frente ao hegemónico Benfica. 'Só posso estar feliz pelas miúdas que tenho ali dentro a chorar', disse o técnico Pedro Favinha com a voz tolhida pela emoção.

«Era merecido que a bola entrasse e fossemos a prolongamento»

Estar na discussão de um troféu com o Benfica até ao derradeiro apito tem sido uma raridade desde que a equipa foi lançada em 2013, mas a Stuart logrou-o, dispondo de um livre directo a poucos segundos do fim que poderia valer o 3-3.

Marta Marujo, de 20 anos e braçadeira de capitã, não conseguiu bater Maria Celeste Vieira, e o 2-3 persistiu até que, terminada a partida, começaram os festejos das encarnadas. "Ninguém queria assumir, ela assumiu. Só tenho a agradecer-lhe por ter tido a coragem de lá ir naquele momento", declarou Pedro Favinha em conferência de imprensa, não sem "amaldiçoar a sorte".

"Era merecido que a bola entrasse, pelo menos para irmos ao prolongamento, pelo esforço, dedicação e tudo o que fizemos nesta Final Four", referiu. De facto, no dia antes, a Stuart lograra, com pouco mais de um minuto para jogar, a igualdade para forçar tempo extra e garantir o apuramento. Mas defrontar o Benfica tem outros desafios.

"Quatro minutos com uma jogadora a menos [dois azuis no mesmo momento] tirou-nos do jogo", lamentou Pedro Favinha. "É uma sensação de frustração. O VAR não foi consultado. A arbitragem teve influência directa no resultado", visou.

O técnico, que está na segunda temporada à frente da equipa de Massamá, recordou que, com três ausências, rodando a seis, quatro minutos com menos uma jogadora... isto, em realidades de 890 mil euros de orçamento das águias para 10 mil de custos anuais das sintrenses. "Só posso estar feliz pelas miúdas que tenho ali dentro a chorar", referiu, quase traído pela emoção.

Favinha acredita nas suas jogadoras. "Têm de perceber que têm muita qualidade, e soltar o medo que têm dentro delas. Estão a ser muito focadas no objectivo", assegurou, ocupando o 4º lugar na fase regular do Nacional.

Para encurtar distâncias entre as equipas, com a recente sucessão de Ricardo Borges ao ex-presidente Rui Espada, a aposta terá necessariamente de passar pela consolidação da formação. "Há falta de atletas femininas", apontou. "Trabalho para preferirem ficar na Stuart", reforçou, esperando que a continuidade se torne mais apetecível que a saída para um clube como o Benfica.

A Stuart regressa aos jogos na próxima sexta-feira, com a recepção à Sanjoanense para o Campeonato Nacional.

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