Europeu '14

O desapontamento de Luís Sénica e Valter Neves

Jul 19, 2014

No final do jogo com a Itália, o seleccionador nacional Luís Sénica fez a sua análise de uma partida ingrata.

“Foi um jogo difícil, complicado, com uma Itália motivada pelo jogo da véspera”, começou por referir. “A Itália foi feliz nos momentos do jogo, houve demasiadas contingências para Portugal vencer mas tudo fizemos”, continuou.

Portugal dispôs de seis bolas paradas mas não conseguiu concretizar nenhuma. “As bolas paradas definiram o jogo, ou a não vitória de Portugal. Se houve coisas ao longo do estágio que trabalhámos foram as bolas paradas, tanto os penaltis como os livres diretos e hoje não os conseguimos transformar a nosso favor. Pelo contrário, sofremos os golos. Se concretizássemos pelo menos 50% daquilo que tínhamos para concretizar, tínhamos disparado no marcador. Estaríamos certamente mais tranquilos, mais seguros e não foi possível”, analisou.

Tendo referido “contingências”, Luís Sénica foi mais assertivo. “Gostava que ficasse claro que na minha definição das contingências do jogo tenho de incluir a arbitragem. A arbitragem que tivemos era expectável, estávamos preparados para e teria sido fácil resolver se tivéssemos marcado as bolas paradas. Não há muitas alternativas... o regulamento não é aberto, não permite que um arbitro italiano e português pudessem apitar este jogo e as limitações depois tornam-se efectivamente mais amplas para quem decide as duplas. E esta era a melhor dupla de arbitragem em conjunto com os portugueses e os italianos”, esclareceu.

“Estamos conscientes de que demos tudo. Os jogadores estão efetivamente tristes porque sentiram que, de alguma forma, é um resultado injusto para aquilo que produziram e trabalharam na pista”, confidenciou.

“Mas é assim mesmo o desporto e vamos levantar a cabeça e amanhã temos mais um jogo para fazer e é da mesma forma que encaramos o campeonato e aquilo que temos feito até aqui”, afirmou, lançando o jogo com a Espanha.

“Torna-se tudo mais complicado, não adianta fazer futurologia. O que importa agora é vir à pista amanhã e fazer um jogo bom com a Espanha e trabalhar para vencer o jogo. É esse o nosso objectivo. Portanto, estar agora a fazer contas não vale a pena. Importa recuperar a equipa, importa dizer que estamos satisfeitos com o trabalho dos jogadores, com a disponibilidade que demonstraram, com aquilo que fizeram, com aquilo que acreditaram e é isso que vamos continuar a fazer amanhã”, declarou.

“Eu vi a equipa a pressionar o tempo todo a Itália. Há dois momentos que, para mim, marcam o jogo todo: os dois golos da Itália quando estamos a jogar em superioridade - esse é o momento dramático do jogo - e depois há o acumular das bolas paradas que não conseguimos concretizar. Esses momentos marcam o resultado. Eu não gosto de dizer que fomos infelizes ou que tivemos pouca sorte mas são esses dois momentos que nos marcaram”, lamentou.

“O mais importante agora é recuperar os jogadores emocionalmente. A equipa está efetivamente abalada, este não era o resultado que nós pretendíamos. Tínhamos assumido que queríamos ganhar os jogos todos nem que fosse por 1-0. Poderíamos tê-lo feito, não conseguimos concretizar todas as oportunidades que tivemos e acabamos por ser penalizados com esta derrota. Amanhã cá estaremos para tentar vencer a Espanha e tenho a certeza de que a nossa dignidade e a nossa honra estarão em pista para fazermos o mesmo trabalho que teríamos de fazer se hoje tivéssemos vencido”, concluiu.

O capitão Valter Neves era o rosto do desapontamento português. Instado a comentar a exibição de Ricardo Gnatta, Valter reconheceu-lhe mérito mas não se coibiu de assumir a responsabilidade. “Ele foi bastante eficaz nas bolas paradas mas também, eu nesse particular, assumo a responsabilidade de três bolas falhadas que poderiam ter sido decisivas. Ele tem obviamente o seu mérito, mas acho que nós também poderíamos ter feito mais e eu, concretamente, assumo a responsabilidade nesse particular por, na altura decisiva, ter falhado duas bolas paradas”, disse visivelmente abalado.

Valter Neves assumiu como capitão a marcação das bolas paradas como assumiu a responsabilidade por não ter marcado. “Nós fazemos tudo para as concretizar, ninguém vai lá para falhar e quando vamos é porque temos a ideia de que conseguimos concretizar. Acontece que não surgiu a nosso favor, não aconteceu que conseguíssemos marcar golo mas acho que não vale a pena extrapolar para além disso”, afirmou.

“A Itália fez o que lhe competia e foi competente na estratégia que teve e nós falhámos efectivamente na eficácia. Hoje tivemos um elevado número de situações em que podíamos ter concretizado e, como já referi, não as concretizando torna-se obviamente mais difícil”, concluiu.

O capitão Valter Neves assumiu as bolas paradas numa altura em que poucos quereriam essa responsabilidade.

Luis Sénica fez questão de levantar o seu capitão, ilibando-o da responsabilidade assumida. “Aqui a única pessoa responsável e que tem de assumir qualquer circunstância do jogo sou eu! Portanto não é o Valter, e eu conheço a forma séria e honrada com que o Valter se assume como o grande homem que é, mas a responsabilidade é minha, não é dos jogadores”, referiu, pedindo para se ignorarem as palavras do capitão. “A responsabilidade de todos os actos é do treinador”, reforçou, relembrando o trabalho efectuado no estágio a propósito das bolas paradas. “Todos os dias, em todo o trabalho que fizemos no Luso, existiram marcações de livres directos e grandes penalidades em regime de competição entre duas equipas para aumentar o potencial dessas marcações. Todos os dias marcámos cento e tal livres directos, e cento e tal grandes penalidades. Que fique claro que esse trabalho foi feito e que todos os jogadores estavam preparados para o fazer, e daí a rotatividade. Noutras circunstâncias, possivelmente até com um olho fechado as bolas tinham entrado”, referiu.

Relativamente à confusão após o apito final, Sénica não quis comentar. “Houve uma situação mais quente no final de jogo que foi sanada. Foi uma situação que não percebi como começou, só vi como é que acabou”, disse.

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