O adeus do 'fiel escudeiro' leonino

O Sporting despediu-se de Zé Diogo, derradeiro representante de uma outra realidade na modalidade. O guardião esteve 22 anos de leão ao peito, cumprindo um percurso dos escalões de formação aos seniores, da III Divisão à categoria máxima, chegando ao topo da Europa e do Mundo.

O adeus do 'fiel escudeiro' leonino

O Sporting despediu-se, esta terça-feira, de José Diogo Macedo. Ao fim de 22 anos de leão ao peito.

Depois de dar as primeiras patinadelas no Sport Alenquer e Benfica, Zé Diogo chegou ao Sporting em 2004, com apenas 11 anos, para os Sub-13, então Infantis.

Era um Sporting que, à margem das modalidades oficiais do clube, reforçava a aposta na formação. Zé Diogo foi campeão nacional nos escalões de formação e, internacional jovem, sagrar-se-ia campeão europeu de Sub-20 por Portugal em 2012.

Antes, já jogava pela equipa principal, em mais um "renascer". Esteve na caminhada para o título de campeão nacional da III Divisão em 2011 e acompanhou o título nacional da II Divisão em 2012, quando os leões regressaram à categoria máxima.

Era um Sporting de outros objectivos, a lutar pela manutenção. Já definitivamente na equipa sénior, teve os mais experientes Igor Alves e Carlos Coelho à frente. Em 2014, chegou Ângelo Girão, "condenando" Zé Diogo ao banco.

Num Sporting já em afirmação, Zé Diogo percebeu o papel que lhe cabia. Era o "fiel escudeiro". Chamado pontualmente a alguns minutos, chamados a alguns jogos nos castigos ou lesões de Girão. Houve quem dissesse que estava acomodado, que lhe faltava ambição. Mas uma equipa vai muito para além dos que estão em pista nos jogos.

Girão era um dos melhores do Mundo. "Sentaria" qualquer um que integrasse o plantel. E, quando os leões já não quiseram renovar contrato em 2025, sucedeu-lhe Xano Edo, também seu sucessor na baliza da selecção portuguesa. O papel de Zé Diogo não mudou, cumprido, sem menosprezo, como devido, até ao derradeiro dia.

Tendo chamado casa à Casa do Gaiato, Tojal, São João da Talha, Paz e Amizade, Livramento e Alverca até que finalmente o Hóquei em Patins leonino ganhou "morada" própria no João Rocha, Zé Diogo despede-se como o jogador mais titulado da modalidade na História do Sporting.

Como sénior conquistou um Campeonato Nacional da III Divisão, uma Taça CERS, duas Supertaças António Livramento, dois Campeonatos Nacionais, três Champions Leagues, duas Taças Continentais, duas Taças de Portugal e um Mundial de Clubes. E despede-se numa temporada com três troféus, a igualar o número de conquistas da "equipa maravilha" de 1977.

A poucos dias de completar 33 anos (no próximo dia 17), Zé Diogo despediu-se do Sporting. 22 anos de leão ao peito, 14 na equipa principal. Por comparação, "Nolito" Romero é o segundo com mais anos de casa, indo "apenas" para a sua nona temporada.

Zé Diogo regressará ao Alenquer, mais de duas décadas depois, num fechar de círculo. Será orientado por Rui Seabra, que esta época esteve à frente da equipa "B" do Sporting.

Para o lugar de Zé Diogo nos leões, chegará António Marante, guarda-redes de 24 anos com provas dadas nas últimas temporadas no Tomar. Se para ser um novo "fiel escudeiro", se para outro papel, só o tempo dirá.

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