Editorial

Uma Final Four preocupada com os 'Clubes' (todos os cinco)

Mar 31, 2022
Pedro Santos

A FPP confirmou em comunicado que a mudança de datas da decisão da Taça de Portugal, numa inédita sexta e sábado em 24 edições de Final Four, se deve à preocupação com a participação dos 'Clubes' num torneio amistoso. Justifica-se? #Editorial

Louve-se a transparência (condenando-se a ingenuidade) ou, simplesmente, gabe-se a ostentação da falta de decoro.

No seu Comunicado 7 de 2022, datado de 18 de Fevereiro, a Federação de Patinagem de Portugal (FPP) anunciava que a Final Four se realizaria em Paredes, a 8 e 9 de Abril. Inusitadamente, antecipava-se o calendário original um dia, para a realização numa sexta-feira e sábado, algo que nunca acontecera desde que a decisão concentra meias-finais e final em dia consecutivo. Desde 1997. Há 25 anos.

Especulou-se que tal poderia estar relacionado com a participação de Benfica, Oliveirense, Óquei de Barcelos, Porto e Sporting - chamemos-lhe, como a FPP, "os Clubes" - na Golden Cup, um torneio oficioso e amistoso (passe a redundância) que se realiza na Corunha de 11 a 17 de Abril. Um torneio amistoso como tantos outros que, por exemplo, na pré-época se realizam um pouco por todo o Portugal.

Secretamente, a bem da dignidade federativa, esperava-se que o motivo fosse mais nobre. Mas não.

É apanágio da Federação de Patinagem de Portugal (FPP) trabalhar, em conjunto com os Clubes, de forma a garantir que estes consigam participar em todas as competições nas quais estão em competição, em cada época desportiva.

No planeamento inicial da época 2021/22, a Final Four da Taça de Portugal estava agendada para os dias 9 e 10 de abril (sábado e domingo).

Perante a manifestação de preocupação dos Clubes, face à realização da Golden Cup de 11 a 17 de abril, com a viagem para participarem na referida competição, em Espanha, a FPP procedeu a um ajuste no planeamento inicial da época.

Proféticos 40 dias depois de ter anunciado a mudança de datas, a FPP, quiçá para acalmar alguma indignação com jogos à sexta-feira, torna público o motivo da alteração das datas. Mais valia, como é apanágio em inúmeras situações, ter mantido o silêncio. Mas, numa semana em que os limites do humor estão na ordem do dia, a FPP quis dar um ar da sua graça.

Alega a FPP que respondeu à preocupação dos "Clubes" e, de facto, olhando para o calendário oficial de competições, a mudança de data - para outro fim-de-semana - justificava-se, porque Juventude de Viana, Tomar e Valongo ainda estavam em prova nas oficiais competições europeias e dia 9 é data europeia. Mas o dia 9 manteve-se de Taça de Portugal. Os "Clubes" são outros.

Atente-se que, à data do Comunicado 7, ainda nenhum dos "Clubes" estava apurado para a Final Four. Mais, ainda nem sequer nenhum dos "Clubes" tinha garantido apuramento para os quartos-de-final. O anúncio da nova data não era condicional e poderia acontecer que nenhum dos "Clubes" chegasse à Final Four. Já a data europeia, que justificaria a mudança, estava, há muito, confirmada e não foi tida em conta.

É demasiado pernicioso assumir que a FPP já sabia de antemão, antes dos oitavos-de-final e antes do sorteio dos quartos-de-final, que os "Clubes" estariam na Final Four da Taça de Portugal. Ou que os "outros", que até têm compromissos oficiais europeus, não estariam.

Por outro lado, se a preocupação dos "Clubes" era um dia para a viagem, porque não foi planeada a Golden Cup - oficiosa e amistosa pese a FPP se referir a ela como "competição" - para um dia mais tarde em vez de se pedir a antecipação da oficial Taça de Portugal? Não era viável? Claro que era, até porque, no seu planeamento inicial, a oficiosa e amistosa Golden Cup considerava a hipótese de ter um dia de descanso a meio. São três dias para a fase de grupos e depois "quartos", "meias" e final. Não hipotecando em nada o bom momento de promoção de Hóquei em Patins que será, esta oficiosa e amistosa Golden Cup - já sem Forte, porque (naturalmente) a federação italiana não cedeu no seu planeamento - era perfeitamente fazível de terça a domingo.

Abre-se a porta a que o calendário oficial seja ajustado em função de outros torneios oficiosos e amistosos? Claro que não. Os "outros", os que vão ornamentando competições na verdadeira acepção do termo como a oficial Taça de Portugal, terão de continuar a planear esses em função do calendário oficial e não o contrário.

Parafraseando a propaganda, "está tudo ok". Pelo menos, para os "Clubes", todos os cinco que se contam por uma mão, estará.

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