Um modelo criticado, mas que persiste
Pedro Alves dos Santos
No último Europeu sénior, muito se falou contra um modelo com uma primeira fase que 'não interessa nem ao menino Jesus', tornando os três primeiros dias praticamente inócuos. Era o que estava definido e todos o sabiam. Mas, na oportunidade de fazer diferente, ficou tudo na mesma.

A ideia europeia era nobre. Juntar as equipas por ordem de classificação do campeonato anterior para promover jogos mais equilibrados na primeira fase, quer no Grupo A (1º ao 4º do campeonato anterior), quer no Grupo B (5º ao 8º).
No entanto, seguindo todos para a fase seguinte com hipóteses iguais de lutar pelo título, e dado o desfasamento qualitativo entre as equipas dos Grupo A e Grupo B, a primeira fase tornou-se praticamente inócua. Tal atingiu o "cúmulo" no Campeonato da Europa de Seniores Masculinos conquistado por Portugal em Setembro último.
Em Paredes, o Grupo A contava com Espanha, França, Itália e Portugal e qualquer uma podia aspirar ao título. O cruzamento para as meias-finais era praticamente indiferente. Seria sempre complicado. Portugal perdeu os três primeiros jogos e terminou a fase de grupos em último.
Depois, a selecção das quinas venceu naturalmente Andorra nos quartos-de-final, bateu a vigente campeã Espanha num desempate nas grandes penalidades e, na partida decisiva, reclamou o troféu com um triunfo por 4-1.
As regras do jogo estavam assentes ao início, todos sabiam que a primeira fase pouco ou nada contava, todos sabiam o que podia acontecer. Mas o mérito luso foi colocado em causa, no levantar de um título com apenas duas vitórias no tempo regulamentar em seis dias de competição.
Menos de um ano depois, chegou, também com oito equipas, o Campeonato da Europa de Sub-17 Masculinos. E o modelo, criticado, manteve-se. Talvez por teimosia, talvez por falta de propostas, talvez por comodismo. Mas foi bem diferente, por exemplo, da prova feminina, em que todos os jogos da primeira fase (cinco dias de todos-contra-todos) tinham outra importância para as contas finais.
Face a 2025, neste Europeu de Sub-17 Masculinos, ganhou o vencedor da primeira fase. E, desta vez, até houve surpresa nos quartos-de-final, com a Suíça a afastar Itália, sendo, no entanto, presa fácil dos espanhóis nas "meias".
No que resta de 2026, há campeonatos do Mundo, de Sub-19, Seniores Femininos e Seniores Masculinos. Os Europeus regressam em 2027. Manter-se-á um mesmo modelo em que os primeiros três dias são mero "aquecimento"?
Pedro Alves dos Santos
Segunda-feira, 27 de Julho de 2026, 22h39
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